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MIPS quer desafiar domínio da ARM entre tablets com processador menor

Empresa afirma que processadores baseados em sua arquitetura proAptiv terão metade do tamanho dos ARM Cortex-A15, mas o mesmo desempenho.

James Niccolai, IDG News Service

29/08/2012 às 18h10

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A empresa norte-americana MIPS Technologies quer desafiar a inglesa ARM no mercado de tablets e smartphones high-end com um novo design de processador apresentado durante a conferência Hot Chips no Vale do Silício nesta terça-feira.

A empresa é conhecida por chips usados em produtos de entretenimento doméstico como TVs digitais e players de Blu-Ray, e anteriormente em consoles de videogame como o PlayStation, PlayStation 2 e PlayStation Portable, mas eles também foram usados em alguns tablets, incluindo um feito pela Philips. Estes são em sua maioria aparelhos Android de baixo custo, vendidos em mercados emergentes como a China e Indonésia.

Na esperança de conquistar um mercado mais sofisticado a empresa está apresentando um novo design de processador chamado proAptiv, uma implementação de sua arquitetura MIPS32. Segundo a empresa o chip terá metade do tamanho dos baseados na arquitetura Cortex-A15, da rival ARM, mas irá oferecer desempenho equivalente ou superior.

“É basicamente um concorrente direto do Cortex-A15”, disse Mark Throndson, gerente de marketing de produtos da MIPS. Entretanto o novo design ainda está longe de ser encontrado em um produto, e não está provado que a MIPS é capaz de desafiar a ARM, cujos chips dominam o mercado de tablets e smartphones.

Assim como a ARM a MIPS não fabrica chips, mas licencia seus designs para outras empresas. O projeto completo do proAptiv estará disponível às licenciadas até o final de Setembro, segundo Throndson.

São necessários cerca de 18 meses para que um projeto de CPU se transforme em um “System on a Chip” (SoC - “Sistema em um chip”) finalizado dentro de um produto, então o executivo só espera ver os primeiros smartphones e tablets com processadores proAptiv no mercado em cerca de dois anos.

É um longo tempo para esperar, mas há alguns sinais encorajadores. A MIPS publicou um relato de desempenho do proAptiv baseado no benchmark CoreMark que, de acordo com a publicação Microprocessor Report, é um novo recorde para CPUs single-core licenciáveis.

“A MIPS enfrenta um número de desafios comerciais antes que possa assumir a liderança no mercado de mobilidade, mas os recursos técnicos da família Aptiv podem tornar o mercado de processadores licenciáveis muito mais competitivo”, disse Scott Gardner, editor sênior da Microprocessor Report.

Ele também notou que “ainda não está claro se o desempenho em aplicativos no mundo real irá corresponder à alta pontuação no CoreMark”. Ainda assim, como a Intel não conseguiu produzir um impacto considerável no mercado da ARM, não faz mal ter mais um concorrente para manter a empresa inglesa alerta.

O pequeno tamanho do proAptiv irá ajudar a reduzir os custos de produção para os fabricantes e reduzir o consumo de energia, disse Throndson. E segundo ele a MIPS espera cobrar dos fabricantes taxas de licenciamento menores que as da ARM.

A resposta da ARM

A ARM responde às declarações da MIPS apontando que lançou sua arquitetura Cortex A15 em 2010, e que as primeiras amostras dos SoCs já estão nas mãos de seus clientes. A empresa estima que processadores Cortex-A15 terão “aproximadamente o mesmo tamanho” dos MIPS proActiv “dada configuração idêntica”, disse Noel Hurley, vice-presidente de marketing e estratégia da divisão de processadores da ARM, via e-mail.

“Dentro desta configuração o Cortex-A15 inclui tecnologias de segurança (como a TrustZone) e virtualização que não são encontradas na arquitetura MIPS. Além disso, os processadores Cortex-A15 tem o sistema de processamento multimídia NEON”, disse Hurley, que adicionou que um sistema de processamento multimídia eficiente é uma necessidade na maioria dos usos em dispositivos móveis.

“É necessário mais do que boa tecnologia para desafiar o domínio da ARM nos dispositivos móveis”, disse Chris Rowen, fundador e CTO da Tensilica, que projeta e licencia núcleos de processamento para sistemas embarcados e acompanhou a apresentação da MIPS durante a Hot Chips.

Ele nota que a ARM tem numerosos fatores ao seu lado, incluindo um grande ecossistema de comsumidores e parceiros, e desenvolvedores de software que estão familiarizados com sua arquitetura e ferramentas.

“Desenvolver uma arquitetura de alta qualidade - e há toda razão para acreditar que a proAptiv corresponde à descrição - lhes dá uma chance”, disse Rowen. “Mas também é verdade que eles tem que participar de um jogo onde a ARM dita as regras, e isso é difícil”.

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