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O que é verdade e o que não passa de boato sobre os planos do Google

Detalhes sobre os projetos mais interessantes, incluindo o Android, tradução e buscas com técnica de reconhecimento de face.

Computerworld/EUA

08/07/2008 às 16h15

Foto:

google_fazendo_88O Google está tão ativo que é difícil acompanhar seus passos. E assim que se faz idéia dos seus aplicativos online, inovações e projetos de pesquisa, a empresa de 167 bilhões de dólares e 19 mil empregados simplesmente inventa algo novo.

Afinal, quem pensaria que uma empresa de buscas se envolveria em um grupo de empresas que estão construindo um cabo submarino de fibra óptica entre os Estados Unidos e o Japão?

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Nem tudo funciona perfeitamente para o gigante de buscas, contudo. O analista Michael Gartenberg, da JupiterResearch, não se surpreende com as várias direções e até erros da empresa.

“O império do Google começou como um projeto de pesquisa, e está em seu DNA descobrir novidades e monetizar as descobertas”, diz Gartenberg. “Quando se tem esta fatia de mercado e o dinheiro para pesquisas, é possível manter as experimentações.”

A seguir, você lerá sobre os projetos mais interessantes do Google, incluindo novos detalhes sobre o Android, iniciativas energéticas, tradução e tecnologia de busca com reconhecimento de face.

Além disso, falamos com o Google sobre os projetos não divulgados, que surgem como boatos pela internet, para saber o que de fato acontece.
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Android
Apesar do ‘gPhone’ nunca ter se materializado, a empresa planeja algo melhor: um sistema operacional para celulares, o Android. Ele é em parte um rival para o Windows Mobile e parte um experimento open source.

Recentemente, o Google promoveu um concurso para desenvolvedores criarem aplicativos para o Android, e recebeu 1.700 inscrições.

Entre os aplicativos criados, há um localizador por GPS e outro que encontra táxis segundo a localização do usuário. Além disso, um aplicativo permite localizar os amigos e planejar encontros - as informações são, em todos os casos, capturadas em tempo real.

A plataforma será lançada apenas no segundo semestre deste ano - no Brasil, celulares com Android chegam em 2009. O diretor de produto responsável pelo Android, Erick Tseng, diz que é um grande salto passar de um celular limitando suas atividades e ter um dispositivo aberto a qualquer tipo de conteúdo e serviço.

Já Charles Covin, um analista da Forrester Research, pensa diferente. “Acho que a plataforma é um projeto a longo prazo, e estes ‘soluços’ não são uma surpresa. O Google quer alcançar os consumidores em todo lugar que puder, e está claro que, enquanto o uso da internet em celulares ainda for limitado, é o próximo local que eles esperam interagir com seus clientes”, diz.
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Busca com reconhecimento facial
A busca de imagens é um mercado ainda - lamentavelmente - pouco explorado. Atualmente, quando você digita “Paris Hilton” no Google, você encontrará imagens com tags de outros usuários. Mas se imagens do Flickr não tiverem tags, você não encontrará o que procura.

No Google, uma nova tecnologia de reconhecimento facial facilitará a busca por imagens sem tags. Diferente da tecnologia usada na biometria, esta busca de imagens simplesmente encontra a informação que você quer.

“Queremos fazer para a visão o que o Google fez para o texto”, afirmou o pesquisador do Google, Shumeet Baluja. “Queremos tornar as imagens tão acessíveis quanto o texto.”

Imagine este cenário: em cinco anos, todas as suas fotos digitais estarão armazenadas online, e você quer encontrar imagens de sua avó. Com a tecnologia do Google, será possível começar a busca com o ajuste da distância entre os olhos, tipo de nariz e outros dados. Em segundos, você encontrará todas as imagens online correspondentes.

Tradução
Embora as interfaces de tradutores sejam simplistas, a ferramenta tem por base regras de linguagem que precisam de alta capacidade de processamento e técnicas complexas de programação.
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“Quanto mais regras são usadas, maior a qualidade da tradução”, diz o pesquisador de traduções do Google, Franz Och. O finlandês, por exemplo, é desafiador graças à morfologia - uma palavra pode ter vários significados. “Além disso, alguns idiomas são mais complicados por conta da diferença entre um idioma e outro”, explica.

