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O monitor convencional está morto. Conheça os monitores inteligentes

Nova geração de telas tem processadores, conexão a internet e sistema operacional próprios, e pode até substituir um PC desktop em algumas tarefas.

Mark Hachman, PCWorld EUA

30/08/2013 às 16h57

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Nos preocupamos demais com a possibilidade do PC Desktop se tornar uma relíquia do passado. Em vez disso nosso foco deveria ser no monitor que está conectado a ele. De fato, à medida em que usamos mais e mais dispositivos móveis com telas integradas - notebooks, tablets e smartphones - prestamos muito menos atenção aos velhos, e “burros”, monitores sobre nossas mesas.

Mas os fabricantes de monitores estão cientes disso, e preparando um contra-ataque. Conheça o monitor do futuro: ele é inteligente, conectado e, em alguns casos, portátil. Dentro dele não há apenas um painel LCD, um sistema de iluminação e alguns circuitos para fazer tudo funcionar. Em vez disso eles estão se parecendo cada vez mais com os tablets, com um processador, telas sensíveis ao toque, armazenamento interno e um sistema operacional completo como o Android.

Posso ouvir vocês perguntando: “Espera aí! Qual a diferença entre um monitor inteligente (Smart Monitor) e um PC All-In-One? Ou entre um monitor portátil e um tablet?”. Bem, hoje em dia não muita. Mas à medida em que os componentes ficam menores e mais modulares, fabricantes de todos os tipos, incluindo os fabricantes de monitores, ganham a flexibilidade para experimentar novos conceitos.

E o que tudo isso significa para você? Com o tempo, os fabricantes esperam que os monitores inteligentes substituam o tradicional PC desktop da família. Sozinho, um deles poderá servir como um ambiente de computação casual, e barato, para navegação na web e jogos simples. Mas conectado a um notebook ou tablet, o monitor se torna “burro” ao toque de um botão, permitindo que o processador e sistema de seu gadget assumam o comando.

E ao longo do tempo, à medida em que processadores embarcados se tornam mais baratos e mais comuns, os monitores inteligentes irão simplesmente varrer os velhos monitores “burros” para a sarjeta.

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O BenQ CT2200 pode ser usado como quadro de mensagens pela família

Ao menos é esta a idéia. Rhoda Alexander, uma analista veterana do mercado de monitores na ISF iSuppli, chama a categoria de monitores inteligentes de “experimental” e “indefinida”, à medida em que ela oscila entre tablets e sistemas All-In-One. Ainda assim, segundo ela, desenvolver um monitor inteligente é uma evolução natural no mercado de monitores.

“Em vez de se sentar e esperar para ver o que vai acontecer no mercado de monitores, os fabricantes estão tentando aumentar sua participação para se tornar mais competitivos”, explica ela. “Eles irão tentar várias abordagens nesse mercado”, assim como fizeram os fabricantes de tablets, diz.

“Esta é a grande lição do mercado de tablets”, continua Alexander. “Se você criar um cenário de uso atraente, o produto vende como água. Se não fizer isso, irá acumular poeira nas prateleiras”.

E atualmente é exatamente isto que está acontecendo com o mercado de monitores LCD para desktops, com um declínio constante ano a ano, medido pela NPD DisplaySearch. E um mercado em queda significa preços em queda, o que é ótimo para os consumidores, mas um problema para os fabricantes, que estão vendo seus lucros desaparecer.

Mais ou menos um ano atrás, alguns fabricantes de monitores tomaram o que consideram uma decisão óbvia: seguir o caminho aberto pelas TVs conectadas, que estão recheadas com apps, serviços de streaming de conteúdo e um navegador. A empresa de consultoria Deloitte prevê que dezenas de milhares de TVs conectadas serão vendidas em todo o mundo em 2013, e que a base instalada de aparelhos com conectividade integrada irá exceder os 100 milhões. No Reino Unido, 20% das TVs vendidas no primeiro trimestre de 2012 tinha conexão à Internet, de acordo com um relatório publicado pela agência reguladora Ofcom no ano passado. Ao longo do tempo, segundo a Deloitte, será difícil encontrar uma TV de alta-definição sem conectividade.

A primeira geração e seus problemas

Em setembro passado a Viewsonic lançou o VSD220, um monitor LCD de 22 polegadas com resolução de 1920 x 1080 pixels que é vendido nos EUA por US$ 362, quase o dobro do preço de um concorrente como o ASUS VS228H-P, um monitor LCD “burro” de 22 polegadas com tamanho e resolução similares. Mas por dentro o modelo da Viewsonic tem um processador OMAP da Texas Instruments, Bluetooth, Wi-Fi, Ethernet, três portas USB e uma tela sensível ao toque, além de rodar o Android 4.0. Assim como uma TV é capaz de alternar entre diferentes fontes de sinal, o VSD220 pode alternar entre o Android ou uma conexão HDMI a um PC com Windows com o toque de um botão.

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Um VSD220 na cozinha, espaço atualmente dominado pelo iPad e outros tablets

“A idéia por trás do VSD220 começou com uma mudança no comportamento dos nossos consumidores e a migração dos PCs para os smartphones e os tablets”, diz Kenneth Mau, um gerente de marketing de produto na Viewsonic que complementa que “milhares” de monitores VSD220 foram vendidos até hoje. “O comportamento dos consumidores mudou de ‘computar’ para ‘consumir’”. 

Entretanto, isto não significa que a transição foi tranquila. Inicialmente o VSD220 era incompatível com a loja Google Play, o que significa que apps como o Netflix tinham de ser baixados de alternativas como a loja da Amazon, o que era um inconveniente. Alguns apps populares não rodavam ou insistiam em rodar em modo retrato, com a imagem rotacionada em 90 graus. Alguns apps tinham uma aparência estranha, outros eram simplesmente incompatíveis. TVs conectadas, com um número limitado de apps para streaming de vídeo otimizadas para telas grandes, não sofreram dos mesmos problemas. 

