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Olimpíadas: vídeos contam parte da história dos jogos pelo mundo

Glória e superação marcam a vida dos atletas. Mas não é só isso. Esta seleção ilustra fatos importantes dos jogos modernos.

Nando Rodrigues, editor da PC World

08/08/2008 às 0h36

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Foto:

you_olympic_150Por intermédio da web, quem está longe de um aparelho de TV poderá acompanhar os Jogos Olímpicos de Pequim sem problemas e em tempo real – na América Latina, por exemplo, este serviço será oferecido com exclusividade pelo portal Terra. Mas a internet nos brinda, também, com a possibilidade de ver (ou rever) personalidades e momentos olímpicos que fizeram história.

Fizemos uma busca na rede mundial em busca de vídeos que contassem um pouco da história das Olimpíadas e descobrimos coisas interessantes do esporte nacional e mundial e também fatos que ultrapassam a arena dos jogos.

A oferta de vídeos é enorme, mas sua organização um tanto caótica. A baixa presença de vídeos que mostrem a participação do Brasil em Olimpíadas é lamentável. Quem sabe, a partir de Pequim 2008 e com as facilidades que a internet oferece, detentores de imagens históricas decidam compartilhá-las com um número maior de fãs do esporte.

Se você tem alguma sugestão bacana ou encontrou algum vídeo olímpico que valha a pena, escreva para nós (pcworld@nowdigital.com.br) para que essa coletânea possa se tornar ainda mais completa.

Até o início dos anos 1950, pouco material gravado está disponível. Por essa razão, concentramos nossa pesquisa a partir dos jogos de Helsinque, de 1952. Veja o que encontramos:

1952 – Helsinque
Não localizamos imagens em vídeo da vitória do brasileiro Adhemar Ferreira da Silva na prova de salto triplo. Peão de fábrica, ele trabalhava de dia e estudava à noite, reservando o horário do almoço para seus treinos.

Quatro anos antes, em Londres, já participara dos jogos, mas foi em Helsinque que ele se consagraria e daria origem a uma tradição: a volta olímpica. Segundo contam, fez isso para agradecer à platéia que o ovacionava. Em Melboure (1956), ganharia o ouro novamente, sagrando-se o primeiro bi-campeão olímpico brasileiro. Neste vídeo (clique aqui para ver), que faz parte do  projeto A Cor da Cultura, quem conta a história é outro atleta, Robson Caetano.

O fundista Emil Zatopek, da antiga Tchecoslováquia, é recebido por uma multidão que grita seu nome no final da prova mais nobre das Olimpíadas – a maratona – e não só pelo fato de ser o vencedor da prova, em 3 de agosto. Zatopek era o primeiro atleta da História a ganhar o outro também nos 10 mil metros (em 20 de julho) e nos 5 mil metros (em 24 de julho).

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1968 – Cidade do México
A disputa pelo ouro na prova de salto triplo dos Jogos Olímpicos de 1968 foi marcante. O brasileiro Nelson Prudêncio, então com 24 anos, mais o soviético Viktor Saneyev e o italiano Giuseppe Gentile chegaram a quebrar o recorde mundial nove vezes em apenas quatro horas (o recorde subiu de 17,03m para 17,37 metros).

Prudêncio ficou com a prata, saltando 17,27 metros. Nos jogos seguintes, em Munique, ele ainda ganharia mais uma medalha, dessa vez de bronze. Este vídeo não traz informações sobre a data em que foi realizado.

Por sua trajetória, Nelson Prudêncio teve a honra de ser um dos convidados pela organização dos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) para carregar a tocha olímpica.

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1972 – Munique
Os Jogos Olímpicos de 1972 seriam, talvez, a oportunidade que a Alemanha teria de se redimir dos que foram realizador em 1936, na Berlin de Adolf Hitler. Mas a manhã do dia 5 de setembro entraria para a História – e não apenas das Olimpíadas – por algo que não tinha absolutamente nada a ver com o esporte.

Terroristas do palestrinos do grupo Setembro Negro invadiram as acomodações dos atletas israelenses na Vila Olímpica e mataram dois atletas. Três membros da delegação de Israel conseguiram fugir, mas os terroristas mantiveram nove como reféns e exigiam um avião e libertação de 200 palestinos presos em Israel, o que foi negado pela primeira-ministra do país, Golda Meir.

