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Mozilla busca operadoras para reproduzir impacto do Firefox nos celulares

Mozilla negocia com operadoras e fabricantes para reproduzir impacto que Firefox teve nos desktops em celulares com navegador móvel.

IDG News Service/Inglaterra

29/02/2008 às 11h18

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A Mozilla está em conversas informais com operadoras de telefonia sobre uma provável versão móvel do Firefox, cuja introdução no mercado a organização espera ter tanto impacto no mercado como sua versão para desktops, em 2004.

"A missão da Mozilla é entrar em mercados fechados", afirmou Mike Schroepfer, vice-presidente de engenharia da Mozilla, durante visita a Londres no começo da semana. "Mas isto não acontecerá da noite pro dia".

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O impacto, no entanto, será sentido até o final do ano. Até lá, a Mozilla pretende divulgar uma versão móvel para dois sistemas operacionais: tanto Linux como Windows Mobile para celulares.

Neste ponto, operadoras e fabricantes "gostarão de saber quanto custará o investimento", afirmou Schroepfer. Esta é fácil, segundo ele - o software será gratuito.

Mas a introdução do navegador móvel é uma potencial ameaça a algumas operadoras. Alguns fabricantes de aparelhos controlam com rigidez o controle de aplicações e serviços, maximizando sua receita pela criação dos chamados "jardins murados", onde apenas ferramentas pagas podem ser acessadas.

Estas operadoras terão que ser convencidas para permitir que assinantes baixem e usem o Firefox móvel. "Acho que algumas operadoras basicamente lutarão contra, enquanto outras adotarão e divulgarão o software", afirmou Christian Sejersen, chefe de engenharia móvel da Mozilla.

Sejersen recentemente viajou ao Japão e Coréia para falar com operadoras e fabricantes. No Japão, as operadoras afirmaram que clientes transmitem de três a quatro vezes mais dados quando podem navegar abertamente do que quando ficam restritos aos serviços da operadora.

Isto abre a porta para uma maior receita na transmissão de dados, mas também poderiam tornar a operadoras um mero canal de acesso à internet.
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A Mozilla também está contando em operadoras que ajudam a contribuir no desenvolvimento do Firefox móvel da mesma maneira que a comunidade de software livre faz com a versão para desktops, diz ele.

A Nokia já faz isto. Versões dos tablets N800 e N810, que rodam Linux, têm um navegador que utiliza o sistema de renderização Gecko da Mozilla, usado para reproduzir páginas online. A Nokia também vem contribuindo nos códigos junto à comunidade, diz ele.

Sejersen gostaria de ver uma maior proporção de desenvolvedores contribuindo com o código no lado móvel do software. "Companhias estão mais interessadas em ter um produto próprio que possam lançar. Nós provavelmente veremos um nível maior de contribuição".

A Mozilla também alternou sua estratégia interna, fazendo do Firefox móvel um projeto de prioridade dentro da organização. Cinco engenheiros vêm trabalhando diariamente no centro de desenvolvimento do navegador na Dinamarca, enquanto a Mozilla está atrás de mais profissionais.

Copenhague, a capital da Dinamarca, foi escolhida como centro de desenvolvimento pela forte experiência que o mercado europeu tem em produtos móveis, afirma.

A Mozilla também está vendo sinais positivos dos fabricantes. A Samsung enviou sugestões para a interface para usuário. A Mozilla também está trabalhando com as empresas ARM e Intel para fazer o navegador rodar bem em seus chips, afirmou Schroepfer. O Firefox móvel deverá rodar em chips ARM 11, segundo ele.

A organização vem sendo criticada por ter se atrasado no mercado de navegadores móveis. Competidores como Opera, Apple, Nokia e Microsoft já oferecem soluções para celulares, mas Sejersen minimiza as críticas afirmando que o mercado móvel ainda tem um longo caminho a ser percorrido.

A Apple definiu um nível alto de qualidade com seu navegador Safari no iPhone e no iPod Touch, com sua função de zoom que aproxima páginas. Mas Sejersen afirmou que seria melhor se o browser lembrasse onde o usuário deu zoom pela última vez para que não precisasse ficar incessantemente mexendo os dedos.

A Mozilla ainda não desenvolveu uma solução para o problema, mas afirma que ainda exite bastante espaço para inovação.

"Alguém precisa vir de um lado e dar um chute em todos", provoca. "Acho que o iPhone faz isto, mas também acho que existe muito mais a ser feito".

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