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O que esperar da Campus Party Brasil 2011?

Mário Teza, diretor-geral da Campus Futura, adianta as novidades de um dos maiores encontros tech do mundo.

Rui Maciel, do IDG Now!

21/09/2010 às 19h39

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Al Gore, mobilidade, Ben Hammersley, brindes, astronomia, Iron Geek... esses e muitos outros assuntos estarão presentes na Campus Party 2011, cujas inscrições foram abertas na última segunda-feira (20/9).

E para falar das principais atrações da próxima edição de um dos maiores encontros tecnológicos do mundo, o IDG Now! conversou com Mário Teza, diretor-geral da Campus Futura, organizadora da Campus Party, que nos passou um panorama do evento. Confira!

 

IDG Now! - Como a edição brasileira da Campus Party se diferencia da de outros países?

Mário Teza: O Brasil inovou no evento em termos internacionais porque agregamos coisas que não existiam, na Espanha (Valencia, sede original da Campus Party). Ou ainda eram incipientes e precisavam de um terreno mais favorável.

Um bom exemplo disso é a Zona Expo, que no Brasil, desde a primeira edição foi aberta ao público, sendo que o normal é que este espaço fosse restrito apenas aos “campuseiros”.  Mantivemos uma interação muito forte com o público que comparecia ao evento e isso teve uma repercussão muito grande, tanto na mídia quanto comercialmente. E isso fez com que cada país repensasse sua Zona Expo.

Nós também adaptamos – com sucesso – de outras sedes da Campus Party a nossa área de blogs, e que também foi bem sucedida.  O Brasil se destaca pelos seus blogueiros, pelo conteúdo, pela diversidade e pela qualidade das páginas. E isso é reforçado pela liderança que o País possui em outras mídias sociais, como o MSN, o Orkut, agora, o Twitter. E tudo isso reflete positivamente na Campus Party.

O Batismo Digital também se destaca por aqui. Trouxemos essa iniciativa da Espanha, mas nosso diferencial é a parceria com a diocese da zona leste de São Paulo e que permite a inclusão digital de pessoas de comunidades mais humildes. Fizemos uma parceria com empresas de ônibus da zona leste, que permitiu que milhares de pessoas daquela região participassem do evento e tivessem um contato mais aprofundado com a Tecnologia.

Qual a diferença da Campus Party 2011 para as outras edições do evento?

No Batismo Digital, por exemplo, a idéia é trazer um número muito maior de pessoas através das parcerias que temos, para que elas tenham um contato maior com a Tecnologia.

Daremos também grande visibilidade às áreas de segurança e rede, que tem um potencial muito grande no Brasil. Os responsáveis por essa área é o pessoal do Cert.br, um dos melhores grupos de segurança e prevenção no mundo da segurança digital. E a conseqüência disso é que também teremos alguns dos pais da Internet brasileira e cujo os nomes estamos mantendo negociações para confirmá-los.

Daremos certa ênfase também na área de Astronomia, onde no ano passado já tivemos algumas ações, como a palestra do Marcos Figueiredo, um dos brasileiros a trabalhar atualmente na Nasa e também a concessão de bolsas, onde quatro brasileiros fizeram um estágio também na Nasa.  E esses quatro campuseiros estarão na edição 2011 da Campus Party para contar como foi esse  o trabalho deles.

E outro evento que merece destaque na edição deste ano é o Iron Geek. Trata-se de uma maratona de conhecimentos geek, focando questões de conhecimentos múltiplos e que surgiu em Valência, foi aprofundado no México e se consolidará no Brasil. Eles terão provas nas mais diversas áreas. Na Espanha, nunca houve um vencedor e no México, apenas um participante conseguiu ganhar e foi fazer um estágio no centro de pesquisas da Telefonica, em Barcelona. Aqui no Brasil nós ainda não definimos o prêmio. Mas existem grandes marcas que querem patrocinar a iniciativa.

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No campo da Tecnologia em si, quais os assuntos serão mais abordados na edição 2011?

Um tema que vai se manifestar com muita força em 2011 é a questão da mobilidade, com muitos debates sobre Cloud Computing, questões de privacidade, focando como o mercado vai  gerenciar os dados dos internautas, além da neutralidade da rede.  

Falaremos muito também sobre telefonia móvel, com muitas fabricantes fazendo lançamentos nos eventos, tanto de aparelhos, quanto de aplicativos e sistemas operacionais, além de recrutar desenvolvedores nas oficinas.

Haverá também discussões sobre a agenda digital do país e do mundo, com a participação do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), sobre a cultura digital com a participação de várias empresas e também focaremos o mercado audiovisual , destacando filmes e música, além da produção colaborativa.

