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Negociação salarial: como tratar o assunto durante a crise

Consultores apontam que o aumento precisa ser abordado após análises concretas de mercado e da situação de cada empresa

Por Meridith Levinson, da CIO / EUA

18/12/2008 às 15h47

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A negociação do salário, de forma geral, é uma tarefa difícil para qualquer profissional. Contudo, em períodos de crise, nos quais as empresas estão economizando cada centavo, entrar na sala do chefe para pedir um aumento pode soar como uma falta de sensibilidade por parte do funcionário.

“Você está louco? Não lê o jornal? Não assiste TV? Não percebe o que está acontecendo?”, afirma Joe Kilmartin, diretor da consultoria Salary.com – consultoria na área de gestão de recursos humanos –, ao exemplificar a reação da maior parte dos gestores a um pedido de aumento do salário. “O perigo é você – ao fazer esse tipo de solicitação – virar um alvo. Ou seja, se o diretor financeiro ou mesmo o dono da empresa criam uma lista de quem eles podem dispensar, seu nome pode aparecer nela”, ressalta o especialista.

A opinião de Kilmartin, no entanto, não é uma unanimidade. Para Jeremy Sisemore, da consultoria SearchPath International, que também atua com apoio a RH,  não existe problema em pedir um aumento de salário, mesmo que em momentos de turbulência econômica. Muito menos, defende ele, deve ser uma desculpa para o profissional ser punido. “Se não pedir, você não tem”, brinca, acrescentando: “Ninguém vai ser prejudicado por perguntar”.

Antes, no entanto, de invadir a sala do seu chefe para pleitear um aumento de salário, qualquer profissional precisa ter bastante claro qual o seu valor de mercado – baseado em seus conhecimentos, experiência e desenvolvimento. Para tanto, deve-se também consultar a média salarial para sua função, por meio de sites especializados, conversando com empresas de recrutamento ou, até mesmo, falando com amigos.

“Se você descobrir que seu conhecimento está acima da média ou seu salário está abaixo do valor praticado no mercado, talvez seja o momento de apostar no aumento”, aconselha Sisemore. Ainda segundo ele, no caso de sua remuneração já estar acima de outros profissionais em posição similar, uma saída pode ser avaliar uma possível promoção dentro da empresa, ou, pelo menos, considerar o quão difícil seria para sua organização promovê-lo, com base em seus conhecimentos e o valor que você traz para o negócio.

Kilmartin aponta que, no caso de profissionais com conhecimentos bastante especializados – como, por exemplo, se a pessoa atua como o responsável pelos sistemas de missão crítica –, as empresas têm noção da importância desse funcionário e vão estar mais dispostas a negociar aumentos salariais.

E, melhor do que isso, se o profissional consegue especificar quanto o trabalho dele representou para o atingimento de resultados da companhia, está em uma posição melhor ainda para solicitar a revisão do salário, sinaliza o consultor da Search Path.

Cenário de negócios
Um outro fator crítico a ser considerado quando o funcionário está decidindo se o momento é adequado, ou não, para pedir a revisão salarial diz respeito à como sua organização está sendo afetada pela crise internacional.

Para Al Lee, diretor da Payscale.com, se a companhia estiver sendo duramente prejudicada pelo cenário de crise, o ideal é que os profissionais posterguem essa revisão de salário, mesmo que eles tenham noção de que o valor está defasado e que seus resultados justificam um aumento. Ainda segundo ele, vale a pena congelar a solicitação até que a turbulência econômica passe e a companhia volte a ter resultados positivos.

Lee reforça que se, mesmo assim, o funcionário estiver disposto a negociar uma melhor remuneração, precisa ter o máximo de subsídios. Para tanto, deve apresentar ao chefe dados que confirmem como seu salário está defasado. Por outro lado, o consultor aponta que o profissional não pode, de forma alguma, usar fatores subjetivos na discussão.

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