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O que pode dar errado no acordo entre Nokia e Microsoft?

Em documento entregue a autoridades dos EUA, empresa finlandesa detalha os possíveis entraves ao acordo de cooperação com a Microsoft.

IDG News Service

14/03/2011 às 11h24

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Em documento entregue às autoridades dos EUA na sexta-feira (11/3), a Nokia descreve os riscos que avalia correr por força de seu acordo
de munir sua linhas de smartphones com o sistema Windows Phone 7.

De acordo com a Nokia, não são poucas as ameaças que pairam
sobre a companhia. É comum que empresas de capital aberto esclareçam
publicamente riscos envolvidos em determinadas transações aos acionistas.

A fabricante finlandesa afirma que o sistema que tirou o Symbian
de seus aparelhos e foi lançado em novembro do ano passado ainda é imaturo
demais.

Os "galhos"
“A plataforma Windows Phone 7 é muito recente, pouco testada
e desenvolvida para dispositivos de alto desempenho e a adoção do sistema por
parte dos consumidores tem sido bastante baixa se comparada aos concorrentes Android
e Apple. A promessa de conduzir a Nokia para dentro do mercado competitivo dos smartphones via Windows Phone 7 pode não se concretizar”, esclarece a empresa
no documento.

Como, para a concretização final do acordo, resta a
assinatura do contrato final, ainda restam pontos negociáveis no instrumento. Tais
negociações podem se estender por muito tempo e, finalmente, nem acontecer, o
que implicaria na dissolução do acordo, avisa a Nokia.

“A escolha da plataforma da Microsoft pode travar o acesso
da empresa recordista na venda de celulares de médio desempenho às instâncias
mais competitivas e atrasar a aceitação de seus aparelhos em meio à comunidade
de smartphones”, explicita o documento.

Nem um, nem outro
A empresa explica ainda que a demora excessiva na
assinatura do contrato com a MS pode minar a possibilidade de a Nokia adotar
outro sistema.

No mesmo ritmo, a empresa continua com as declarações sobre
o acordo: a adoção final da plataforma Windows Phone 7 como sistema principal
pode levar até dois anos para ser completada. Até lá, a Nokia deve continuar a
oferecer suporte ao Symbian com o objetivo de cativar seus clientes e – assim que
saírem os aparelhos com o sistema da Microsoft, atrair os mais de 200
milhões de consumidores do sistemas da Nokia, mais os 150 milhões de usuários
que espera conquistar ainda com o Symbian.

Abrir mercado sem perder
Outras ameaças foram apontadas pela empresa. Entre elas, a
perda de mercado em países importantes para a marca, como a China, e deixar de
conquistar mercados onde ainda engatinha, como nos EUA.

Também existe a circunstância do pagamento de royalties à MS,
o que compromete a lucratividade do atual modelo de negócios da Nokia. O Symbian,
por sua vez, é um sistema livre de royalties e não representa custo adicional à
empresa finlandesa, depois que esta adquiriu o restante da plataforma Symbian,
de quem já era dona de parte.

2011 sem lucro?
Com todas essas incertezas embutidas no acordo entre a Nokia
e a Microsoft, a empresa anunciou não fazer qualquer previsão de receita para
2011. Mesmo assim, espera um crescimento, passada a fase crítica do acordo.

A empresa não declarou o valor da contribuição financeira
que teve da Microsoft. Em fereveiro, o CEO da Nokia Stephen Elop declarou que
a Nokia receberia "bilhões de dólares" da MS pela adoção do sistema.

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