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Mercado de PCs e celulares fica cada vez mais próximo

Evolução tecnológica aproxima fabricantes dos dois tipos de equipamentos, que têm funções cada vez mais integradas; iPhone é um exemplo

Fabiana Monte, editora-assistente do COMPUTERWORLD

07/04/2009 às 17h46

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Os mercados de atuação de fabricantes de computadores e de telefones celulares ficam mais próximos todos os dias, com a oferta de aparelhos que reúnem, cada vez mais, funções comuns aos dois segmentos, a exempldo do iPhone.

Com isso, ganha força a possibilidade de tradicionais players do segmento de telecom entrarem em um nicho que até então era ocupado exclusivamente por fabricantes de computadores, como HP, Dell e Toshiba. A Nokia é um exemplo disso. O caminho inverso também é verdade, com a Dell insinuando que pode fabricar um smartphone e a HP, com seus iPaqs já há alguns anos.

A consultoria Gartner segmenta esse novo mercado em quatro categorias: notebooks, com telas entre 10 polegadas e 15 polegadas; netbooks, com tamanho de 7 polegadas a 10 polegadas; "Mobile Internet Devices" (MIDs), que têm entre 3,5 polegadas e 6 polegadas e, a seguir, os smartphones.

"Um bom representante da categoria dos mobile internet devices é o iPhone", exemplifica a analista Annette Jump.

Para ela, os notebooks e os netbooks são produtos que permanecerão sob o domínio dos tradicionais players de computação. As fabricantes de telecom deverão focar, por sua vez, nos MIDs e smartphones. "O segmento de MID é muito pequeno, mas veremos alguns fabricantes experimentando este mercado nos próximos 12 meses, mas ainda não vimos anúncios, somente especulação", completa.

Embora não confirme a entrada da Nokia no mercado de netbooks ou notebooks, Fernando Soares, gerente de portifólio da fabricante finlandesa, concorda que a aproximação entre os dois mundos é um caminho sem volta.

"Não sei dizer qual é o limite que cada uma dessas empresas vai colocar para si. Olhando do lado dos fabricantes de notebooks, a pergunta é até que tamanho vou diminuir o aparelho; do nosso lado a questão é até que ponto vou crescer nossos aparelhos", comenta.

Semicondutores na raiz da questão
Para Paulo Breviglieri, country manager da Qualcomm no Brasil, a evolução dos semicondutores é um dos principais elementos que impulsionaram essa aproximação entre os dois mundos.

Pelo raciocínio do executivo, os fabricantes de chips tiveram de desenvolver produtos capazes de oferecer as características mais buscadas atualmente pelos consumidores de equipamentos computacionais: conectividade embarcada; maior autonomia de bateria e alta capacidade de processamento. E compatíveis com aparelhos cada vez menores.

"Você tem num único chip funções computacionais, com capacidade de executar todos os aplicativos e sistemas operacionais de um computador, mas também tem funções de conectividade 3G", diz Breviglieri, referindo-se aos chips da nova família Snapdragon.

O primeiro dispositivo com esse processador foi lançado em Barcelona, no Mobile World Congress, pela Toshiba, mas outros dez fabricantes, segundo Breviglieri, estão trabalhando em mais de 15 projetos envolvendo o Snapdragon - o que demonstra o interesse em oferecer aparelhos com essas características.

Nas palavras do executivo da Qualcomm, o TG01, da Toshiba, é um "mais que um smartphone" - ou seja, é um MID, de acordo com a definição do Gartner. "Não vão deixar de existir computadores puros e celulares puros, porque eles vão atender a demandas específicas dos consumidores. Mas num cenário de convergência surgirão dispositivos computacionais móveis, com conectividade, pondera Breviglieri.

"Este ano deve ser o grande ano da mobilidade", prevê Vinícius Caetano, analista sênior de telecomunicações da IDC. Ele concorda que a aproximação entre computadores e celulares aconteceu em função da evolução tecnológica e da demanda dos consumidores. "Vai ser bom para o consumidor, que ganha fabricantes de informática no mundo dos smartphones e de celulares no mundo da informática", completa.

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