Ao longo das quatro edições, que assuntos o público da Campus Party tem demonstrado maior interesse?

Meu olhar era de quem estava dentro do processo. Mas nossas pesquisas têm indicado que há uma “pizza” equilibrada de assuntos. O encontro pessoal, a quebra da barreira do virtual é o primeiro item, já que os participantes querem viver a experiência plenamente de uma Campus Party.  Para a maioria deles, a Campus é o evento mais importante do ano, eles se programam em torno dela para até mesmo passar as férias. Muitos até moram em São Paulo e poderiam ir para casa e voltar no outro dia, mas preferem pagar e dormir dentro do evento, nas suas barracas.

Outros assuntos que chamam a atenção:  o conteúdo das palestras, já que sempre trazemos gente muito qualificada do mundo da Tecnologia para debater por aqui. Em 2011, teremos, por exemplo, o Ben Hammersley, que é editor da versão britânica da revista Wired, do Reino Unido e é um dos jornalistas mais respeitados do mundo de TI.

Outro destaque que você não vai acreditar: brindes. Os campuseiros adoram brindes!  Eles não estão preocupados com o valor dos objetos, mas, sim, com o ato de receber. Aliás, as marcas poderiam dar uma atenção especial a isso. E finalmente, a banda larga que, ao contrário do que muitos pensam, não é a atração principal. Mesmo com o impacto que um número como 10 Gigas de conexão, nós nunca utilizamos o máximo da banda disponível. Em momentos top, atingimos, no máximo, 40% dela.

O que vai ser exatamente a Campus Start-up? Ela vai contar com o apoio de empresas de TI?

A idéia da Start-Up é patrocinar a inovação e o empreendedorismo.  Muitas inovações que hoje estão no mercado, começaram na Campus Party. Um bom exemplo é o Fluorinert, um liquido que não danifica os circuitos eletrônicos de um dispositivo e que foi adotado pela 3M, depois que um pesquisador da empresa descobriu o produto na Campus Party em Valência.  Um outro campuseiro de Valência, um catalão chamado Paul Garcia Millar, desenvolveu um sistema de cloud computing há uns quatro anos, quando a plataforma nem era tão conhecida como é hoje.  E a IBM descobriu este sistema do Milar e fez uma parceria com ele para entrar nesse mercado que, até então, era pouco conhecido.  

E no Brasil, também temos muitos casos de inovação. Na última edição, apresentamos 70 projetos e atraímos diversos investidores e empresas de capital de risco de outros países.

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Que assuntos serão abordados pelo ex-vice-presidente norte-americano Al Gore?

Ele vai fazer um mix de assuntos. Até pela natureza da Campus Party, temas relacionados a ecologia e sustentabilidade serão diluídos. Mostraremos uma outra face do Al Gore, a de alguém que está antenado na Tecnologia, experimentando novos modelos de negócios, como seu canal de TV baseado na rede. Abordará ainda a governança na internet, além de anunciar uma edição da Campus Party nos EUA, que vai acontecer em junho de 2011, em São Francisco.

E na sua visão, que assuntos dentro da própria Campus Party poderiam ser mais abordados e que tendem a ganhar mais atenção em 2011?

Posso destacar que teremos uma presença maior na área de customização de hardware, tanto de desktops, quanto notebooks e celulares, além de, é claro, um foco maior no overclocking. Exibiremos ainda simuladores aplicados a vida real, aos negócios existentes e aos novos negócios. E destacaremos também a área de games, com vários criadores da indústria e uma abordagem aos jogos vintage.

As empresas privadas de TI se sentem intimidadas em participar da Campus Party?

Posso dizer que ainda existem muitas empresas do setor que ainda não perceberam o valor da Campus. Nesse ano, tivemos 64 patrocinadores e esgotamos nosso espaço para divulgação. Cada vez mais, o mercado percebe que esse é um evento de referência, um evento de inovação e retorno de mídia. Mas o que elas estão mais interessadas e que nos interessa também é a inovação. A Campus é um evento que se destaca principalmente em conteúdo.

 

Inscrições já estão abertas

As inscrições para a Campus Party 2011 já estão abertas.  Serão 6,5 mil vagas cujo preço será de 130 reais, valor especial que será oferecido até o dia 20/10. Após essa data, passa a ser cobrado o valor normal, de 150 reais.

Segundo a organização do evento, até o dia 26/09 a preferência será para quem já participou de edições anteriores. Depois, qualquer interessado poderá adquirir uma entrada com desconto.

As vagas de camping também começaram a ser vendidas no dia 20/09. O preço fixo é de 20 reais.

Mais informações, no site oficial do evento.

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