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Morra de medo com os melhores jogos de horror para o PC

Pegue sua lanterna, apague as luzes e se prepare para encarar demônios, mutantes e outras criaturas sobrenaturais.

Jim Norris, PCWorld EUA

30/10/2013 às 16h43

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Será que você é mesmo corajoso?

Estamos na temporada dos filmes de terror, mas além das telas do cinema e da TV existe todo um mundo de jogos de horror para o PC. E esta é a época perfeita para mergulhar nele.

Cada pessoa se assusta de um jeito um pouco diferente, mas a maioria dos jogos de horror se mantém fiel a alguns estilos e designs que sobreviveram ao teste do tempo e se tornaram marcas registradas do gênero. Selecionamos alguns dos melhores, e os analisamos de perto para entender porque funcionam tão bem.

Os mais perigosos

Jogos de horror com ênfase na ação dominam o mercado atualmente, com jogos de tiro em primeira e terceira pessoas dominando o ranking tanto em vendas quanto em aprovação da crítica. Jogos como Bioshock são fáceis de jogar, com esquemas de controle que são confortáveis para os gamers experientes e cenários misteriosos que nos deixam maravilhados e assustados ao mesmo tempo.

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Bioshock

É aqui que as limitações do gênero aparecem. Os jogos de ação em primeira e terceira pessoal são projetados para entreter os jogadores com combates, então a maior satisfação vem justamente de lutar contra a escuridão. Isto geralmente se resume a usar armas e porretes aos montes, o que é legal no começo mas sai de controle nos níveis mais avançados, quando os bastões de baseball e pistolas são lugar a motoserras e lança-foguetes.

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Quando um jogo de horror chega a esse ponto, você se torna o elemento mais perigoso em todo o jogo, e qualquer medo que o ambiente ou inimigos inspiravam em você desaparece. Nem os melhores jogos de horror e ação escapam destes problemas, embora possam minimizá-los com algumas decisões de design cuidadosas.

Corpos à vista

Os jogadores que preferem a ação em terceira pessoa tem uma variedade de jogos aterradores à disposição. A série Dead Space, especialmente o segundo jogo, com sua sequência de abertura inesquecível, é particularmente adepta na mistura entre sustos e armas exóticas sem quebrar a imersão.

Colocando o jogador numa história futurista que é meio Alien e meio The Thing, Dead Space vai além da ação pura com ataques baseados em desmembramentos, sistemas de upgrade de equipamentos e módulos cibernéticos que permitem ao jogador desacelerar o tempo e manipular objetos usando telecinese.

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Dead Space

Quem quiser um jogo em terceira pessoa mais realista vai gostar de Alan Wake, que traz uma experiência dividida em episódios que lembra uma série de TV, fazendo o uso pesado de elementos psicológicos e fantasmagóricos inspirados por obras como O Iluminado e Além da Imaginação.

Você joga como Alan Wake, um autor que está de férias na peculiar cidade de Bright Falls quando uma força malevolente começa a corromper a população local. A ação é pontuada pela necessidade de usar uma lanterna para remover a escuridão que oculta e protege seus inimigos sobrenaturais. O jogo também pede que o personagem colete páginas de um livro que ele escreveu, mas do qual não se lembra. Cada página fornece pistas e mais detalhes sobre a história.

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Alan Wake

Uma vista “de matar”

Eu prefiro jogos de horror em terceira pessoa, mas os jogos de tiro em primeira pessoa tem mais tradição no gênero. Se você estiver disposto a encarar um jogo mais antigo experimente System Shock 2, um thriller cyberpunk que abriu o caminho para muitos títulos posteriores, tanto em primeira quanto em terceira pessoas. A mistura de poderes psiônicos, mini-jogos baseados em quebra-cabeças, upgrades adquiridos em máquinas automáticas e diários em áudio se tornou o arroz com feijão do gênero, e todo jogo de ação nesta lista deve partes de seu design a ele.

System Shock 2 é um jogo amado pela comunidade de gamers, e há muitos mods (modificações) para dar uma forcinha no visual, que hoje em dia pode ser considerado primitivo. Entre eles há suporte estável a alta-resolução, texturas aprimoradas e efeitos de pós-processamento para melhorar o “clima” do jogo. Ken Levine, o homem por trás de System Shock, também é o criador do já mencionado Bioshock, um sucessor espiritual sobre uma utopia subaquática da década de 60 que desenfatiza os elementos de horror e reforça a ação.

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System Shock 2

Os jogos de horror em primeira pessoa já tinham migrado para temas e mecânicas mais focados na ação quando Bioshock foi lançado. F.E.A.R., da Monolith, Clive Barker's Undying, da DreamWorks Interactive e Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth são todos bons jogos que enfatizam a ação mas oferecem uma boa variação da mecânica “atire e se esconda” dos FPS tradicionais.

F.E.A.R. é o melhor dos três, roda bem e é o mais divertido de jogar. Fãs de Lovecraft devem dar uma olhada em Dark Corners of the Earth, que captura bem o espírito da mitologia de Cthulhu. Mas rodá-lo em máquinas modernas é complicado, portanto dê uma olhada neste patch não oficial e outros mods para maximizar suas chances de sucesso.

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Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth

Não vá até a escuridão!

