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Microsoft desbloqueia todas as versões do Vista para virtualização

Para analistas, a decisão da companhia foi motivada pelo medo de perder espaço do sistema operacional para usuários de Mac

Por Computerworld/EUA

23/01/2008 às 14h57

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A Microsoft anunciou nesta semana que mudou sua decisão de impedir que versões mais baratas do Windows Vista rodassem em máquinas virtuais, dobrando as opções para os usuários de Macintosh que rodam o sistema operacional da rival no Fusion, da VMWare, e no Parallels, da empresa homônima.

Tanto a versão Vista Home Basic quanto a Vista Home Premium já podem rodar em um ambiente virtualizado, de acordo com a Microsoft. Estas são as edições mais econômicas do sistema operacional disponível no varejo, vendidas a 199 dólares e 239 dólares (no mercado norte-americano), respectivamente. Até então, a Microsoft só permitia que o Vista Business (299 dólares) e o Vista Ultimate (399 dólares) fossem instalados em uma máquina virtual.

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Em junho de 2007, a Microsoft esboçou tomar esta mesma decisão, mas não o fez e também não explicou porque mudou de idéia. Na ocasião, apenas divulgou um comunicado por meio de sua assessoria de imprensa: “A Microsoft reabilitou as regras de virtualização do Windows e decidiu que manteremos a política anunciada originalmente.”

Há sete meses, porém, alguns analistas sugeriram que a companhia tivesse voltado atrás por conta de alguns problemas com o software de gerenciamento de direitos autorais (DRM) do Vista.

A única mudança que a Microsoft precisava fazer era nos acordos de licenciamento para usuário final do Vista Home Basic e do Vista Home Premium. Nunca houve um obstáculo técnico para a virtualização, fosse no Mac ou em qualquer outra plataforma.

Os analistas aprovaram a decisão em todos os níveis. Foi uma decisão prática, disse Chris Swenson, analista do The NPD Group. “É cada vez mais difícil encontrar uma cópia do Windows XP no varejo. Então, os usuários de Mac que estão usando o Fusion ou o Parallels precisam realmente comprar o Vista”, explica. “E quando o assunto é o Vista, o Home Premium é o mais atraente”, completa.

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Além disso, Swenson está convencido que o sucesso do Mac e dos aplicativos de virtualização da Parallels e da VMware foram fundamentais para a decisão da Microsoft. “Se você fosse a Microsoft e visse a migração para outra plataforma, seria natural facilitar o uso do Windows, ao invés de dificultá-lo. A empresa quer manter usuários do Windows, especialmente do Vista”, explica o analista.

Michael Gartenberg, analista da JupiterResearch LLC, engrossa o coro. “Embora a virtualização em desktops para usuários domésticos ainda não seja tão expressiva, ela certamente ganhará importância no futuro”, diz ele. “Parece que a Microsoft quer assegurar que, se existe um desejo do consumidor de usar o Windows, é preciso realizá-lo, independentemente da plataforma sobre a qual irá rodar.”

Para Paul DeGroot, analista de Microsoft da Directions, porém, vê um outro motivo para a decisão da companhia. “Parece que a Microsoft reconheceu que suas restrições relacionadas a máquinas virtuais terão pouco impacto para a concorrência, e provavelmente machucará a si própria e à sua fatia de mercado mais do que a qualquer um”, disse DeGroot.

“A Microsoft está realmente tentando mostrar que tem a mais completa oferta para virtualização. E fica difícil fazer isso se você continua impondo restrições e dando desculpas esfarrapadas, como “ninguém quer fazer isso, então estamos proibindo”, para explicar essas restrições.”

No passado, a Microsoft citou a falta de interesse em virtualização e os potenciais problemas de segurança para justificar o fato de não permitir que as versões Home Basic e Home Premium rodassem em VMs.

De acordo com Bem Rudolph, diretor de comunicações da Parallels, a mudança é uma vitória para a Microsoft, sua empresa e os usuários de Mac. “É um bom passo para a Microsoft porque representa uma boa forma para que seus usuários migrem para o Vista. O fato de não ter mais obstáculos para a virtualização pode atrair usuários. Para os clientes da Apple, a decisão é ainda melhor”, disse Rudolph. “É uma excelente maneira de alcançar aqueles outros 6% do mercado de desktops, e dá aos usuários outra motivação para lidar com o Windows.”

Embora nenhum representante da Microsoft tenha comentado a decisão, Rudolph deu seu palpite. “No ano passado, eles nos disseram que a decisão [de bloquear a virtualização] não era final, e eu acredito que tenham recebido retornos de clientes e parceiros sugerindo que repensassem a decisão.”

A Microsoft divulgou um suplemento para o acordo de licenciamento do usuário final que se aplica a quatro versões de varejo do Vista, liberando-as para a virtualização.

“Ao invés de usar o software diretamente no equipamento licenciado, você deve instalar e utilizar o software em apenas um sistema de hardware virtual (ou então em um emulado) desse equipamento licenciado”, explica o comunicado da Microsoft.

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