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Mozilla e Telefônica anunciam parceria para celulares ‘abertos’ integrados à web

Empresas prometem lançar aparelhos com sistema que roda apps escritas em HTML5 e serão mais baratos, porém com recursos de smartphones.

Renato Rodrigues, do IDG Now!

19/04/2012 às 13h22

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A Mozilla e a Telefônia anunciaram nesta quinta (19) o lançamento da plataforma Open Web Device, para o desenvolvimento de celulares "abertos", baseados no padrão HTML5. O obejtivo é facilitar a criação de aparelhos com o sistema operacional Boot to Gecko, da Mozilla - tecnologia que integra o HTML5 diretamente ao hardware. Isso permite o uso de funções web avançadas mesmo em aparelhos mais simples e baratos, diz a Mozilla.

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De acordo com a empresas, celulares com essa tecnologia devem chegar até o começo de 2013, e o primeiro País a recebê-los será o Brasil. "Com preços na faixa dos feature phones (intermediários) de hoje", disse Pablo Larrieux, diretor do centro de inovação da Telefônica | Vivo. A Telefônica já criou um protótipo de um telefone BtG.

Em um celular BtG, apps em HTML5 podem desempenhar funções avançadas. Assim, recursos como chamadas, mensagens, busca, games etc rodam dentro do mesmo "engine" do navegador Mozilla Firefox. É algo bem semelhante ao Chrome OS, do Google, no mundo desktop. A ideia central é o surgimento de dispositivos de "web aberta", celulares em que tudo é uma aplicação móvel, que roda em qualquer telefone compatível. Isso vai contra a tendência atual, de aplicativos que funcionam apenas em um sistema ou outro.

"O objetivo da Mozilla é incentivar a adoção do HTML5 em toda a indústria. Pela primeira vez, os recursos desse padrão e da internet aberta foram usados para a criação de uma plataforma móvel totalmente nova", disse Gary Kovacs, CEO da Mozilla.

De acordo com ele, a Mozilla irá submeter a plataforma ao World Wide Web Consortium (W3C), consórcio que define padrões internacionais para o desenvolvimento na internet. Essas diretrizes impedem a existência de interfaces de programação (APIs) proprietárias na Open Web Device.

Expansão acelerada

As empresas apostam na expansão acelerada da web móvel. Em 2014, o número de pessoas que acessam a web via aparelho celular irá superar o de acessos por desktops.

Enquanto a Mozilla mira o modelo de sistemas fechados, para as operadoras, a vantagem é poder personalizar "profundamente" a interface, de certa forma retomando um controle que está saindo das mãos delas devido aos SOs proprietários. Além disso, a penetração de smartphones poderosos ainda é baixa na América Latina.

No entanto, Kovacs diz que o ponto é devolver o controle da web móvel ao usuário e ao desenvolvedor, não deixá-lo nas mãos das grandes companhias, sejam Google e Microsoft ou as operadoras. "Hoje você precisa escolher um pacote pronto, e isso tem deixado as pessoas muito frustradas", argumenta.

Pacote fechado

O VP da Mozilla criticou o atual modelo de apps, por "não oferecer o mesmo espírito de internet aberta que a web", devido à falta de padrões abertos e ao controle pelas app stores. "É a volta dos 'jardins cercados'", disse o executivo, disparando contra as plataformas proprietárias - iOS, Windows Phone, Android.

A indústria está obrigando você a decidir onde quer viver sua vida online - no Google, na Apple ou na Microsoft. "Mas é impossível que uma só companhia satisfaça os desejos de todas as pessoas", aponta.

"Não acredito que vamos brigar com as grandes plataformas, mas acredito que, no fim, irá acontecer o que Steve Jobs previu: a web irá vencer", disse. "Vejo mais como uma evolução (rumo ao HTML5) do que como uma luta", afirma.

Para ele, ainda há tempo para vencer essa guerra contra os sistemas proprietários. "A adoção da internet móvel ainda é baixa, o jogo está longe de ser definido".

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