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Obituário: Morte do Windows XP deixa milhares de fãs em luto

Sistema unificou a família Windows, cativou usuários com uma nova interface e maior facilidade de uso e apresentou milhões de pessoas à web.

Mark Hachman, PCWorld EUA

08/04/2014 às 14h04

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O muito amado Windows XP, sétimo sistema operacional da Microsoft e sob certos aspectos o mais bem-sucedido, morreu nesta terça-feira pelas mãos de seu criador. Ele tinha 12 anos e sete meses de idade.

Por enquanto o Windows XP irá persistir em estado de coma em literalmente milhões de PCs, incluindo os daqueles consumidores que ou ignoraram ou ninca estiveram cientes da decisão da Microsoft de encerrar o suporte. Embora o software ainda permaneça, fisicamente, em PCs em todo o mundo, a Microsoft encerrou o suporte a ele, deixando-o vulnerável a quaisquer falhas de segurança não corrigidas que possam surgir no futuro.

O funeral do Windows XP, uma cerimônia privada realizada no interior da Microsoft, foi quieto. Em vez de flores, a Microsoft pede que os consumidores façam doações para o Windows 8, um dos netos do Windows XP.

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Uma caixa do Windows XP Professional

O Windows XP abriu o caminho para mais três gerações de software da Microsoft, o Windows Vista, Windows 7 e Windows 8, e a empresa pede que os consumidores adorem seus sistemas operacionais mais modernos, que segundo ela oferecem mais segurança e um visual e interface mais modernos. “Pensando bem, chegou a hora de mudar”, diz o site WindowsXP.com.

Mas para muitos, ainda não é a hora. Em março, por exemplo, 27,7% de todos os computadores desktop analisados pela NetApplications rodavam o Windows XP. Podemos colocar de outra forma: a maior falha do Windows XP é que ele era simplesmente bom demais.

O sistema operacional onde a Microsoft acertou

O Windows XP foi lançado em 24 de Agosto de 2001. “Simplificando, o Windows XP é o melhor sistema operacional que a Microsoft já criou”, disse na época Bill Gates, Arquiteto-Chefe de Software na Microsoft.

Anteriormente a Microsoft separava seus sistemas operacionais para o mercado corporativo e para os consumidores. O Windows XP fundiu o Windows 2000 com algumas das melhores partes do Windows 98 e do Windows ME. Também foi o fim da linha de sistemas operacionais da Microsoft baseados no MS-DOS, o que Gates proclamou como o “fim de uma era” durante o lançamento do XP.

“Certamente foi um dos sistemas mais fortes em termos de apelo no mercado”, disse Ross Rubin, que acompanhou o Windows para a NPD e a Jupiter Communications antes de se tornar um analista independente. “O que tornou o XP realmente significativo foi que ele juntou a confiabilidade do kernel do Windows NT com a interface amigável ao usuário e suporte aos drives das versões do Windows para o consumidor”.

Considerando todo o ódio direcionado à “Tela Iniciar” do Windows 8, é curioso notar que uma das primeiras versões do “Whistler”, como o Windows XP era conhecido durante o desenvolvimento, também tinha uma variante da idéia. Mas ela eventualmente cedeu lugar ao Menu Iniciar em duas colunas pelo qual tanto desenvolvedores quanto usuários se apaixonaram. De fato, foi essa nova “eXPeriência”, de codinome Luna, que deu ao Windows XP seu nome oficial.

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A "Tela Iniciar" de um dos primeiros protótipos do Windows XP.
Crédito: Paul Thurrot, via Beta Archive.

Em 24 de Agosto de 2001, em seu campus em Redmond, Washingon, a Microsoft entregou as primeiras cópias da versão final (RTM) de seu novo sistema operacional aos fabricantes de PCs, que foram embora em helicópteros decorados com o logotipo do sistema. Os primeiros PCs com o Windows XP pré-instalado foram lançados em 24 de Setembro, e o sistema chegou às prateleiras das lojas em 25 de Outubro, acompanhado do que, de acordo com estimativas, foi uma campanha de marketing de bilhões de dólares orquestrada entre a Microsoft e seus parceiros. Incluindo um comercial de 1 minuto ao som de “Ray of Light”, da Madonna.

