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MCT: ministro Rezende diz que crise ‘pegou todos de surpresa’

Em entrevista, Sergio Rezende afirma não descartar possibilidade de fazer cortes no orçamento da pasta de Ciência e Tecnologia.

Redação do IDG Now!*

24/10/2008 às 7h51

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O
ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, disse que a crise financeira mundial “pegou todos de surpresa”
pela rapidez com que se desenrolou e se aprofundou.

Ao participar de
entrevista a emissoras de rádio no programa Bom Dia
Ministro
, no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação
(EBC), ele não descartou a possibilidade de cortes no
orçamento de quase 6 bilhões de reais previsto para a pasta
em 2009.

“O
presidente Lula disse que o orçamento está aumentando,
mas que não pode garantir o que vai acontecer no ano que vem.
Ele está sendo muito realista. Nós não sabemos
onde isso vai parar. Mas o orçamento mandado para o Congresso
Nacional representa um acréscimo de 20% em relação
ao desse ano. Então, se não conseguirmos ter todos os
20% ou se tivermos apenas 10%, ainda estaremos com o orçamento
muito maior do que tínhamos há quatro anos.”

Para
Rezende, o maior desafio do sistema de ciência e tecnologia no
país atualmente não é a falta de verba, mas usar bem e de maneira ágil os recursos que estão
sendo disponibilizados.

“Como o sistema estava desacostumado com
tantos recursos, a máquina pública hoje está tão
emperrada que o nosso desafio está sendo dar conta do
orçamento que temos disponível”, disse.

“Dentro
da dificuldade de hoje, não estou pessimista. Também
não posso dizer que estou otimista. Estou apreensivo, mas
bastante confiante de que, se houver uma redução no
orçamento do ministério, ela não vai ser
significativa em relação à proposta.”

O
ministro afirmou não ter dúvida de que existe um grande
fator de especulação sobre os reflexos da crise
financeira e que tanto o mercado de câmbio como o de crédito
e o das Bolsas de Valores estão “muito especulativos”. A
estratégia, segundo ele, deve ser “esperar a poeira baixar”.

Rezende
avaliou que o dólar não deve voltar à casa dos 1,50 real, mas ele se mostrou otimista para uma cotação
inferior a  2 reais. Sobre a possibilidade de aumento, por exemplo,
nos preços dos computadores vendidos no país, o ministro afirmou que o governo está preparado para enfrentar o problema
por meio da redução de impostos e de incentivos.

“Temos
o programa Computador para Todos, que fez com que os computadores
barateassem e que o Brasil tivesse a fabricação e
compra pela população de mais de 10 milhões de
computadores. Este ano, ultrapassaremos esse número. Há
dois meses, o que estava alto era o petróleo, que chegou a 145 dólares o barril, e agora está 70 dólares.”

De acordo
com o ministro, a crise financeira mundial se dá diante de “um
clima emocional muito grande” e “tudo o que flutua com muita
rapidez em momentos de pico ou de depressão não deve
ser analisado com muitas projeções”.

Ele
destacou ainda que ninguém mais tem dúvida de que a
crise vai afetar todo o mundo e de que vai trazer recessão a
muitos países. Rezende, entretanto, afirmou que o governo está
convencido de que no Brasil não haverá recessão.

“O país
vai continuar crescendo porque é a força do nosso
mercado interno que está impulsionando a economia. Estou
confiante de que a crise não vai afetar o nosso setor como,
infelizmente, vai afetar outros setores.”

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