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O que pode mudar na Apple sem o comando de Steve Jobs

Diante do anúncio do afastamento do executivo por motivos de saúde, analistas falam sobre os desafios relacionados ao futuro da empresa

Macworld / EUA

18/01/2011 às 16h03

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Com outra licença médica por tempo indeterminado do CEO da Apple, Steve Jobs, os consumidores, investidores e empregados da empresa ficam novamente imaginando que implicações essa situação irá trazer às ações da companhia, à performance financeira, ao desenvolvimento de produtos e às operações comerciais.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (17/01). Jobs permanecerá como CEO e participará das decisões estratégicas mais importantes. Contudo, irá delegar as operações diárias ao diretor de operações (COO) Tim Cook, enquanto cuida de sua saúde. O que aflige Jobs e quão séria é essa condição? Quanto tempo a saída deve demorar? Esse problema é sinal de que Jobs, que completa 56 anos em fevereiro, deve interromper permanentemente seu envolvimento com a Apple?

A saúde do CEO de uma companhia pública é sempre um problema. E  é ainda maior no caso da Apple, porque Jobs é um visionário na área da tecnologia e criou e moldou a Apple, além de coordenar a empresa de maneira muito positiva, guiando-a no caminho de grande sucesso.

“Steve é mais importante para o sucesso de sua companhia do que qualquer outro CEO é para o sucesso de sua empresa”, afirma Roger Kay, presidente da Endpoint Technologies Associates. Jobs, que sobreviveu a um raro câncer no pâncreas em 2004 e a um transplante de fígado em 2009, é a chave da Apple, comentou o analista Jeff Kagan. “Sem ele no comando, não sabemos se a empresa pode continuar seu curso de sucesso”, disse Kagan. “Nesse ponto temos muitas perguntas e nenhuma delas possui uma resposta real. Tudo agora é uma território desconhecido”.

A Apple foi criticada no passado por não ser precisa a respeito da condição de saúde de Jobs, em particular por não divulgar informacões na época no período entre o transplante de fígado em 2009 até o retorno do CEO ao trabalho.

Nos próximos dias, as ações da empresa em Cupertino podem sofrer turbulências, devido a especulações, rumores e a publicações feitas pela imprensa, especialmente se os detalhes oficiais sobre os problemas de saúde permanecerem escassos. Porém as operações da companhia não devem ser afetadas de maneira significativa, pelo menos pelos próximos dois anos, afirmam os analistas.

Jack Gold, presidente da J. Gold Associates, destaca que a linha de produtos da Apple está preparada para um futuro muito próximo, com a chegada das novos  iPhones e iPads, e que, além disso, Tim Cook fez um bom trabalho durante a licença anterior de Jobs. Em adição, o CEO da Apple construiu uma fundação sólida para sua companhia. “A Apple está indo muito bem”, lembra Gold.

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Sem Jobs, Apple pode sofrer a longo prazo sem a visão estratégica e de criação de produtos do CEO

No entanto, uma ausência a longo prazo pode fazer as coisas mais desafiadoras, pela razão de que Jobs traz uma visão de estratégia de produtos e desenvolvimento tecnológico que pode ser difícil ou até impossível de ser replicado, analisou Kay. Os efeitos de uma licença prolongada podem começar a ser sentidas em dois anos. “Uma vez que eles estejam desenvolvendo uma linha de produtos e encarando desafios mais competitivos que não vivenciaram, isso cria um novo ambiente”, pontuou Kay.

O sucesso absoluto da Apple é devido em grande parte à habilidade de Jobs enxergar oportunidades onde outros não conseguem, assim como à força de sua personalidade e reputação, o que dá à Apple um peso significativo ao negociar com seus parceiros, completou. Jobs também comanda um nível de admiração e respeito entre os funcionários da empresa que permite à companhia atrair, reter e unificar granes talentos que podem escolher qualquer outro lugar para trabalharem, caso ele não esteja mais no comando, analisou Kay.

Com Jobs ao leme, a Apple abalou o mercado de PCs no fim dos anos 90 com o iMac, trouxe a música digital ao mainstream como iPod e o iTunes, revolucionou a indústria de telefonia celular  com o iPhone e, recentemente, abalou o mercado de tablets com o ipad. Durante seu exílio da Apple entre 1985e 1997, Jobs fundou a NeXT, onde as sementes do futuro do hardware e software da Apple foram plantadas, e levou a Hollywood a Pixar, que se tornou uma titã dos filmes de animação.

Na última sexta-feira, as ações da Apple alcançaram uma alta de 52 semanas seguidas, valendo 348,48. Os mercados financeiros americanos ficaram fechados devido ao feriado de Martin Luther King, sendo assim, a reação à licença médica de Jobs só será sentida após o anúncio financeiro da Apple, que acontece hoje (18/01).

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