Disponível nas versões Home e Professional, o Windows XP ganharia mais tarde uma versão para sistemas de 64-Bits, e também uma versão “Starter” para mercados emergentes. Edições especiais sem o Windows Media Player foram vendidas na Europa e Coréia, depois que a Microsoft foi multada em US$ 784 milhões por explorar seu monopólio em sistemas operacionais para entrar no segmento de software para reprodução de mídia. Versões para os ULPCs (PCs de baixíssimo custo) e tablets também foram lançadas, além de edições especiais para Media Centers, servidores e sistemas embarcados. Isto se tornou significativo, disse Rubin, já que muitos PCs simplesmente não tinham o hardware necessário para rodar o Windows Vista ou seus sucessores. 

O Windows XP rapidamente se tornou amigo de consumidores e profissionais. O papel de parede “Bliss”, com suas colinas verdejantes e um céu azul, rapidamente se tornou um símbolo do sistema e uma das imagens mais vistas no mundo todpo, rendendo ao fotógrafo Chuck O’Rear uma enorme (mas nunca divulgada) quantia em dinheiro. E os usuários ainda podiam escolher entre vários outros estilos visuais.

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"Bliss", o papel de parede padrão do Windows XP.
Clique para ampliar.

Por debaixo dos panos o Windows XP agrupava múltiplas janelas do Internet Explorer 6 e outros aplicativos, e oferecia uma interface baseada em tarefas que facilitava tarefas comuns como gravar um CD. Um sistema de “prefetching” foi implementado para acelerar o boot. E foi no XP que o Internet Firewall e o Remote Desktop fizeram sua estréia, junto com o Windows Product Activation (WPA), um sistema para combate à pirataria. O Windows XP recebeu três Service Packs, e ao longo de sua vida ganhou suporte a tecnologias com USB 2.0 e várias outras melhorias.

Deixando os detalhes técnicos de lado, o que o Windows XP fez foi apresentar uma nova geração de usuários de PCs à web. O que muitos se esquecem é que as primeiras máquinas com o Windows XP chegaram ao mercado apenas duas semanas após os terríveis eventos de 11 de Setembro de 2001, e o lançamento em etapas, primeiro o hardware, depois o software, fez o lançamento do Windows Vista anos mais tarde parecer mais bem-sucedido em comparação. E o novo visual, mais rico, também foi criticado, lembra Rubin. Mas com o tempo, os usuários começaram a amar seu novo sistema operacional.

Com a palavra, os usuários

Se todos os fãs do Windows XP fossem convidados a falar sobre seu sistema operacional favorito, a fila em frente ao microfone seria quilométrica. Então convidei meu pai, Bob Hachman, um engenheiro civil aposentado que foi arrastado, sob protestos, para o mundo de caixas eletrônicos, computadores e smartphones, para falar pela maioria.

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Bob Hachman, pai do autor, com o PC com Windows XP da família.
Crédito: Kathy Hachman.

“Para o que queremos, tem sido absolutamente perfeito”, disse meu pai. “Tem sido muito fácil de usar, e não tivemos problemas com ele. Tem sido muito amigável ao usuário, pelo que posso ver”.

O uso que meus pais fazem do Windows XP é muito simples: um pouco de navegação na web, planilhas do Excel e planejamento financeiro básico. E quanto à segurança… bem, parece que fracassei em meu papel de “filho nerd”.

“Não, usamos ele apenas para navegação muito básica na Internet”, disse meu pai quando perguntei se ele havia configurado sua máquina para baixar patches e atualizações. “Nem sei o que é um patch”. 

O que o Windows XP oferecia era um simples, porém amplo pacote de recursos para ajudar os usuários a realizar as tarefas básicas que queriam realizar quando decidiram comprar um PC: navegar na web, usar o Office, jogar e usar seus periféricos USB. Essas tarefas ainda podem ser realizadas, e embora a Microsoft tenha abandonado o suporte ao sistema em novas versões de seu navegador, o Google Chrome e o Mozilla Firefox ainda suportam o Windows XP, permitindo que os usuários tirem total proveito dos sites e serviços modernos. E meu pai ainda não vê um motivo para migrar. “Tudo o que é novo, quando lançado, vem acompanhado por histórias de horror”, disse ele. 

O Windows XP tinha no total 45 milhões de linhas de código, fruto do trabalho de centenas de programadores da Microsoft. Sentiremos sua falta.

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