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Nova memória em escala atômica armazena 500 vezes mais do que HDs atuais

Pesquisadores desenvolveram técnica onde cada bit é representado por um único átomo

Lucas Mearian, Computerworld (EUA)

18/07/2016 às 18h59

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Pesquisadores holandeses descobriram um método de armazenamento de bits em escala atômica em superfície de cobre com densidade de 500 Terabits por polegada quadrada, o que significa uma capacidade 500 vezes maior do que o melhor HD atualmente disponível no mercado.

“Na teoria, essa densidade de armazenamento poderia permitir que todos os livros já escritos sejam armazenados em um único selo”, explica o cientista líder do projeto, Sander Otte, em comunicado. 

A pesquisa publicada hoje na Nature Nanotechnology detalha como cientistas conseguiram construir uma unidade de memória de 1-kilobyte (8,000-bit) onde cada bit era representado pela posição de um único átomo de cloro em uma superfície de cobre. Pesquisadores têm experimentado técnicas de armazenamento de tamanho atômico e molecular desde os anos 1990. Mais recentemente, a Microsoft e a Universidade de Washington afirmaram ter quebrado um recorde mundial ao armazenar 200 MB de dados em filamentos sintéticos de DNA.

Os cientistas holandeses do Instituto de Nanociência Kavli da Universidade Delft disseram que conseguiram criar o armazenamento de dados ao pressionar bits em cobre com um microscópio de varredura por tunelamento, onde uma agulha examina os átomos de uma superfície, um por um. A técnica permite não só ver os átomos no cobre, mas também “empurrá-los” para reescrever os bits de dados. 

“Você poderia compará-los com um quebra-cabeça deslizante”, disse Otte. “Cada bit consiste em duas posições na superfície de átomos de cobre, e um átomo de cloro que podemos deslizar para frente e para trás nessas duas posições”, completou. “Se o átomo de cloro estiver na posição de cima, há um buraco embaixo dele – nós chamamos isso de um 1. Se o buraco estiver na posição de cima e o átomo de cloro estiver então embaixo, então o bit é um 0”.  

Os pesquisadores organizaram a memória em blocos de 8 bytes (64 bits) e deram a cada bloco um marcador feito com o mesmo tipo de buracos. Dessa forma, os dados podem ser facilmente localizados e lidos.  

Os pesquisadores disseram que a descoberta foi inspirada pelos códigos de barra pixelados, os QR codes. Esses marcadores atuam como uma miniatura de códigos QR que carregam informação sobre a localização precisa de um bloco na camada de cobre”, diz. 

O código também indicará se um bloco estiver danificado, por exemplo, devido a um erro de superfície. Isso permite que o armazenamento médio seja escalado facilmente a “tamanhos grandes”, até mesmo quando a superfície de cobre não esteja inteiramente perfeita. 

 Mas há um porém, entretanto. A memória apenas funciona em temperaturas atingidas através do nitrogênio líquido ou -321 graus Celsius. Otte diz, no entanto, que agora a equipe de cientistas descobriu um método usando cloro e cobre e que buscará por outros usando materiais que possam armazenar bits em temperatura ambiente. 

“O novo sistema ainda exige trabalho considerável antes de estar pronto para o horário nobre, mas é uma importante prova de conceito que estabelece a base para desenvolvimento de dispositivos de armazenamento de dados em escala atômica”, escreveu Otte. 

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