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Netbooks poderão ser, em breve, peça de museu

Aparelhos merecerão apenas uma nota de rodapé na história da tecnologia, por terem servido como passagem entre a era dos PCs e a dos tablets.

Computerworld/US

15/06/2011 às 19h15

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Ele era um dos produtos eletrônicos mais comercializados ao final de 2007 e por todo o ano seguinte. Em uma época em que as lojas tinham dificuldade em vender desktops, esses aparelhinhos estavam entre os mais populares em sites como a Amazon e a Best Buy. A Sony, no começo, desprezou a categoria, mas, observando o sucesso da Asus e da Acer, não demorou muito para se render.

No entanto, a Apple se manteve impassível, apesar dos avisos de analistas quanto ao imenso mercado que estava ignorando. Bem, no final das contas, parece que a companhia de Steve Jobs acertou, enquanto que os especialistas, tão certos de suas previsões, erraram.

Se você ainda não adivinhou, serei claro: estou falando dos netbooks. Um efêmero fenômeno, durou um par de anos, e daqui a algum tempo o veremos como uma nota de rodapé na história, um acidente de percurso, um pequeno intervalo entre a era dos PC's e dos tablets - notadamente o iPad.

Custo-benefício
É difícil até mesmo definir o que os netbooks se propunham a fazer. Eram tratados como uma nova categoria de produtos, mas não eram uma de fato. Na verdade, eram simplesmente notebooks que surgiram a partir da pergunta: “O que podemos vender por um valor entre 300 e 500 dólares?” Foi uma mudança de rumo, já que, antes, os fabricantes tentavam incluir nos notebooks tudo o que o usuário poderia querer; passaram a tirar tudo o que, talvez, ele não precisasse – era simplesmente uma questão de custo-benefício. 

Mas, afinal, por que os netbooks fizeram sucesso? Bem, podemos chamá-los de uma tempestade em meio à tecnologia. No final de 2007, os primeiros surgiram com tela de 7 polegadas, pequenos teclados, 4GB de armazenamento e 512MB de memória. Rodavam Linux, já que o Windows encareceria o custo final e a Microsoft não estava disposta a retornar ao XP – o Vista era muito pesado para ser acomodado. Se o preço era sua principal preocupação na hora de comprar um novo dispositivo, o netbook era uma boa escolha; caso contrário, alternativas bem vindas.

Em 2008, porém, os netbooks ficaram melhores. As telas cresceram, assim como os teclados, e vinham com Windows XP – o que facilitava a vida de muita gente que não estava disposta a aprender a usar outro sistema. O processador desenvolvido pela Intel – o Atom – ajudava a manter o custo baixo e a autonomia de bateria, alta. Ficaram, sem dúvida, mais potentes, e a recessão econômica mundial os tornou ainda mais atraentes. Suas vendas decolaram.

Eis o iPad
Os usuários, no entanto, começaram a perceber que estavam adquirindo dispositivos com pouco poder de processamento que pareciam com seus irmãos maiores, mas não funcionavam tão bem quanto eles. Por sinal, se a popularidade dos pequenos aumentava, as taxas de insatisfação não ficavam atrás: dentre todos os eletrônicos, os netbboks eram os que tinham um dos maiores índices de devolução, porque os clientes compravam pensando uma coisa, mas recebiam outra.

Por muito tempo a experiência móvel do usuário se limitou a dois dispositivos. O notebook e o smarthphone davam conta do trabalho. Há o netbook chegou para ficar entre os dois, porém, não era capaz de substituir minimamente nem um, nem outro – e ninguém estava disposto a levar na mala um note e um net. Eis que, cheio de incertezas, o iPad, da Apple, é anunciado.

Depois de anos de aparelhos meia-boca, a companhia de Steve Jobs conseguiu convencer o mercado de que havia espaço para uma linha de produtos que ficava entre o PC e o smartphone. Em pouco tempo, os tablets mostraram a que vieram, tornando-se aquilo que os netbooks tentaram ser. O resultado: crescimento acelerado nas vendas e usuário incorporando-os a seus hábitos digitais, ao lado de celulares e computadores.

A um preço final similar – pelo menos nos Estados Unidos – os tablets surgiram e foram adotados pelos usuários como um dispositivo apto a criar e consumir conteúdo. Têm mais capacidades que um smartphone, e menos peso e custo de manutenção que os notebooks. Demorou muito para que uma nova categoria de produtos surgisse e, agora que emergiu, não há mais volta.

Os netbooks, em breve, serão peças de museu.

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