Och observa que as línguas com raízes e similaridades são mais fáceis de traduzir - como o francês para o inglês.

Iniciativas em energia
Bill Weihl é o rei da energia no Google, responsável por tornar a empresa um exemplo de eficiência energética. A maioria dos prédios no campus do Google possui estrutura solar, que fornece 30% da energia do local.

A empresa também oferece carros híbridos aos funcionários, que podem usá-los por períodos curtos de tempo.

“No ano passado, trabalhamos com empresas de tecnologia e outras áreas para levar eficiência energética a PCs e servidores. Começamos com a Intel e a HP, na Climate Savers Initiative. Trabalhamos também com a rede Starbucks, que fornece muito do 'combustível' que guia a indústria de tecnologia. Afinal, o problema é relacionado à demanda, não só à área”, diz.
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O Google.org é um portal de informações sobre a redução de emissões de CO2, além de promover o uso de automóveis híbridos. “É mais caro ter um PC ou servidor energeticamente eficientes, mas o custo se paga em um ou dois anos. Precisamos educar os consumidores a pensarem sobre energia em suas compras”, completa Weihl.

Busca universal
Qualquer pesquisa que você faça no Google é uma “busca universal”, onde os resultados não são apenas links de texto, mas uma mistura de sites, imagens, vídeos, posts de blog e até áudio.

A tecnologia aparece como o Google determina quais resultados mostrar - e como os apresenta. Com a busca universal, o Google continua a pesquisar algoritmos e experimentar com os resultados.

O objetivo da empresa é mostrar resultados balanceados, com base no termo de busca, se afastando dos resultados de texto, como era em maio de 2007, segundo o engenheiro de software de buscas universais do Google, David Bailey.

“Se alguém procura por Martin Luther King, pensando em texto, nós podemos mostrar resultados de vídeo relevantes. Alguém pode estar procurando de forma especulativa, mas nós oferecemos vários tipos de resultado no topo da página”, explica o engenheiro.
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Boatos
Além dos projetos confirmados já mencionados, há alguns boatos sobre novidades fantásticas. Pedimos que o Google comentasse alguns deles e confirmasse ou negasse seu envolvimento.

1. Construção de data centers em todo o mundo

Resposta oficial: Produtos rápidos e inovadores são cruciais para nossos usuários e precisam de processamento significativo dos computadores. Como resultado, o Google investe pesadamente em aparatos técnicos e possui vários equipamentos pelo mundo. Por razões competitivas, contudo, não revelamos o número ou a localização destes aparatos e computadores.

2. Compra da Expedia, da Microsoft

Resposta oficial: Sem comentários.

3. A Dell está fabricando o celular do Google
Resposta oficial: Sem comentários.

4. O Google está trabalhando com a CIA
Resposta oficial: A maioria dos produtos do Google são oferecidos gratuitamente para qualquer pessoa que acesse a internet. Também oferecemos soluções, em uma base comercial, para o mercado corporativo, organizações não-governamentais e governos de muitas nações.
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5. O Google está criando um sistema operacional para a web
Resposta oficial: Sem comentários.

6. O Google está comprando o Skype do eBay
Resposta oficial: Sem comentários.

7. O Google está comprando um espectro wireless para uma nova geração de Wi-Fi, apelidada de Wi-Fi 2.0.
Resposta oficial: “Esta afirmação reflete um erro de compreensão do caso. Nós - junto com a Microsoft, Dell, Philips e outras empresas de tecnologia - defendemos a abertura dos ‘espaços em branco’ no espectro da TV para o uso ‘sem licença’ da internet. ‘Sem licença’ significa que o espectro não iria a leilão, e estaria disponível para qualquer um que queira utilizá-lo. Atualmente, esta área é usada por estações de Wi-Fi, por exemplo. Então não é preciso dizer que o Google ‘compraria’ o espectro. Achamos que sequer haverá um leilão.”

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