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Novo CEO da Intel cria divisão focada em “Novos Dispositivos”

Empresa pode estar se preparando para intensificar as pesquisas em dispositivos muito além dos smartphones, e tendências como a “Internet das Coisas”

Brad Chacos, PCWorld EUA

22/05/2013 às 17h08

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Não demorou muito: apenas cinco dias após assumir o posto o novo CEO da Intel, Brian Krzanich, já está promovendo mudanças na organização.

Krzanich reorganizou grupos de negócio chave e criou uma divisão “New Devices” (Novos Dispositivos) para focar em tendências emergentes, incluindo dispositivos de “ultramobilidade”, diz o AllThingsD. Mike Bell, que anteriormente era co-diretor da divisão de mobilidade na Intel, mais notavelmente durante os esforços para levar a arquitetura x86 para dispositivos Android, assumirá a liderança da nova divisão.

“O grupo tem a tarefa de transformar tecnologias interessantes e inovações no modelo de negócios em produtos que ajudem a criar e liderar mercados”, disse a Intel em uma declaração ao AllThingsD.

A Reuters foi a primeira a relatar as mudanças, após uma fonte anônima surgir com a informação. Chuck Mulloy, um porta-voz da Intel, confirmou que Krzanich enviou um e-mail interno detalhando as mudanças, mas não informou mais detalhes da reorganização.

Novos aparelhos?

O que exatamente cai sob a alçada da divisão New Devices? O próprio nome é ambíguo, e a curta declaração publicada no AllThingsD não esclarece muita coisa.

A explicação mais direta possível, indicada pela menção a “ultramobilidade” e “tecnologias interessantes” é que a nova divisão foi criada para alavancar a investida da Intel em aparelhos “além dos smartphones” (como o Google Glass e o Nike+ Fuelband), para impedir que a empresa seja pega desprevenida em mercados futuros, como aconteceu durante a ascensão da mobilidade. Por exemplo, os smartphones explodiram com o lançamento do iPhone em 2007, mas os processadores Atom baseados na arquitetura Silvermont, que serão lançados neste ano, serão os primeiros realmente construídos “do zero” para atingir a eficiência energética necessária em dispositivos móveis.

Histórico

Quando Krzanich foi nomeado CEO o ex-presidente de software na Intel, Renee James, também foi nomeado presidente da empresa. Na época o Wall Street Journal reportou que a dupla foi escolhida por causa de seus planos para investir em “novos dispositivos”.

“Com certeza é isso que deu a eles o emprego”, disse ao jornal o ex-chairman da Intel, Andy Bryant. “Brian e Renee apresentaram uma estratégia para a Intel que é bastante dramática”.

Em 2012 a Intel lançou uma plataforma de software projetada para gerenciar os dados fluindo de e para a chamada “Internet das Coisas”, a vasta coleção de dispositivos conectados à rede, como Smart TVs e geladeiras com apps, que estão se tornando cada vez mais presentes em nossas vidas.

No ano passado a empresa também anunciou o “China Intel Internet of Things Joint Labs”, um laboratório de pesquisas em conjunto com o governo municipal de Pequim e o Instituto de Automação da Academia Chinesa de Ciências.

Em um artigo recente (em inglês) mencionei que todos esses aparelhos conectados à “Internet das coisas” precisam de algum tipo de processador, não importa quão básico, e ninguém faz chips melhor do que a Intel. Mas os pequenos, simples e eficientes chips encontrados nestes aparelhos são uma criatura completamente diferente dos produtos tradicionais da Intel.

“Nessa Internet das Coisas, onde há processadores em praticamente tudo, de suas roupas aos seus óculos, TV e cafeteira, que chip a Intel irá oferecer? Os Atom consomem 1 Watt em um smartphone, mas na Internet das Coisas o consumo tem de ser de décimos de Watt”, disse Patrick Moorhead, fundador e analista princpal da Moor Insights and Strategy e durante muito tempo um vice-presidente na AMD. “Reduzir o processo e produzir componentes menores por si só não irá levá-lo até lá”.

A divisão New Devices pode ser a primeira tentativa da Intel de responder a esta pergunta. Quem sabe? Ela pode até misturar hardware e software em um pacote coeso para a próxima geração de produtos.

Fico pensando em uma misteriosa declaração que Chuck Molloy me deu enquanto fazia uma pesquisa para meu artigo. Eu perguntei a ele se a empresa tinha planos de atuar entre os dispositivos móveis e na Internet das Coisas.

“Ah, sem entrar em detalhes, você deve assumir que tudo é possível”, disse ele. “mas nada ainda é definitivo”.

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