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O que mudaria no mercado de smartphones se a RIM comprasse a Palm?

Com US$ 1,3 bilhão em caixa, a fabricante do BlackBerry teria condições de comprar a rival. Saiba como isso poderia mudar produtos e a concorrência no setor

InfoWorld/EUA

03/03/2010 às 21h26

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O futuro da Palm no mercado de smartphones parece incerto, mas a tecnologia poderia ser de algum valor para a Research In Motion, fabricantes dos populares smartphones BlackBerry, concorrentes diretos do iPhone, da Apple. Diante da opinião de analistas de que a Palm está condenada, resta especular sobre o que será da empresa. 

Ser adquirida pela RIM é definitivamente uma resposta à pergunta "o que será da Palm?". Há, no entanto, o delicado tema do valor de mercado da Palm - 1 bilhão de dólares -, o que representaria um bom desfalque no caixa da RIM, estimado em 1,3 bilhão de dólares.

O lado bom é que a RIM não tem dívidas, portanto há espaço para financiar a aquisição. As ações da RIM não estão tão valorizadas como de costume, mas permanecem na maioria das carteiras de tecnologia dos investidores e poderiam ajudar a financiar a compra.

Para nosso propósito, vamos assumir que a RIM feche o negócio. A questão, agora, seria "o que a RIM iria querer com a compra da Palm?".

Os 0,7% de mercado da Palm não seriam razão suficiente para a compra. A RIM poderia conseguir sozinha sua fatia de 0,7%, enquanto os usuários de Palm buscariam renovar seus smartphones com as opções da Apple e da RIM, e com aparelhos Android.

Código aberto
Uma razão para comprar a Palm seria absorver a experiência da Palm com código aberto. A RIM poderia se beneficiar de usar código aberto de forma mais efetiva em seu negócio. E a Palm poderia impulsionar tal iniciativa.

A razão mais atraente para comprar a Palm seria a própria plataforma webOS. A plataforma BlackBerry, construída com base no velho BlackBerry OS, precisa urgentemente de uma atualização. Não é tanto o caso dos usuários corporativos, muitos dos quais não poderiam trabalhar se não fossem os recursos de e-mail e mensagens nas quais o BlackBerry se destaca.

A interface do usuário e a rica interatividade das aplicações BlackBerry não são vitais para as exigências de aplicações de e-mail e mensagens. Isso deverá mudar com o tempo, à medida que mais empresas levem suas aplicações corporativas aos aparelhos móveis.

Por exemplo, o fato de que uma aplicação CRM de uma empresa seja mais utilizada em um iPhone ou Android do que no BlackBerry poderá fazer com que uma empresa decida abandonar a plataforma da RIM.

Um OS renovado poderia ter mais apelo entre consumidores jovens que têm de decidir entre um iPhone e um BlackBerry Curve. O fato de que um de seus amigos usa o BlackBerry Messenger (BBM) é razão suficiente para que ele deixe para trás os mais de 100 mil apps do iPhone?

Dar a esses consumidores uma experiência de uso mais rica e divertida poderia ajudar a mantê-los felizes diante dos amigos que usam iPhone.

Dupla vantagem
A experiência de uso poderia ser bem diferente entre um BlackBerry com webOS e um BlackBerry original. Mas isso seria apenas um marco no tempo, capaz de atrair tanto clientes corporativos como consumidores.

Para um consumidor, um BlackBerry com webOS - especialmente se os aparelhos da RIM forem lançados como complemento à linha atual da Palm - poderia oferecer uma experiência de uso muito mais atraente do que a que é oferecida hoje pela interface atual dos BlackBerry.

Para o usuário corporativo, o acréscimo de uma linha BlackBerry com webOS, acompanhada do compromisso da RIM de levar essa experiência de uso a todos os BlackBerry, poderia ser uma razão para permanecer fiel à marca até que a nova interface apareça nos produtos voltados para uso profissional.

Esperar por recursos prometidos em um produto ou plataforma na qual você já investiu tempo e dinheiro não é algo incomum no mercado de TI. Por exemplo, apesar de o navegador BlackBerry ser terrível, muitos usuários aguardam por um novo navegador baseado no WebKit, em vez de migrar para um aparelho Android ou iPhone. Os primeiros usuários do iPhone não tinham a opção de copiar e colar, por exemplo.

Há também a questão de as aplicações BlackBerry existentes rodarem ou não no webOS. Talvez uma versão enxuta do BlackBerry OS poderia rodar numa máquina virtual, quem sabe?

Certamente os engenheiros da RIM virão com alguma solução criativa.

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