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Liberação do SDK para o iPhone pode agradar usuários e desenvolvedores

Framingham - Quando o celular da Apple completar um ano, muitas portas serão abertas para desenvolvedores. Saiba o que muda nesta análise.

Computerworld/EUA

10/03/2008 às 8h24

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O anúncio, na semana passada, do kit de desenvolvimento (SDK) para o iPhone – há tempos esperado e bastante atrasado – foi uma ótima notícia da Apple para os usuários do iPhone (e também do iPod Touch). Mas tem um porém: tal como no ano passado, quando a Apple apresentou o iPhone em janeiro e depois fez as pessoas esperarem seis meses para botar as mãos nele, todo mundo terá que esperar até junho por todos os aplicativos e avanços prometidos. Mas a espera valerá a pena.

Quando o iPhone 1.0 completar um ano de vida, em meados deste ano, os fãs do iPhone receberão, em essência, a versão 2.0 do seu smartphone favorito. Os novos recursos e aplicativos – alguns deles demonstrados pela Apple por ocasião do anúncio – vão transformar o iPhone em algo muito superior ao que ele tem sido até agora. Veja como será.

Em primeiro lugar, com o upgrade para o iPhone 2.0 – eu estou chamando assim, não a Apple – esqueça todos aqueles amados aplicativos de terceiros que você usa hoje. Trabalhando durante meses sem um SDK, os desenvolvedores agora tiveram que agir rápido para fazer programas inovadores rodarem no iPhone. (Estou falando de software como o VNSea, ebook reader Books, iRadio e aquele aplicativo muito interessante, o Guitar.)

Isso vai mudar com o 2.0, que abrirá novas portas para desenvolvedores, mesmo que elimine o acesso ao iPhone através do installer.app requerido por estes hacks. Portanto, comece a agitar agora para fazer os desenvolvedores portarem os aplicativos “não oficiais” de que você mais gosta para a nova App Store, sistema de distribuição de aplicativos para o iPhone da Apple. Tomara que eles ouçam suas súplicas e disponibilizem estes aplicativos até agora “não oficiais” por um preço razoável.

A App Store permitirá que os usuários do iPhone comprem e baixem programas diretamente no telefone, colocando uma grande quantidade de novos aplicativos fantásticos na ponta dos seus dedos e expandindo ainda mais a utilidade e o alcance do telefone. Quem nunca quis enviar mensagens instantâneas para amigos diretamente do iPhone, sem ter que passar por um complicado sistema de mensagem instantânea baseado na web?

E quem já não imaginou ter um Slingbox para um iPhone ou iPod Touch? Com o SDK, de repente estas possibilidades se tornam mais plausíveis. Na realidade, a Apple exibiu um programa de chat do AOL durante o anúncio, junto com games que podem ser controlados com o uso do medidor de aceleração do iPhone. (É o que move fotos e páginas web quando o telefone é girado da vertical para a horizontal).

Mas o anúncio do SDK não foi a notícia mais importante do dia, por mais que estas perspectivas sejam bem-vindas (mais adiante, voltarei a falar sobre elas e o que significam para os desenvolvedores). A grande notícia foi o suporte ao Exchange, que poderá ditar a aceitação do iPhone por parte da TI corporativa. O que quero dizer com isso? Que chega de gatilhos torturantes para tentar usar e-mail da empresa com segurança no iPhone.
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Até agora, administradores de TI cautelosos têm conseguido rechaçar usuários que pedem iPhones corporativos, citando estudos onde o Gartner aponta que o dispositivo não se encaixa na corporação e não tem os recursos de segurança necessários.

Com o primeiro aniversário do iPhone em meados deste ano, talvez os administradores de TI tenham mais dificuldade para dizer aos usuários que ele não satisfaz políticas de segurança corporativa ou não funciona bem com o sistema Exchange Messaging. Na verdade, os usuários corporativos do Microsoft Exchange poderão se beneficiar plenamente das funções ActiveSync do iPhone, incluindo e-mail, calendário e contatos push e lista global de endereços. Está tudo lá.

Em sua apresentação, Phil Schiller, diretor de marketing da Apple, mencionou que o ActiveSync interage diretamente através do servidor Exchange ao invés de se apoiar em middleware como o Blackberry Enterprise Servers (BES). Quanto mais picos o e-mail tem de enfrentar, mais problemas podem surgir – algo que vem acontecendo muito com o Blackberries. A Microsoft tem tentado vencer o Blackberry com esta estratégia há algum tempo, mas está perdendo a guerra no lado cliente com o Windows Mobile 6.