“Nem os usuários nem os desenvolvedores de apps Android estão acostumados a rodar o sistema em uma tela de 22 polegadas”, nota Mau.

Dito isto, a Viewsonic planeja expandir sua linha de monitores inteligentes com Android no final deste ano com dois modelos. O VSD221, um sucessor do VSD220 com preço similar que traz o Android 4.3, e o VSD241, uma versão maior com tela de 24 polegadas equipada com um processador Nvidia Tegra 3, diz Mau. A Viewsonic também planeja uma versão corporativa do VSD221, com recursos de gerenciamento que incluem a possibilidade de bloquear o acesso à loja de aplicativos Google Play. Ambos os modelos serão lançados em Outubro.

A Viewsonic também está trabalhando em conjunto com desenvolvedores de apps e com o próprio Google para tornar os apps mais compatíveis com as telas maiores, diz Mau. E tanto o VSD221 quanto o VSD241 tem um sensor giroscópico, para que possam dizer a um app se ele deve funcionar no modo paisagem ou modo retrato.

Apps nativos e navegação na web. O PC da família, versão 2.0

A BenQ, uma rival da Viewsonic, encontrou duas soluções para o problema: projetar os próprios apps e enfatizar a web. A empresa tem seu próprio monitor inteligente, o CT2200, que ainda não está à venda nos EUA e tem uma tela de 22,5 polegadas com resolução de 1920 x 1080 pixels, um processador ARM Cortex-A9 dual-core, 8 GB de memória Flash, Wi-Fi 802.11 b/g/n, duas portas USB, um slot para cartões microSD, uma webcam de 1.2 MP e roda o Android 4.0.4.

Bob Wudeck, executivo na área de estratégia de mercado e desenvolvimento de negócios na BenQ, diz que a empresa está sendo forçada a repensar o conceito de um monitor, seja com produtos otimizados para jogos como Starcraft ou pesquisando formas de adicionar inteligência a uma tela tradicional.

“O modelo tradicional é uma tela que pode ser plugada a um desktop ou notebook”, diz Wudeck. “Não acreditamos que ele continuará assim. Acreditamos que no futuro você terá mais conteúdo multimídia em seu smartphone, e irá compartilhar mais conteúdo de seu smartphone do que de um computador desktop”, adiciona. “E podemos desenvolver um produto baseado nesse conceito”.

Em termos de recursos o CT2200 se parece muito com um PC tradicional. A BenQ permite que fotos sejam enviadas sem fios através da rede para a memória interna, ou armazenadas na nuvem em um serviço oferecido pela própria empresa. O app “Family Board” compartilha um calendário, mensagens e fotos, e pode mostrar feeds do Twitter e Facebook. E um dos primeiros apps “matadores” em um monitor inteligente é provavelmente a web, já que um navegador pode ocupar a tela inteira sem problemas, não importa o tamanho dela.

“Se você pensar sobre a tela e a forma como se comunica com um dispositivo móvel, é possível transformar um monitor em uma gigantesca extensão de um tablet”, diz Wudeck.

Todd Fender, um analista do mercado de telas na NPD DisplaySearch, acredita que os monitores inteligentes podem encontrar um espaço no ecossistema existente de dispositivos conectados, se os fabricantes conseguirem explicar melhor aos consumidores como eles podem ser úteis.

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Qual a diferença entre um PC All-in-One básico, como esse da HP, e um monitor inteligente?
Pra começar, o preço: ele custa cerca de US$ 100 a mais que o VSD220.

“Acredito que atualmente há pouca educação no mercado sobre o que é um verdadeiro monitor “inteligente” e o que ele pode fazer”, explica ele em um e-mail. “Fabricantes de tablets, smartphones e notebooks não estão explicando como seus aparelhos podem ser usados em conjunto com outros periféricos, como um monitor inteligente. Atualmente eles são usados separadamente, mas há vantagens em usar os produtos em conjunto. Por exemplo, os monitores inteligentes podem ter resolução e área útil maiores, então assistir Netflix via streaming em um monitor conectado ao smartphone pode ser uma experiência mais agradável”.

É razoável pensar que com o tempo os monitores inteligentes irão ganhar mais recursos, mas seus preços continuarão firmes. Fabricantes de monitores inteligentes tem uma variedade de processadores ARM à escolha, e ainda neste ano a Intel irá lançar uma nova geração de processadores Atom de codinome Bay Trail que, segundo executivos, poderá equipar tablets que custarão cerca de US$ 150. Executivos da Intel que entrevistei recentemente não parecem estar de olho nos monitores inteligentes, mas pode ser porque o mercado de tablets e notebooks conversíveis é um alvo mais atraente.

Em dois anos, o monitor sobre a sua mesa poderá ainda ser “burro”, mas provavelmente também será maior. Mau acredita que o mercado para monitores com telas grandes irá continuar a se expandir, dos 17 a 19 polegadas atuais para monstros com 24 e 27 polegadas e resolução 4K. E vários fabricantes de monitores provavelmente irão se manter firmes nos tradicionais modelos “burros”.

Mas isso não significa que os monitores inteligentes não serão bem sucedidos. Hoje a diferença entre um tablet em um suporte, um PC all-in-one, um monitor inteligente e um tablet 2 em 1 ou conversível com tela grande não é muita. Mas ao longo do tempo estas diferenças podem desaparecer. Durante décadas a tecnologia doméstica orbitou ao redor do PC Desktop. O que os fabricantes de monitores esperam é que seus antes humildes produtos se levantem para se tornar o centro da computação pessoal.

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