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O Linux para desktop morreu? Não é bem assim…

Usar dados inconsistentes para tentar anunciar a morte do Linux não faz sentido. É marketing e nada mais.

PC World/EUA

20/10/2010 às 12h18

Foto:

(este artigo é o contraponto da PC World dos EUA ao texto de Robert Strohmeyer, que causou enorme polêmica na comunidade de software livre)

Dada a comemoração que cerca as informações da Microsoft e
de outras empresas do mesmo tipo sobre a participação de seus sistemas operacionais
no mercado, as declarações acerca da morte do desktop Linux fazem sentido.

Afinal de contas, relatórios de mercado vêm, há meses, mostrando
a participação do Linux estagnada na casa dos 1%. Em setembro, aliás, esse
número caiu para 0,85%, segundo um estudo conduzido pela Net Applications.

O problema desse tipo de estudo é que eles não servem de
base para mensurar o desempenho de softwares livres. Os números apresentados se
servem, normalmente, de informações sobre as vendas e seguem uma fórmula
absolutamente rudimentar. X cópias do Windows vendidas por mês equivalem a Y%
de participação no mercado, e ponto.

Mas, pense bem, de que forma as distribuições Linux são
adquiridas? A não ser nos casos, para lá de raros, em que junto do software,
segue uma assinatura de suporte (pago), o Linux é baixado sem qualquer custo.

Sim, existem sites como o DistroWatch, que mantém um
histórico de distribuições Linux baixadas e são capazes de providenciar dados
concretos e relevantes sobre a adesão de usuários a determinadas distribuições,
mesmo que em baixa escala. Também há um monitoramento – bastante recente – do número
de Ubuntu Linux que vêm sendo entregues em equipamentos OEM (preinstalados em
equipamentos novos).

Mas, analisando de forma sóbria, é praticamente impossível
determinar quantos sistemas Linux são usados em desktops ao redor do mundo. Nem
o monitoramento dos downloads é capaz de prover essa informação em função da
fácil e legal distribuição livre de cópias do sistema. O que se coloca à frente
é um desafio que precisa ser encarado.

Então. Será verdade que o Linux para desktops “já era”? Acho
que não. Eis o porquê:

1. Mais de um terço das empresas usam

O dado mais concreto que pode ser obtido do levantamento
realizado semana passada pela Linux Foundation, é que o Linux está erradicando
o Windows
das máquinas servidoras. E a previsão para os próximos anos é ruim
para a Microsoft. Os servidores são, assim por dizer, o ambiente perfeito para
o sistema do pingüim, então o sucesso do Linux nos servidores não é nada novo.

O que deveria ser comemorado em alto e bom tom – e não se sabe
por que isso não aconteceu – foi o crescimento do uso de sistemas Linux nas
estações de trabalho corporativas. De acordo com esses dados, 36% das grandes
empresas rodam uma distribuição Linux e outros 12% avaliam a possibilidade de
migrar para o software livre.

Quer saber? Na minha opinião, isso não reflete a realidade
de um sistema “morto”, estou enganada?

2. Consumidores

Importante ressaltar que os números da Net Applications
(0,85%) não são a única fonte de informações disponíveis no mercado. São apenas
os mais divulgados.

A W3Counter, por exemplo, dá conta de 1,5% de participação
do sistema em setembro. É um pouco mais que o divulgado pela Net Applications,
mas já é alguma coisa. No relatório da Wikimedia, referente ao inverno deste
ano, o Linux salta para 1,9% de share e, na mais positiva das avaliações,
publicada pela O´Reilly Media, um em cada dez PCs estão munidos com o Linux.

É certo que, atualmente, não é possível determinar quantos
usuários de Linux existem e traçar conclusões com base nessas informações é
igual realizar um censo apenas contando as pessoas que andam na rua e ignorar
quem está em casa.

3. O fator Ubuntu

Como se os argumentos acima não estivesse evidente que o
Linux não está morto, é preciso falar na distribuição mais simpática ao usuário
dos últimos tempos: o Ubuntu. Eu confesso que jamais vi tamanha excitação em
torno de uma distribuição como a que cercou o Maverick Meerkat, versão 10.10 do
Ubuntu
.

Mas nem isso pode ser apreciado com o surpresa, dado o fato
do Ubuntu ser a marca mais poderosa do universo Linux. Os números da
DistroWatch confirmam esse sucesso. O 10.10 é, sem sombra de dúvida, a versão
mais prazerosa de usar entre todas do Ubuntu. Com recursos de suporte ao multi
touch na distribuição voltada ao pacote para netbooks, o Marverick Meerkat dá
um show digno de assistir. O departamento de pesquisa e de desenvolvimento da
Canonical, responsável pelo Ubuntu, dá sinais de não parar por aí.

Com o Ubuntu, vários fantasmas que rondaram o sistema
operacional Linux no passado desaparecem. É o caso dos drivers de dispositivos.
Segundo o grupo de usuário Linux de Sydney, na Austrália, o Ubuntu tem
conseguido reanimar uma parcela de ex-usuários do sistema Linux e também tem
sucesso ao conquistar uma base de usuários cada vez mais larga, incluindo
escolas e agências governamentais.

Eu não quero dizer que de agora em diante o futuro do Linux
será nada além de flores e que os desafios desapareceram. Um dos fatores que
mantém a Microsoft na liderança é a inércia promovida, em minha opinião, pela
Redmond. Outro fator que atrapalha a disseminação do Linux é a fragmentação
existente na gestão das estratégias corporativas. Essa veia de marketing é o
mais forte motivo da Apple ser a potência que é.

Cabe, ainda, perguntar qual é a relevância de sistemas
desktop no futuro. A chegada da computação fortemente baseada na nuvem pode
minar a importância desses sistemas.

Então, afirmar que o Linux está morto e velar sua alma como
se o sistema fosse coisa do passado é uma das atitudes precipitada.
Mais de um terço das empresas o usam e ele está nos discos rígidos e pendrives
de mais computadores domésticos que se pode imaginar. Em parte graças ao
Ubuntu. Na perspectiva corporativa a ausência de licenças e a robustez do
sistema também o fortalecem.

O marketing pode ajudar a manter a dominância do Windows por mais algum tempo, mas propaganda tem efeitos limitados, ainda mais em tempos de
corte de custos em que não se pode abrir mão de produtividade. Não vai demorar
e o Linux assumir a merecida posição de alternativa atraente para todos os
fins.

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