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Mais da metade dos usuários de 3G no País não têm banda larga fixa

Estudo realizado pela consultoria Yankee Group aponta que 42% dos assinantes do serviço usam internet móvel para fins comerciais e pessoais

Fabiana Monte, da Computerworld

30/07/2009 às 11h20

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Os serviços de banda larga móvel têm conquistado espaço no mercado brasileiro como opção de acesso à internet, tanto por usuários residenciais quanto corporativos. É o que mostra uma pesquisa realizada pela consultoria Yankee Group, que indica que 51% dos usuários desse serviço no País não têm banda larga fixa em casa.

Além disso, 42% deles fazem uso da internet móvel para fins comerciais e pessoais, indica o relatório, realizado em parceria com a fornecedora de equipamentos de telecomunicações Ericsson.

Pelos cálculos da pesquisa, o Brasil encerrará 2009 com 4,6 milhões de assinantes que realmente utilizam serviços 3G  - dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que o mercado brasileiro tem aproximandamente 2,1 milhões linhas capazes de usar serviços de terceira geração e outros 3,6 milhões de dispositivos como modems e cartões de acesso exclusivamente à rede de dados 3G.

Outro relatório, desenvolvido pela consultoria Pyramid Research, corrobora o aumento da competição entre banda larga fixa e móvel no Brasil. O estudo prevê que já em 2011 o total de usuários de serviços de banda larga móvel no País ultrapassará o número de clientes de serviços fixos de acesso rápido à internet. Em dois anos, os assinantes móveis serão aproximadamente 18 milhões. Já os fixos totalizarão cerca de 17 milhões.

A análise leva em consideração exclusivamente dispositivos como modems e placas PCMCIA, usados em notebooks e desktops para conectividade de dados. Segundo o analista da Pyramid Research responsável pela pesquisa, Fernando Faria, três fatores contribuem para o avanço da banda larga móvel no mercado nacional.

O primeiro deles é a demanda da população por serviços do tipo, o que deve incentivar o avanço no número de usuários. E, à medida que a penetração das ofertas aumentar, as operadoras poderão reduzir preços de suas ofertas. Este é o segundo aspecto considerado por Faria. Em terceiro lugar, está a simplicidade oferecida pela banda larga 3G sobre os produtos de internet rápida fixa. Com modems e placas PCMCIA, o usuário tem o benefício da mobilidade e da autoinstalação.

Pelas contas de Faria, cerca de um ano e meio após o lançamento das primeiras redes de terceira geração no Brasil, placas e modems já representam cerca de 30% do mercado de banda larga nacional. De acordo com a Pyramid Research, esses equipamentos terão papel fundamental para disseminar a penetração da banda larga no Brasil nos próximos cinco anos.

Mas o analista da consultoria afirma que as ofertas de internet veloz das operadoras móveis não disputarão mercado com o serviço fixo no que diz respeito a clientes que consomem muita banda, os chamados "heavy users". "Vai usar a banda larga móvel quem está saindo da conexão discada e quem está satisfeito com velocidades de 1Mbps", diz Faria.

Para o analista sênior do Yankee Group, Julio Püschel, o domínio de placas e modems no mercado de terceira geração de telefonia celular deve-se, em parte, à própria estratégia das operadoras, que focaram na oferta deste tipo de equipamento para disseminar a terceira geração. Dos cerca de 2,1 milhões de assinantes de 3G contabilizados no final de 2008 no Brasil (entre usuários da tecnologia EVDO e WCDMA), 1,2 milhão utilizavam modems ou placas.

Püschel diz que a tendência é que, com o passar do tempo, a banda larga fixa ocupe o nicho de provedor de serviços de entretenimento, servindo de plataforma para a oferta de soluções como TV por meio de protocolo internet e para pacotes de acesso à internet em alta velocidade. Já o serviço das celulares terá como diferenciais preço e a mobilidade.

Uso residencial e corporativo

A pesquisa do Yankee Group mostra que 26% das assinaturas de terceira geração são corporativas, indicando que as empresas ainda estão em fase de análise da relação custo-benefício do 3G como forma adicional de acesso a internet. No entanto, 27% dos usuários desse tipo de oferta utilizam o serviço no escritório e em visitas a clientes.

"Muitos dos assinantes estão pagando um plano pessoal e usando para finalidade corporativa sem pedir reembolso da empresa", afirma o especialista. Püschel acredita que o percentual de uso do serviço vai crescer no mercado corporativo.

A maioria dos assinantes de terceira geração (72%) são jovens com idades entre 20 anos e 30 anos. De acordo com o estudo, este perfil está ligado ao fato de o processo de adoção do 3G ainda estar em fase inicial, por isso, os assinantes são pessoas que dão valor a inovações e se dispõem a usar uma nova tecnologia antes de uma adoção em massa.

A pesquisa do Yankee Group foi realizada com 611 assinantes de serviços de terceira geração em três capitais brasileiras: Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, durante o mês de março deste ano.

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