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Oito perguntas sem resposta sobre o iPhone 3G

Apple falou muito sobre o novo celular 3G, mas ainda deixou dúvidas no ar. Tentamos levantar as principais questões.

Harry McCracken, PC World/EUA

10/06/2008 às 15h46

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O discurso de Steve Jobs ontem na abertura do WWDC 2008 serviu para confirmar os diversos rumores que já circulavam: O iPhone 3G chega logo para alguns mercados, com preço reduzido e tem GPS integrado.

Fora isso, a maior parte do discurso de Jobs serviu para relembrar alguns anúncios feitos pela Apple em março, principalmente o do lançamento do kit de desenvolvimento de software (SDK) para aplicativos de terceiros e a compatibilidade com a plataforma de e-mails Exchange, da Microsoft.

Agora, com a poeira um pouco mais baixa, surgiram informações que Jobs não mencionou, como o fato da operadora AT&T manter a exclusividade no mercado norte-americano. O Gizmodo afirma que o novo iPhone 3G precisará ser ativado pessoalmente em uma loja da Apple ou da AT&T, um grande passo para trás em relação à ativação feita em casa via iTunes com a versão original.

Em resumo, ainda faltam respostas. Vou levantar algumas delas a seguir:

1) O que é aquela traseira de plástico no iPhone?

Jobs mencionou as melhorias de design no iPhone 3G, incluindo sua parte traseira toda em plástico. Creio que a mudança pode ser uma virtude. As peças metálicas brilhantes da primeira geração de iPhones e de muitos sabores de iPods são ímãs poderosos para arranhões, marcas de dedos e gordura.

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Mas a Apple sempre troca o plástico por metal nas atualizações de produtos; é difícil imaginar a companhia indo a outra direção a não ser um motivo não relacionado à estética. Dava para remover um milímetro ou mais para deixar o iPhone mais fino usando plástico? (Fazer caber tudo dentro foi um desafio claro.

Apesar do anúncio poliânico de Jobs de que o novo iPhone é "até mais fino" nas bordas que seu antecessor, as especificações oficiais da Apple para o iPhone 3G são de 12,3 mm de espessura, contra 11,6 do iPhone original). Talvez o metal interferia na recepção do GPS? Ou foi só um corte de gastos para deixar o iPhone mais barato?

2) Cadê os iPhones de 32 GB e 64 GB?
Para muitos, um iPhone não pode funcionar como um iPod de primeira classe enquanto não tiver capacidade suficiente para guardar toda música e vídeo de suas coleções. É seguro assumir que a Apple vai ampliar a memória do telefone assim que conseguir fazer caber em seu compartimento e vender por um preço razoavelmente decente.

Já que o iPod touch (que é um iPhone sem o telefone) já tem uma versão de 32 GB, não me surpreenderei se sair um iPhone com essa capacidade daqui alguns meses. Mas ficaria igualmente surpreso se sair um iPhone de 64 GB antes da metade de 2009, dados os altos custos da memória flash nessa capacidade.
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3) Vai dar para usar o iPhone como modem?
Eu assisti ao keynote de Jobs da platéia no Moscone Center, de San Francisco, o tempo inteiro online com meu MacBook, graças ao meu telefone que roda Windows Mobile, em banda larga. Jobs nem mencionou algo parecido para o iPhone 3G.

E se estiver a caminho, vai custar mais que os US$ 30 por mês que a AT&T diz que vai cobrar pelo plano de dados no iPhone 3G. (dá para fazer isso com o iPhone original, mas apenas por métodos pouco ortodoxos e não autorizados pela Apple).

4) E as direções ponto a ponto no GPS?

GPS no iPhone 3G é algo tão legal quanto o próprio 3G. Mas os exemplos demonstrados por Jobs não foram muito emocionantes. O aplicativo principal para GPS continua a ser aquele que dá a direção ponto a ponto, como as soluções dos aparelhos de GPS e alguns celulares. Se estivesse nos planos, Jobs teria citado. E talvez venha em um futuro upgrade do software do iPhone. Mas acho que algum desenvolvedor vá resolver isso.
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5) Vai ter guerra entre o iPhone 3G e o BlackBerry Bold?
Muita gente em busca de um smartphone multimídia tem dois potenciais aparelhos em foco: o iPhone 3G e o BlackBerry Bold, da RIM. E a disputa é árdua. O iPhone tem tela maior, multitoque, acelerômetro e um mecanismo multimídia sofisticado conhecido por iTunes Store. Seu preço nos EUA (US$ 199) é menor que o do Bold.

Mas o Bold tem um teclado real que não ocupa espaço útil na resolução da tela. Tem um pacote de escritório completo, contra os visualizadores quase rudimentares do iPhone. Estou em dúvida!

6) Como fica o iPod Touch?
Até hoje, o iPod Touch tem os bons recursos do iPhone, menos o telefone, por menos dinheiro. Só um pequeno probleminha: não tem GPS e suas variantes de 8 e 16 GB custam, nos EUA, 100 dólares a mais que seu irmão conectado.

É difícil de imaginar se ele vai continuar popular com esse preço, a não ser que a Apple faça um corte nos preços.

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7) O MobileMe vale quanto pesa?
Lá no ano 2000, a Apple lançou um pacote gratuito de serviços web chamado iTools. Em 2002, eles foram renomeados .Mac, e ganharam uma etiqueta de preço de US$ 99, o que é caro comparado a inúmeros serviços muitas vezes melhores gratuitos.

E agora uma nova metamorfose acontece: .Mac vira MobileMe, e vai além dos desejos dos donos de Macs, já que é voltado a donos de PCs e Macs com iPhones ou iPod Touch e querem manter seu e-mail, agenda e contatos sincronizados. A demonstração do MobileMe foi impressionante, e os seus aplicativos online parecem ter levado para a internet os altos padrões da Apple para software no desktop.

Só o preço não mudou, e continua em US$ 99. Um teste gratuito de 60 dias permitirá aos assinantes determinar se vale ou não a pena.

8) O iPhone vai ser o principal produto da Apple?
Jobs começou a sua apresentação ao dizer que a Apple tem três linhas de produtos: o Mac, a música digital e o iPhone. E ficou duas horas falando apenas sobre o iPhone. A próxima versão do Mac OS X, codinome "Snow Leopard", ganhou exílio em uma sessão posterior. Vai ver isso aconteceu porque o lançamento do Snow Leopard ainda esteja tão distante que a Apple não quer que qualquer um, a não ser os desenvolvedores de software, prestem atenção nele. Mas isso também é um recado de quão rápido o iPhone se tornou principal em quase tudo que a Apple faz.

Nota da redação: algumas perguntas já têm respostas, como o uso do plástico e o que vem em software para GPS. Leia o relato do editor Jason Snell, da Macworld/EUA, e descubra as respostas.

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