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Novo iPad pode provocar caos nas redes das empresas

Para especialistas, recursos atraentes do dispositivo da Apple deverão aumentar as vendas e congestionar o acesso às redes corporativas

Computerworld (Venezuela)

23/03/2012 às 18h26

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A terceira geração do iPad, da Apple, que ostenta tela de maior resolução, câmera de alta definição 1080p e capacidade de rede 4G LTE já tem atraído as atenções dos consumidores e mesmo que não tenha chegado ao Brasil já é desejo de consumo de executivos ávidos por mobilidade. Por outro lado, ele pode causar gargalos nas redes corporativas e desafiar o trabalho de gestores de TI.

Imagine um cenário em que os proprietários de iPad, que querem evitar o download de vídeos em alta definição por meio de LTE para driblar altos custos com o consumo de dados, passem a utilizar a rede corporativa para essa tarefa. E, então, ao mesmo tempo os usuários de iPad que somente têm acesso à rede wi-fi, queiram fazer o mesmo.

O volume de downloads realizados pelo wireless em redes corporativas pode ser enorme, dizem os especialistas. Isso é especialmente verdadeiro para a filial de uma empresa onde talvez de 20 a cem profissionais compartilham a capacidade operacional a 1,544 Mbps, segundo os analistas do mercado.

De acordo com Ed O'Connell, diretor sênior de produto de otimização de WAN da Blue Coat Systems, ações como essas podem consumir tanta banda que atrasaria a transmissão de dados importantes para os negócios. “Em um escritório com cem pessoas, por exemplo, se 20% delas usarem o novo iPad estamos falando de uma enorme quantidade de tráfego de rede”, assinala. O executivo aponta que com os recursos atrativos do tablet, o equipamento poderá ter maior índice de aceitação nas companhias.

Segundo a Apple, no quatro trimestre de 2011, foram vendidas 15,4 milhões de unidades do iPad 2, mais do que a quantidade de equipamentos comercializados pelas fabricantes de PCs. Diante desses números, a eMarketer uma consultoria de análise de mercado, aponta que com a nova versão a expectativa é que, até 2013, serão mais de 54 milhões de usuários da tecnologia, contra 28 milhões em 2011.

O'Connell diz ainda que as atualizações disponibilizadas pelo iTunes, serviço de músicas digitais da Apple, podem possibilitar mais gargalos à rede corporativa. Somente em abril de 2011 foram quatro atualizações do serviço, duas delas com um tamanho de, aproximadamente, 75MB. Ele estima que o download realizado, simultaneamente, por dez ou 20 pessoas pode ser capaz de utilizar toda a capacidade da rede durante três minutos. 

O diretor sênior de produto de otimização de WAN da Blue Coat Systems afirma que outro vilão da rede corporativa são os vídeos. Hoje, cerca de 51% do tráfego da web é gerado por vídeos acessados por meio de tablets e dispositivos móveis inteligentes. “Esse cenário é realidade há muito tempo, mas agora tem mais peso porque o recurso é frequentemente utilizado para videoconferências", observa O'Connell.

Os novos recursos de vídeo do iPad 3 podem acelerar a utilização de videoconferências e vídeos. A câmera traseira, por exemplo, agora é de cinco megapixels, a do modelo anterior é de um megapixel.

As empresas já estão começando a sentir os impactos dos dispositivos móveis inteligentes e tablets na rede corporativa, aponta ele. Esse é o caso de em cliente da Blue Coat que possuí 2,5 mil profissionais. A rede wi-fi foi desenhada para suportar apenas 10% dessa quantidade e nos últimos anos os funcionários passaram a utilizar equipamentos móveis no ambiente de trabalho que precisam de conexão com a internet para possibilitar a produtividade desejada, o a obrigou a repensar a estratégia de conectividade da companhia.

Para se ter uma ideia, somente o iPhone 4S ao transmitir vídeo de alta qualidade, pode absorver 500Kbps. “Em muitos escritórios somente essa velocidade pode afogar mais da metade da largura de banda compartilhada disponível”, detalha o executivo.

"A abordagem do ‘bring your own device’ está se tornando algo emocional", comenta Steve Schick, diretor sênior de marketing corporativo da Blue Coat. "Todo mundo, em qualquer área, adora esses aparelhos para assistir vídeos ou ler documentos, já que é considerado mais agradável ou mais fácil do que em um laptop ou desktop. Por isso, é necessário repensar a estratégia corporativa para agradar ao funcionário e, ao mesmo tempo, garantir a eficiência e disponibilidade da rede”, sentencia.

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