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Momento geek: entrevista com Bill Gates no auge de crise antitruste

Jornalista revela detalhes de uma conversa de 40 minutos com o presidente da Microsoft que usava, acreditem, uma camisa suja.

John Fontana, da Netword World/EUA

24/06/2008 às 18h45

Foto:

SELO_PEQUENO.jpgO jornalista norte-americano John Fontana, da revista Network World, esteve frente a frente com Bill Gates, em maio de 2000 - época em que a Microsoft era alvo de um processo antitruste movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), que quase dividiu a empresa em duas. Confira o relato detalhado da entrevista - na íntegra (em inglês) - com o líder da Microsoft, há oito anos.

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"No começo do ano 2000, o telefone tocou em meu escritório. Era o assessor de imprensa da Microsoft perguntando se eu gostaria de falar com o Bill Gates na feira NetWorld + Interop. Eu fingi que estava checando minha agenda.

Então em maio de 2000, Gates e eu nos sentamos para conversar por 40 minutos, em Las Vegas. Era a primeira vez que eu o encontrava pessoalmente, após cobrir os assuntos da Microsoft, e pedir uma entrevista, por quatro anos. Era a primeira vez que a lei antitruste tornava-se uma preocupação-chave [para a empresa].
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Embora alguns queiram saber se eu notei alguns chifres diabólicos saindo da cabeça dele, o fato é que eu estava surpreso com o quão normal ele se parecia.
 
Ele até tinha uma mancha na camisa, do tamanho de uma moeda, na lateral oposta ao bolso. Eu tinha notado durante sua apresentação, mas agora estava lá vivendo o momento de 'glória geek' sentado a três passos dele. 'Bilhões no banco e seus assessores não têm sequer uma camisa de reserva', pensei. Ou talvez, ele nem ligasse.

Nós nos levamos facilmente pela conversa, desde o cenário geral até as minúcias tecnológicas e os assessores colocaram um prato de frutas na mesa de trás certos de que o ex-CEO poderia se virar.

A única restrição estabelecida para que eu pudesse entrevistar Bill Gates era que eu poderia fazer apenas uma pergunta sobre o caso antitruste [movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra a Microsoft] que estava em andamento, e que viria a decidir que a Microsoft era um monopólio.

Nosso encontro era o último antes que o DOJ recomendasse as punições no julgamento do caso antitruste contra a Microsoft.
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Decidi deixar minha pergunta sobre o caso para o final. E então continuei fazendo mais perguntas calculando que se ele não quisesse responder, não o faria. E algumas delas nem era oficiais.

Mas nossa discussão me revelou que aquele caso era claramente pessoal para Gates. Não envolvia apenas a companhia que ele havia construído, mas sua reputação como um homem de negócios e como pessoa. Ele também se mostrou desapontado com a crença de que outros estavam usando o caso para promover suas carreiras e vidas pessoais.

Em outros assuntos, fora o caso antitruste, Gates era encantador. Ele falava do que é hoje a estratégia de softwares mais serviços da Microsoft oito anos antes de anunciá-la.

Depois do período de aquecimento, o fato é que a entrevista mais parecia um bate-papo com o vizinho que veio emprestar uma xícara de açúcar do que com o homem mais poderoso da indústria de software.

E não é que eu não tenha feito perguntas difíceis a ele, incluindo a lavada que a Microsoft estava tomando para implantar a especificação Kerberos – seu maior esforço em torno de mecanismos de segurança 'padronizados'.
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Gates foi bem eloqüente sobre a especificação. Explicou como a Microsoft havia feito um bom trabalho desenvolvendo sua versão do Kerberos apesar das críticas sobre a exploração do campo de autenticação de dados - Authentication Data field -sobre o risco de ‘prender’ os usuários no Windows Server. E seu tom de voz se elevou conforme ele desaprovava primeiro a mim por trazer o assunto à tona, depois aos outros que só queriam 'ver seus nomes na imprensa'.

E então ele me deu um conselho para a reportagem: 'Pergunte a alguém que realmente entenda a engenharia [do Kerberos].'

Decidi não contar a ele que já havia perguntado ao pessoal do MI, que escreveu o Kerberos, e fui em frente.

Nossa entrevista terminou com singelos apertos de mão. Ele me agradeceu pelo tempo dedicado, brinquei que eu enviaria algumas sugestões de nomes de códigos e ele disse que aqueles detalhes sempre pareciam demorar muito para serem decididos,SELO_VOLTAR.jpg e então saiu, talvez para uma reunião com clientes, talvez para a lavanderia mais próxima."

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