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O smartphone substituirá o cartão de crédito?

Especialistas dizem o que precisa ser feito antes de tornar os celulares meios de pagamento de uso em larga escala.

Network World/EUA

06/08/2010 às 1h20

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Agora que as operadoras americanas AT&T e a Verizon decidiram capacitar seus smartphones para serem usados como cartões de crédito, você deve estar se perguntando: “Isso é realmente uma boa ideia?”

De fato, não é difícil imaginar um pessoa com más intenções tomando posse de seu aparelho esquecido em um restaurante e indo às compras com ele. Como, exatamente, as operadoras e fabricantes de celulares planejam tornar a operação segura o bastante para ser utilizada no mercado de massa em transações financeiras cada vez mais frequentes?

A resposta é que os consumidores terão de adotar práticas e passar a usar aplicativos tradicionalmente presentes no meio corporativo. Por mais que as transações com cartões de crédito sejam criptografadas antes de serem enviadas às redes, isso não impedirá que alguém roube seu aparelho e o use como bem entender, nem que algum arquivo malicioso invada o dispositivo a fim de obter os dados de sua conta. Em outras palavras, o smartphone terá de ser tão seguro quanto o software usado pelas companhias de cartões.

“A segurança de uma transação será tão boa quanto a segurança do dispositivo”, afirmou Dan Hoffman, CTO da Smobile, empresa especializada na proteção de dispositivos móveis. “Deve-se olhar para os smartphones da mesma maneira que para os computadores”, defende.

A princípio, os usuários que forem utilizar seus aparelhos como cartão de crédito deverão instalar um aplicativo que permitirá apagar todos os dados neles, mesmo remotamente. Esse tipo de recurso é muito popular na linha BlackBerry, mas tem ganho destaque em iPhones e Androids há pouco tempo. Além do aplicativo, os clientes precisarão se inscrever em algum serviço de backup para celulares, de modo que possam recuperar as informações deixadas no smartphone perdido, transferindo-as para o novo.

Ainda assim, acesso remoto e serviço de backup são apenas o começo da história. Em uma época em que os usuários podem baixar para seus celulares programas com arquivos maliciosos, um cuidado muito maior será necessário para que vírus e malwares sejam evitados.

“Com a proliferação dos aplicativos, é difícil decidir quais são seguros”, admite George Kurtz, CTO da McAfee. “Entre muitas outras coisas, estamos especialmente preocupados com os programas maliciosos que, ao serem baixados para o smartphone, infectam o dispositivo e podem roubar informações financeiras e usar tais credenciais para cometer fraudes”.

Precaução
Como prevenção, os usuários terão não só de tomar cuidado com os arquivos que baixam, mas também deverão instalar programas que protejam o software de ataques, como antivírus e firewall. Khoi Nguyen, da equipe de segurança móvel da Symantec, por sua vez, diz que a as companhias que coordenam as lojas de aplicativos também devem se responsabilizar pelo o que oferecem, garantindo que não haja códigos maliciosos nos programas disponíveis. 

O especialista, por exemplo, afirma que admira a política de uso da Android Market, mas pensa que a Google terá que rever suas práticas a partir do momentos que mais pessoas passem a utilizar os celulares como meio de pagamento.

“Eu acho problemático para o Google manter essa conduta, já que nesse sistema qualquer um pode colocar um aplicativo no Android Market e, só depois, as pessoas que o baixarem descobrirão que ele, na verdade, é um software que prejudica o usuário. A questão é que, ao mesmo tempo, a empresa tenta manter tudo aberto para que a inovação não cesse. Deve-se encontrar um equilíbrio”, conclui.

Kurtz acredita que, se operadoras, fabricantes e usuários tomarem as devidas precauções – de acesso remoto aos dados, passando por senhas bem construídas e finalizando com um bom antivírus instalado – não há o que temer: os smartphones podem ser usados por muitos como cartão de crédito e serem seguros. No fim das contas, os celulares já são utilizados para transações financeiras na Europa e na Ásia, cita o CTO da McAfee.

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