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Mac, 25 anos: como tudo começou

Em 24 de janeiro de 1984, a Apple lançou o Mac original. Veja o que aconteceu para a criação desse produto que mudou o mundo da computação pessoal.

Ryan Faas, Computerworld/EUA

22/01/2009 às 16h15

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Em 1977, a Apple fez barulho ao lançar o Apple II, um dos primeiros computadores pessoais do mundo. Entre seu anúncio e a introdução ao mundo do IBM PC, em 1981, a Apple dominou a indústria da computação pessoal.

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Entretanto, logo que o Apple II chegou ao mercado, a companhia começou a planejar sucessores para seu produto principal, temendo que o Apple II tivesse um tempo de vida limitado (o que não foi real, já que variantes do Apple II original venderam bem por mais de 15 anos). O resultado mais duradouro dessa inovação foi o Macintosh, que celebra 25 anos no dia 24 de janeiro.

O curso de eventos que levou o Mac a ser como o conhecemos hoje foi o resultado combinado de sorte, coincidências e também de planejamento. Mas tudo começou com o desejo dos executivos da Apple em criar um computador de próxima geração que continuasse o sucesso do Apple II.

Apple III
Uma jornada pós-Apple II tinha como parada obrigatória o Apple III. Concebido como uma máquina corporativa, ele era compatível com hardware e software anteriores, mas rodava software criado especificamente para o Apple III.

O Apple III foi, no fim das contas, um fracasso. Com problemas de design – incluindo um de superaquecimento, graças à insistência de Steve Jobs em vender uma máquina sem ventilador interno -  e um hardware que não ia muito além do que o Apple II, mais barato, já oferecia, o Apple III foi removido da linha de produção depois de custar 60 milhões de dólares à Apple (a maioria disso em suporte técnico).

Lisa
Já em uma nova geração e ainda com foco corporativo, o Apple Lisa foi o seguinte da lista. Suas especificações originais eram básicas, com uma etiqueta de preço de 2.000 dólares. Não deveria trazer recursos inovadores, mas acabou sendo o primeiro produto da Apple a trazer uma interface gráfica, similar àquela que estaria no Mac no ano seguinte.

Durante o desenvolvimento inicial do Lisa, Jobs e diversos engenheiros da Apple fizeram duas visitas ao Xerox Palo Alto Research Center (PARC), um centro de pesquisas da Xerox para criação de novas tecnologias. Itens como Ethernet, programação orientada a objetos e sistemas operacionais com interfaces gráficas operadas por mouse vieram do PARC. Mais preocupada com o negócio de copiadores do que com a revolução dos computadores, a Xerox deixou escapar muitas dessas tecnologias, basicamente porque seus executivos não conseguiam entender como transformar o resultado das pesquisas em produtos para vender.

Em 1979, as visitas de Jobs ao PARC permitiram à Xerox investir na Apple antes da sua abertura de capital em bolsa. Depois de ver os exemplos de inúmeras tecnologias modernas de computação, a Apple decidiu que muitas delas poderiam ser usadas no Lisa. Os engenheiros da Apple, então, começaram a fazer engenharia reversa e ampliaram diversos recursos vistos no PARC.

O resultado foi um computador que ficou longe dos planos originais. Quando o Lisa foi lançado, incluía um monitor integrado, teclado e mouse de um botão. O sistema operacional do Lisa tinha uma interface gráfica que respondia aos comandos do mouse, mas inúmeras outras inovações se tornariam padrão no Mac OS X, Windows e outros sistemas operacionais modernos: arquivos representados por ícones, menus que se expandem a partir do topo da tela e funcionalidade de arrastar e soltar. Foi uma máquina pioneira também ao trazer o QuickDraw, tecnologia para desenho na tela.

O Lisa era vendido também com um pacote de aplicativos de produtividade que incluíam planilhas, desenhos, processador de textos, gerenciador de projetos e programas de emulação de terminal, além de um gerenciador de arquivos. Isso foi uma inclusão importante, já que o Lisa era incompatível com qualquer outro software no mercado (até mesmo o do Mac, quando foi lançado).

Apesar de pioneiro em diversas tecnologias, o Lisa não foi um grande sucesso, graças ao seu alto preço (9.995 dólares), sua incompatibilidade com outros sistemas, drives de disquetes problemáticos e rumores de que a Apple preparava um “baby Lisa”.

A Apple derrubou o preço do Lisa para 6.995 dólares em 1983, e o Lisa 2 foi lançado em 1984 por 3.495 dólares. Mesmo assim, as vendas do Lisa não decolaram. A Apple posteriormente converteu seu estoque de Lisas para que pudessem funcionar com o Mac OS e vendeu as unidades restantes como Mac XL. Um kit de conversão foi criado para os donos do Lisa. Ao sair de linha, em 1989, a Apple literalmente enterrou o produto em um aterro em Logan, Utah.

