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Microsoft e Google brigam por causa de padrão de vídeo na web

Motivo da briga é a decisão da Google de abandonar o apoio ao codec H.264. Para Microsoft isso equivale a "banir o inglês dos EUA"

Jon Brodkin, da NetworkWolrd/EUA*

14/01/2011 às 0h17

Foto:

Mais um round de socos e pontapés ao melhor estilo “webMMA” entre
a Microsoft e a Google acaba de começar.

Mas, contrário do esperado, o golpe inicial  foi disparado pela
MS. Melhor, por um funcionário da empresa que, em um post, compara o apoio da
Google ao formato WebM à segunda e desnecessária invenção da roda.

No post, intitulado “Carta aberta do Presidente dos Estados
Unidos do Google”, o "papa do Windows", Tim Sneath, ataca a decisão da Google de abandonar
o suporte ao formato H.264
– largamente adotado na web e usado por videomakers.

Na opinião de Milton Paulo Simões de Lima, formado em edição
de vídeo e efeitos visuais pela Metropolitan Film School, de Londres, a medida
joga água nos planos das Apple, que deixou de apoiar o formato flash Flash. Lima
comenta sobre o vasto uso desse formato em edições. “É o mais usado na plataforma
Mac”, disse, em entrevista por telefone, ao IDG Now!.

Esperanto e Klingon
No post, Sneath deixa claro que a proposta da Google se
iguala a substituir o ensino de inglês pelo do esperanto nas escolas. “O
objetivo da linguagem é ser democrática”, diz o texto. O autor lembra que a
função do esperanto acabou sendo a de linguagem auxiliar – sem grande adesão
por parte da comunidade mundial.

A referência é velada, pois Senath não explicita o nome WebM.
Em vez disso, deixa um link para o site do formato. De toda forma, é perfeitamente
racional concluir que Sneath aponta para uma tentativa da Google em introduzir
à força um novo padrão – em vez de deixar a comunidade web escolher o caminho.

Sneath critica a decisão da concorrente, e afirma que suportar nova línguas
equivale a banir o inglês dos EUA e trocá-lo por Esperando e de Klingon (língua falada
por uma raça alienígena no seriado Jornada nas Estrelas). "Especificamente, estamos apoiando Esperanto e Klingon, e vamos considerar o suporte a novas linguagens bem construídas no futuro. Embora o inglês seja importante em nossa fala hoje, como nosso objetivo é incentivar a inovação, seu uso como forma de comunicação neste país será proibido e nossos esforços serão em idiomas que não são afetados pelo uso no mundo real", escreveu o executivo da MS, reescrevendo de maneira irônica o texto da Google sobre o abandono ao H.264.

Segundo o autor do post, o Internet Explorer 9 continuará a
entender a codificação H.264. Sneath postou links para estudos mostrando que dois
terços dos vídeos atualmente disponíveis na web usam esse codec, e um quarto está em Flash
VP6. Contudo essas informações são anteriores a maio de 2010, quando o WebM ainda não havia sido lançado.

As chances do novo formato fazer sucesso não são pequenas.
Além da Google, Mozilla, Opera e Adobe apoiam esse padrão de vídeo.
O blogueiro de open source da Network World, Joe Brockmeier
, diz que a decisão da Google é "uma boa notícia ... para quem defende formatos abertos na web," porém "potencialmente má para a maioria dos players, que terão de passar por uma nova e longa guerra de formatos. De novo."

* com reportagem de Klaus Juginger, para o IDG Now!

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