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“Nuvem” paira sobre o lançamento do Microsoft Office 2010 e SharePoint 2010

Com lançamento de seus novos produtos, a gigante de Redmond abraça a idéia de computação em nuvem.

Joab Jackson

12/05/2010 às 15h50

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NOVA IORQUE (12/05/2010) - A Microsoft lançou novas versões de seus pacotes de software Microsoft Office e Microsoft SharePoint. O presidente da divisão de negócios da Microsoft, Stephen Elop, falou para uma platéia lotada no famoso Studio 8H da NBC na Rockfeller Plaza nº 30, em Nova Iorque, mesmo local onde o programa "Saturday Night Live" é gravado. Foi um dos muitos eventos de lançamento promovidos mundialmente pela empresa para anunciar seus novos produtos.
 
"Este é um momento de mudanças fundamentais, e há um motivo para isto", disse Elop, notando que as empresas tem orçamentos mais apertados e uma força de trabalho mais móvel. O Office 2010 e o SharePoint 2010 foram projetados para enfrentar estes desafios, disse ele. "Para a Microsoft, os produtos 2010 são uma versão épica".
 
O estúdio da NBC pareceu um local adequado, e não por causa do tempo nublado do lado de fora: assim como a gigante da comunicação de massa NBC se encontra lutando contra e tentando adotar novas formas de mídia, a Microsoft também precisa posicionair seus softwares como uma parte essencial da vida no escritório, ao mesmo tempo em que as atenções se voltam para a "novidade" da computação em nuvem (cloud computing).
 
A Microsoft planeja oferecer versões online do Office 2010, chamadas "Office Web Apps", em meados deste ano. As versões para desktop estão disponíveis para empresas a partir de hoje. Elop notou que o software pode ser executado na própria empresa ou "em nuvem", e que versões "mobile" para smartphones com sistemas operacionais Windows Mobile 6.5 e Windows Phone 7 também estarão disponíveis.
 
Estes recursos são mais que perfumaria, argumentou Elop. Eles ajudarão as empresas a economizar tempo valioso.
 
Trabalhando a pedido da Microsoft, a empresa de análise de TI Forrester estimou que uma empresa com 7 mil funcionários poderia economizar até US$ 7 milhões por ano ao adotar o Microsoft Office 2010. A economia viria dos muitos recursos que economizam tempo disponíveis no pacote, explicou Rob Koplowitz, analista principal da Forrester Research.
 
Por exemplo um dos novos recursos, co-autoria, poderia resultar em uma economia de US$ 3 milhões para uma empresa deste porte. Ele permite que múltiplas pessoas trabalhem no mesmo documento ao mesmo tempo.
 
Elop disse que o novo software vai tornar os funcionários tão mais produtivos que ele se pagará em um ano. O ganho pode ser equivalente a duas semanas extras de trabalho por funcionário por ano.
 
O Microsoft Office 2010 certamente tem um grande número de novos recursos, todos voltados a maior eficiência e produtividade. Talvez mais notável seja a reforma no cliente de e-mail Outlook, que ganhou recursos de gerenciamento mais poderosos, como a capacidade de lidar com "conversas" em vez de mensagens individuais. Ele também tem um "social connector", nome dado à habilidade de fundir dados sobre contatos locais com aqueles disponíveis em sites como o LinkedIn e Facebook. O PowerPoint agora pode ser usado para criar apresentações visíveis através da Internet. A interface Ribbon foi refinada e aplicada a todos os aplicativos.
 
O pacote também inclui, pela primeira vez, o programa da Microsoft para anotações, OneNote.
 
Neste pacote a Microsoft claramente prestou atenção na usabilidade. O Office agora tem uma função chamada "Paste Preview" que, como diz o nome, mostra ao usuário como o documento irá ficar com o item recém-colado. Ela surgiu depois que a Microsoft notou que a função mais usada após o "Colar" é "Desfazer".
 
Como plataforma de colaboração, o SharePoint 2010 foi atualizado para fornecer implantações corporativas mais robustas. A edição de sites ficou mais fácil. Dados podem ser rotulados e agregados. Um novo conjunto de ferramentas "sociais" permite que os usuários compartilhem dados como fazem no Twitter e Facebook. E o software tem melhor integração tanto com o mecanismo de busca Fast, da própria Microsoft, como com o PerformancePoint, software de "business intelligence" da empresa.
 
Elop notou que 8.6 milhões de pessoas experimentaram as versões beta do Office 2010, o que é mais de três vezes o número de usuários que experimentou as versões beta do Office 2007. A Microsoft espera que o Office 2010 chegue à marca de mais de 90 milhões de usuários corporativos.
 
Entretanto, um aspecto na apresentação que não foi discutido em detalhes foi a decisão de colocar o Office online, como um serviço hospedado pela Microsoft. Isto acontecerá ainda neste ano. A empresa espera oferecer praticamente todos os recursos de seus produtos também na versão "em nuvem".
 
Pelo menos uma empresa, a Google, está se beneficiando com a aparente demora da Microsoft em fornecer versões de seus aplicativos do Microsoft Office para computação em nuvem.
 
Nos dias anteriores ao lançamento do Office, executivos da Google falaram extensivamente com membros da imprensa sobre sua oferta de aplicativos de escritório online, o Google Docs, e sobre como a Microsoft está atrás do Google nesta categoria.
 
Mesmo que os produtos oferecidos pela Google não tenham a riqueza de recursos do Microsoft Office - admite Jonathan Rochelle, gerente de produto da Google - a vantagem de usar software em nuvem vem com seus próprios benefícios, como atualizações mais rápidas, mais integração e melhor colaboração, argumenta a empresa.
 
"O Docs é na verdade um único aplicativo que se comporta como uma série de aplicativos, algo muito diferente do que o Office é", disse Rochelle, explicando que o Office é um conjunto de aplicativos, cada um rico em recursos, mas que não foram realmente projetados para trabalhar em conjunto.
 
Rochelle disse que o Google Docs oferece muitos dos recursos que o Office 2010 oferece, como edição de documentos por múltiplas pessoas, eliminando a necessidade de atualização por parte dos usuários de versões anteriores do Office.
 
"Não queremos que os consumidores pensem que tem que ir para o Office 2010. Eles já podem usar o Google Docs para colaboração", disse Rochelle. Da mesma forma o Google Sites pode ser usado como uma alternativa de baixo custo e fácil implantação para o SharePoint, afirma o executivo.
 
O Microsoft Office ainda detém a maior parte do mercado de software de produtividade. Uma pesquisa de julho de 2009 feita pela empresa de pesquisa IDC descobriu que cerca de 97% dos que responderam dizem que pelo menos uma versão do Microsoft Office é usada em suas empresas. Mas a Google vem ganhando terreno: a mesma pesquisa descobriu que 19.5% dos que responderam trabalhavam em empresas que usam o Google Docs de alguma forma, um crescimento em relação aos 5.8% do ano anterior.

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