Se você chegou até aqui e ainda não encontrou um jogo capaz de aterrorizá-lo, é hora de abandonar a abordagem “armado e perigoso”.

Infelizmente, jogos de horror sem combate costumam vir apenas dos desenvolvedores menores. Quebra-cabeças e sistemas de “sanidade” substituem os porretes e balas, com notas para coletar, lanternas para empunhar, caixas para empilhar e armadilhas para montar. Combate é uma verdadeira sentença de morte, e deve ser evitado a todo custo, já que no geral o melhor que você pode fazer é se esquivar ou fugir correndo.

A Frictional Games popularizou este estilo com uma série chamada Penumbra, que começou como uma impressionante demonstração de tecnologia e se transformou em um trio de jogos horripilantes que atingiu seu ápice com o segundo título da série, Penumbra: The Black Plague. A maior parte do jogo acontece nos subterrâneos, em minas congeladas e bases de pesquisa, e você joga como um cientista que segue instruções em uma carta escrita por seu falecido pai, tentando desvendar uma série de anomalias biológicas congeladas no ártico.

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Penumbra: The Black Plague

A Frictional foi além com Amnesia: The Dark Descent, um sucesso surpresa que usa mecânica similar, mas se passa na Prússia dos anos 1830. Aqui você é Daniel, um arqueólogo que perdeu sua memória e tem apenas uma carta, aparentemente escrita por ele mesmo, como guia para escapar de um macabro castelo e das sombrias criaturas que o assombram.

O engine do jogo é muito melhorado em relação à série Penumbra, e o modo história é mais bem elaborado. À medida em que a história progride você descobre que a situação é mais complicada do que parece, e os múltiplos finais prolongam a vida deste jogo.

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Amnesia: The Dark Descent

Embora os grandes desenvolvedores tenham esnobado esta abordagem aos jogos de horror, você pode encontrar uma enorme quantidade de títulos no mercado, incluindo The Eight Pages e The Arrival, baseados na mitologia do Slender Man, além da sequência de Amnesia, chamada A Machine for Pigs, bem como Outlast, um thriller que tem um impressionante grupo de designers em sua equipe.

Os antigos

Ainda está por aqui? Então você está pronto para o avô de todos estes jogos: o adventure de horror. Esta abordagem tem suas raízes nos populares jogos de aventura com uma interface “point & click” (“apontar e clicar”) popularizados por empresas como a Sierra e a LucasArts.

Sanitarium, com seus luxuriantes gráficos pixelados, toneladas de diálogo e imagens estranhas e desconcertantes a cada curva é um espécime perfeitamente preservado deste estilo. O jogo já está começando a mostrar a idade, mas os fãs de adventures não costumam se importar com isso, portanto não é um problema tão grande. O áudio tem um quê de “filme B de drive-in” que é altamente divertido.

Uma opção mais recente é Scratches: The Director's Cut, uma versão atualizada do mesmo conceito que tenta inovar com um tipo de perspectiva fixa em 3D que separa os ambientes estáticos dos ativos, produzindo infames consequências como enjôos. Apesar disso Scratches atraiu muitos fãs com seus quebra-cabeças visuais e jogabilidade no estilo de Myst.

Mas a jóia da coroa pertence a The Walking Dead, a obra prima da Telltale Games que mais parece uma Graphic Novel, com um impacto emocional que é uma ordem de magnitude superior a qualquer coisa por aqui. Todos os momentos cruciais lhe apresentam escolhas que devem ser feitas, frequentemente com resultados ambíguos e grande impacto. O diálogo geralmente exige respostas rápidas, e os momentos em que você tem tempo para pensar em uma resposta irão fazê-lo se levantar da cadeira e dar voltas pela sala enquanto analisa as opções. O combate é simplista e raro, e vale a pena conhecer o jogo mesmo que horror não seja seu estilo favorito.

O caminho não trilhado

Se o verdadeiro objetivo de um jogo de horror é assustar os jogadores e fazê-los questionar seu senso da realidade há um caminho final, há muito abandonado por todos os desenvolvedores sãos, que tem o maior potencial para o verdadeiro terror. Em 2001 a Electronic Arts lançou um jogo chamado Majestic que redefinia os limites entre a fantasia e a realidade. Dividido em episódios e jogado em tempo real o jogo usava chamadas telefônicas, misteriosas mensagens via FAX, correio de voz, e-mail, vídeo e sites previamente preparados para contar uma história de conspiração e intriga. Apesar de vencer prêmios por inovação, o jogo foi encerrado prematuramente, levando consigo para o túmulo esta nova abordagem.

Imagine por um momento um jogo de horror que leva o formato do Majestic ao próximo nível. Um app que rastreia os movimentos do jogador usando o GPS do smartphone e brinca com suas fotos, sobrepondo imagens fantasmagóricas a elas. Um qu aguarde até que você esteja em uma sala escura para se ativar, ou que use efeitos sonoros não esperados. Uma história que o guie por ambientes no mundo real, onde as pistas estão escondidas na arquitetura ou em outdoors. Eu acredito que o próximo grande jogo de horror seguirá este caminho.

Enquanto isso, mantenha sua lanterna sempre ao alcance e nunca jogue com as luzes apagadas. Afinal, quem sabe o que está esperando por você na escuridão?

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