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O conceito do Mac original
Apesar do fato de que o Mac seria um produto revolucionário, ele teve um começo humilde. Com projetos iniciais em 1979, foi concebido para ser um computador pessoal de baixo custo para o consumidor médio, com preço estimado em torno de 500 dólares. O projeto Mac era mais um produto de pesquisas, sem o perfil elevado de um Apple III ou o Lisa. Jef Raskin, na época diretor de publicações da Apple, foi escolhido para supervisioná-lo.

A natureza obscura do projeto Mac foi um dos fatores para sua mudança radical feita por Steve Jobs. Após a falha do Apple III, o conselho da companhia tinha dúvidas sobre permitir Jobs de cuidar de um novo projeto mais elevado. Quando Jobs pediu para cuidar do projeto Mac, os diretores deram a permissão, sentindo que o projeto desconhecido não seria crítico para a saúde da empresa.

Com Jobs, o Mac foi de um computador barato com interface tradicional de texto para uma versão mais barata do Lisa. Só que, em vez de duplicar o trabalho do Lisa, Jobs queria expandir o Mac sobre os avanços que o Lisa trouxe.

Jobs e sua equipe tomaram a decisão de não fazer um “baby Lisa”, mas tornar o Mac em algo que seria tão avançado como o Apple II foi para a indústria de computação ou mais. Como diz a frase de Jobs, “para botar uma engrenagem no universo”.

As equipes de desenvolvimento do Lisa e do Mac chegaram a trabalhar simultaneamente em tecnologias similares por algum tempo, mas surgiu uma rivalidade entre os dois grupos. A turma do Mac se considerava “pirata”, chegando a colocar uma bandeira na área de trabalho – para se opor ao grupo certinho e corporativo do Lisa. Na corrida pra ver quem lançaria seu produto primeiro, Jobs apostou 5.000 dólares com o gerente de projeto do Lisa, John Couch, que a equipe Mac ganharia. No final, o Lisa foi lançado primeiro, mas o Mac teve muito mais alcance.

A corrida para criar o Mac atingiu um fervor religioso, com Jobs distribuindo camisetas aos engenheiros com a frase "90 HRS/WK AND LOVING IT." (90 horas por semana e amando isso). Durante o processo, idéias e funcionários eram regularmente vindas de outras áreas da Apple.

Depois de repetidos conflitos e uma discussão final com Jobs, Raskin resolveu deixar a Apple e o Mac para trás. Raskin acabou desenvolvendo algumas idéias originais suas para o Mac em um processador de textos, vendido com o nome de Canon Cat. no final dos anos 80.

Apesar da paixão e do longo tempo de desenvolvimento, o Mac atrasou mais de uma vez, graças à subestimada dificuldade em criar o sistema. Depois de perder uma data em 1982, o presidente do conselho diretivo, Mike Markkula, deu um ultimato a Jobs: “É o último escorregão do Mac”, afirmou.

O que o Mac se tornou
Embora muitas coisas tenham mudado durante a criação do Mac, algumas idéias originais permaneceram. Concebido por Raskin para “as pessoas nas ruas”, o Mac foi feito com simplicidade de uso em mente, sem complicadores como slots de expansão ou cabos. Era uma consideração que acreditava que os usuários não precisariam se preocupar em abrir o computador por qualquer razão.

A ideia inspirou o visual tudo em um do Mac (e sua falta de expansibilidade). Mesmo o conceito de “pessoas nas ruas” virou “o computador para o resto de nós”, E, mesmo com Jobs cuidando do projeto e Raskin tendo deixado a Apple antes do lançamento, Raskin é sempre creditado como o pai do Mac.

De qualquer maneira, o computador lançado pela Apple em 1984 lembrava pouco o conceito original de Raskin para o Mac. Em vez de custar 500 dólares, o primeiro Macintosh foi vendido por 2.495 dólares.

Quando Steve Jobs mostrou o Mac em 24 de janeiro de 1984, foi algo que o mundo nunca tinha visto. O novo computador trazia uma tela brilhante com gráficos e um design monobloco, um mouse e tinha capacidades de sintetizar uma voz.

Trouxe elogios de publicações especializadas e revistas em geral, embora muitos tenham criticado o monitor monocromático, a falta de expansibilidade e a incompatibilidade com software existente.

Insignificante para os padrões modernos, o Mac original trouxe uma tela monocromática de 9”, drive de disquetes de 3,5” (que armazenava 400 KB de dados em cada disco), 128 KB de RAM e um processador Motorola a 68000 de 8 MHz. Veio com o editor de textos MacWrite e a ferramenta de desenho MacPaint. No mesmo ano, a Apple lançou o Mac 512K, com o dobro de RAM no mesmo design.

Só no começo de 1987 que a Apple iria vender Macs com slots de expansão ou com design diferente do original (ainda usado pela linha iMac hoje). O Mac original traz gravadas as assinaturas, dentro do gabinete, de todo membro que ajudou a criá-lo, incluindo Raskin e Jobs.

Nos últimos 25 anos, o Mac cresceu e mudou significantemente. O modelo original deu espaço a dezenas de modelos atualizados nos últimos anos.  De qualquer modo, o Mac ainda se mantém fiel às suas origens, um ícone de como um computador pode ser simples e quanto ele pode fazer.

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