Não é só a funcionalidade do Exchange para a corporação que o iPhone oferecerá em breve aos usuários corporativos. A líder de mercado Cisco IPSec VPN (lembre-se da resolução da disputa pelo nome comercial “iPhone”) também será suportada. Os administradores de TI logo poderão aplicar políticas de segurança e configurações de dispositivos e até apagar dados de iPhones remotamente, algo que o pessoal de TI pedia para poder pensar em implantar iPhones no local de trabalho.

Em uma sessão de perguntas e respostas durante a apresentação do SDK, foi perguntado ao CEO da Apple, Steve Jobs, se ele achava que a Research In Motion (RIM) estaria preocupada com o fato de que o iPhone terá uma série de recursos que hoje estão disponíveis no Blackberry. Jobs disse que não, ao contrário de mim. Provavelmente eles ficarão bem preocupados.

Em seguida, Jobs falou que o iPhone está indo bem, ressaltando que em seus primeiros oito meses de vida ele abocanhou 28% do mercado de smartphones nos Estados Unidos. A RIM continua na liderança, com 41%, mas sua base de clientes é composta quase que exclusivamente de usuários corporativos – os mesmos que a Apple está tentando atrair com seus updates. A Apple poderá preencher esta lacuna de 13% muito rapidamente.
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Em termos de aplicativos empresariais, o iPhone não vai parar na mensagem. Os representantes de vendas, por exemplo, terão motivo para ir a uma App Store. No anúncio do SDK, um dos aplicativos demonstrados foi uma ferramenta de automação da Salesforce.com que, uma vez no iPhone, permitirá aos usuários verem facilmente como estão se saindo em relação às suas metas de vendas. É uma ironia que a Salesforce, conhecida por seus aplicativos web e software como serviço, ainda veja a vantagem de aplicações nativas na plataforma iPhone. O aplicativo da Salesforce.com estava ótimo e poderá ser ainda melhor do que o cliente desktop completo porque permite aos usuários ligarem para os clientes apenas clicando em um nome no banco de dados.

No evento da Apple também foi demonstrado um aplicativo da Epocrates, fornecedora de software médico, que poderá ser o azarão do grupo. Tenho certeza de que todo médico ou toda enfermeira amante do iPod e todo hospital dos Estados Unidos está ligando para seu pessoal de TI neste exato momento e perguntando quando pode obter iPhones. Pelo demo, tudo indica que o aplicativo third-party da Epocrates será uma dádiva para médicos que precisam de informação rápida sobre medicamentos quando interagem com os pacientes.

É certo que muitas empresas vão portar versões móveis de seu software para o iPhone. Mas o mesmo caminho será seguido por muitos desenvolvedores independentes menores. A Apple tem planos ambiciosos para desenvolvimento third-party sobre a plataforma -- inclusive para desenvolvedores que têm criado aplicativos “não oficiais”. Na realidade, eles agora têm mais incentivos para portar seus aplicativos utilizando o SDK legítimo. O iFund, fundo de capital de risco apoiado pela Kleiner Perkins Caufield & Byers, está liberando 100 milhões de dólares para ajudar as startups que desenvolverem aplicativos para o iPhone.

Mesmo sem o iFund, o ambiente de desenvolvimento da Apple oferece muitos incentivos. Na nova App Store, a companhia vai lidar com a parte rotineira das vendas de software, como processamento de cartão de crédito, hospedagem e marketing, e dar 70% da receita ao desenvolvedor. É um fator importante se você considerar as economias de escala da plataforma. Digamos que você seja um pequeno desenvolvedor e crie um aplicativo – talvez algo capaz de transformar o iPhone em um efax – que será vendido por 10 dólares.

Se seu pequeno aplicativo atrair apenas um décimo de 1% dos 10 milhões de usuários do iPhone que a Apple espera ter até o fim do ano, serão 10.000 clientes. Você receberá US$7 por cada venda, ou U$70 mil – e sem incluir todos os potenciais clientes do iPod Touch. Isso é o que eu chamo de motivação!

Como todo este potencial, em meado deste ano poderá haver centenas ou mesmo milhares de aplicativos prontos para o iPhone. É muito diferente da situação em que a Apple se encontrava em meados do ano passado: na época, a companhia tinha nas mãos um hardware com recursos muito bons, como telefone, e-mail, navegação na web e suporte a músicas do iTunes, vídeos do YouTube e mapas do Google. Pano rápido para junho de 2008.

Estes aplicativos originais e as funções que eles oferecem serão soterrados por uma tsunami de novos aplicativos para trabalho e lazer que vão elevar o iPhone a novos patamares. Acrescente banda larga wireless 3G – prevista para o fim do ano – e a única direção possível vislumbrada para a Apple, seu iPhone, os usuários e novos desenvolvedores é para cima.

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