A tentativa do polícia da Baviera de libertar os reféns foi um fiasco: acabou com 15 mortos e helicóptero destruído. O governo de Israel iniciou, então uma caçada para liquidar todos os palestinos envolvidos na ação. Anos depois, o evento foi tema do documentário ganhador de um Oscar, Um dia em Setembro.

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1976 – Montreal
Se os jogos de Munique foram marcados pelo terror, a Olimpíada de Montreal entrava para a história por uma outra evento, também nada honroso: o boicote. A seleção de rúgbi (esporte não-olímpico) da Nova Zelândia havia feito uma excursão pela África do Sul, então banida de competições internacionais desde 1964 por conta da política do apartheid (regime implementando em 1948 – que submetia a população não-branca a um regime de segregação – e que durou até 1990).

Liderados pela Tanzânia, mais de duas dezenas de países africanos que já estavam na Vila Olímpica, abandoraram a competição em repúdio à presença da Nova Zelândia nos jogos de Montreal.

Se o boicote manchou os Jogos Olímpicos de 1976, uma romena de 14 anos e apenas 1,5m de altura entraria para a história da ginástica olímpica como a primeira atleta a receber nota 10.

No vídeo a seguir, Nadia Comaneci recebe sua primeira nota 10, nas barras assimétricas. Sua desenvoltura no aparelho já podia ser notada pela entonação da narradora, com cada movimento perfeito realizado pela atleta.

Sua segunda nota 10 seria obtida em um outro aparelho, a trave olímpica, que tem 5 metros de comprimento por 10 centímetro de largura e posicionada a 1,25m de altura.

Para curtir um pouco mais sobre essa notória ginasta, veja o vídeo abaixo, que traz uma coletânea de Nadia, em diversas fases de sua carreira, inclusive com uma queda fenomenal das barras assimétricas.

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1980 – Moscou
O boicote olímpico voltaria ser uma ferramenta de manifestação política nos Jogos Olímpicos de 1980, motivado pela invasão do Afeganistão pelo exército soviético no final de 1979, que levou o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, a anunciar o boicote aos jogos, ação seguida por outros 61 países.

O resultado foi que a Olimpíada de Moscou perdeu o brilho já que as estrelas de modalidades importantes no atletismo, natação e basquete não estavam presentes. Os jogos contaram com a participação de 80 nações e mesmo alguns dos países presentes (como França, Itália, Reino Unido e Suécia), dispensaram suas bandeiras nacionais e suas delegações se apresentaram na abertura usando o estandarte do Comitê Olímpico Internacional e, em cerimônias de premiação, usaram o hino do COI.

Os Jogos Olímpicos de Moscou também deram início a Era Sebastian Coe. O corredor inglês era o favorito para os 800m – já havia quebrado o recorde mundial por três vezes). Na prova final, contudo, Coe perdeu para o também inglês Steve Ovett.

Início da Era Sebastian Coe - O corredor inglês era favorito para os 800 m (prova em que quebrara o recorde mundial 3 vezes). Na final, contudo, perdeu para o também inglês Steve Ovett. Mas foi na prova dos 1.500 m que as coisas se inverteram e Ovett, tido como o favorito, foi ultrapassado por Coe, que levou o ouro – façanha que repetiria na final dos 1.500m em Los Angeles, quatro anos depois. Coe se mantém com o único atleta a ganhar a prova duas vezes.

O Comitê Olímpico soviético, que já havia brilhado na cerimônia de abertura dos jogos, preparava mais surpresas para o encerramento.

É provável que o final de uma Olimpíada jamais tenha emocionado tanto o público (e a mídia) quanto aquela, lembrada até hoje pelo choro do urso Misha, mascote dos jogos, que levou muitos às lágrimas quando foi carregado para fora do estádio olímpico por balões coloridos.


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1984 – Los Angeles
O velocista Joaquim Cruz marcou história por ser o primeiro atleta brasileiro a ser mostrado ao vivo, no Brasil, competindo, ganhando e indo ao pódio para receber uma medalha olímpica. Cruz também é o único atleta brasileiro que ganhou ouro olímpico em uma prova de pista, sagrando-se campeão nos 800 m. Neste vídeo, vemos a semi-final e a final dessa prova.


1988 – Seul
Joaquim Cruz esteve bem perto do segundo ouro olímpico em prova de pista. Um erro estratégico, contudo, fez com que fosse ultrapassado nos últimos metros pelo queniano Paul Erang, o que lhe valeu a medalha de prata.

