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Mercado de PCs deve se retrair pela primeira vez em 5 anos no Brasil

Trimestre deve ser difícil para fabricantes no Brasil, diz IDC. Tensão causada pela crise dá lugar às consequências reais.

Rodrigo Caetano, repórter do Computerworld

28/01/2009 às 18h29

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Vida dura para os fabricantes de computadores neste começo de ano. Expectativas dos dois principais institutos de pesquisas especializados em tecnologia dão conta que o primeiro trimestre de 2009 será o pior em, pelo menos, 5 anos. Depois de muito tempo, o setor deve ver uma retração nas vendas.

Como se não bastasse, a situação está complicando ainda mais com o lançamento de novas medidas para controlar as importações. Segundo Luciano Crippa, analista de mercado da IDC, a exigência de licenças prévias para importação de insumos pode causar prejuízos à indústria.

Sob a justificativa de eliminar “discrepâncias” nos números de importações, o Departamento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) passou a analisar cada pedido antes de liberar a entrada de produtos importados no Brasil.

Para Crippa, o governo tenta, com a medida, ter mais controle sobre a balança comercial. “O que não pode acontecer é o governo tomar medidas que atrapalhem o setor, que já está sofrendo forte pressão”, afirma o analista.

A pressão realmente é grande. Dados da IDC mostram que no último trimestre de 2008, as vendas de PCs caíram 11,9%, totalizando 2,7 milhões de unidades. No mesmo período do ano anterior, as vendas chegaram a 3,1 milhões de máquinas. Em 2009, a retração deve seguir o mesmo ritmo no primeiro trimestre, ficando em cerca de 12%.

O Gartner também não está prevendo bons ventos para o segmento. De acordo com Luis Anavitarte, vice-presidente para mercados emergentes da empresa, o primeiro trimestre de 2009 deve ser muito complicado para as fabricantes. “No final do ano passado, o mercado foi mais impactado pela tensão gerada pela crise, que reduziu a confiança dos consumidores. Em 2009, vamos começar a sentir os efeitos reais da crise econômica”, afirma o executivo.

Dados do instituto mostram que o quarto trimestre de 2008 foi o pior para a indústria global de PCs desde 2002. Anavitarte explica que, na América Latina, o mercado está sendo afetado por três questões relacionadas à economia: a retração do crédito, a alta do dólar e a diminuição da confiança dos consumidores, que estão mais cautelosos em relação a investimentos. “As pessoas estão adiando a troca de computadores”, relata o consultor.

Essas condições geram um desafio muito grande para os fabricantes: controlar os estoques. De acordo com Anavitarte, os fabricantes terão de repensar seus inventários, reduzindo estoques. Por esse motivo, a tentativa do governo de controlar as importações pode ser extremamente complexa para a indústria de PCs.

A alta do dólar também contribui para a complicação do cenário. Crippa relata que até setembro do ano passado a moeda americana valia, em média, 1,66 real. Atualmente, o valor médio está em 2,29 reais, uma alta de quase 40%. De alguma forma, este aumento será repassado para o consumidor, pressionando as vendas ainda mais.

Para o vice-presidente do Gartner, os setores de consumo, especialmente as classe mais baixas, e de pequenas empresas devem ser mais afetados pela crise. Entre as médias e grandes empresas, o instituto espera um adiamento na renovação dos parques tecnológicos.

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