Mas o ouro único ouro que o Brasil ganharia nesses jogos viria não das pistas ou piscinas, mas do tatame: Aurélio Miguel ganharia a primeira medalha de ouro do judô para o Brasil. O judoca brasileiro ainda ganharia bronze 8 anos depois, em Atlanta.


E foi em Seul que um dos mais importantes atletas do mundo na modalidade salto com vara, conseguiu obter seu único ouro olímpico. O que mais chama atenção nisso tudo é que ao longo de sua carreira, que começou em 1983 quando ganhou o primeiro mundial aos 19 anos, o ucraniano Sergei Bubka quebraria por 35 vezes, o recorde mundial. Mas apenas uma vez conseguiu subir lugar mais alto do pódio olímpico.


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1992 – Barcelona
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona talvez mostre a forma mais criativa de acender a pira olímpica. Um arqueiro ativa uma flecha em chamas que vai cair dentro da pira. Há quem diga que muitos torciam para que ele errasse o alvo.

Uma estrela da natação seria conhecida em Barcelona: o ruso Alexander Popov. Ele ganhou a prova dos 50m (na qual bateu o recorde olímpico) e 100m nado livre.

Quatro anos depois, em Barcelona, Popov voltaria a ganhar a prova dos 50m, glória alcançada anteriormente só por Johnny Weissmuller (1924 e 1928). Weissmuller, que ficou famoso como o Tarzã do cinema norte-americano, nasceu na Romênia e foi criado nos EUA.

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1996 – Atlanta
Os Jogos Olímpicos de 1996 prometiam ser um show. Pelo menos era o que os norte-americanos procuravam mostrar desde o início. Na cerimônia de abertura, um homem faz um vôo solo usando foguetes presos às costas, para delírio da multidão (e do apresentador) e que fez muita gente sonhar em um meio de transporte individual como aquele, o que nunca se tornou realidade.

E os americanos ainda guardavam mais surpresas. Ao homenagear seus grandes atletas durante a cerimônia, o último a receber a chama olímpica foi Muhammad Ali (Cassius Clay). Acometido por Mal de Parkinson, o ex-pugilista tem dificuldades de cumprir a tarefa, e é aplaudido pelo público quando acende a pira.

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Os Jogos Olímpicos de Atlanta marcariam a estréia da participação feminina na maratona. E um incidente ajudaria a mudar uma regra importante.

A atleta suíça Gabriele Andersen-Scheiss, então com 39 anos e sob um calor infernal, luta para terminar a prova e cruzar a linha de chegada, dentro do estádio Coliseu, da prova que fora vencida pela norte-americana Joan Benoit. Totalmente desnorteada e cambalendo, ela praticamente se arrasta nos últimos 500 metros, sob aplausos da multidão que enche o estádio. Sem receber ajuda médica (isso a desclassificaria), ela termina a prova em 2h48min42.

Por conta desse evento, as regras foram mudadas e um artigo que leva seu novo foi introduzido, permitindo que os atletas recebam auxílio médico durante o percurso sem risco de desclassificação. E ela não foi a última colocada: chegou em 37º. Das 50 atletas que largaram, 44 terminaram a prova. A brasileira Eleonora Mendonça foi a 44ª colocada.

Atlanta também entraria para história do esporte nacional pelas duas medalhas de ouro obtidas na vela Robert Scheidt (categoria laser) e a dupla Marcelo Ferreira e Torben Grael (categoria star). Mas uma outra medalha, disputada em final inédita no vôlei de praia feminino, por duas duplas brasileiras.

Sandra Pires e Jackie Silva bateram Mônica Rodrigues e Adriana Samuel, e são ainda hoje as únicas brasileiras campeãs olímpicas. Detalhes dessa vitória poder ser vistos nesse vídeo (clique aqui para ver).

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2000 – Sidney
Competindo em casa, a seleção australiana de natação bateria o recorde mundial na prova de revezamento 4x200m masculina, que tinha entre os nadadores o ícone Ian Thorpe, o “Torpedo”, para delírio da população local. Até se aposentar, em 2006 aos 24 anos, Thorpe acumularia 5 medalhas de ouro, 2 de prata e 1 uma de bronze em provas olímpicas.

Os jogos de Sidney não resultaram em ouro olímpico para o Brasil. Uma das maiores esperanças, o judoca Thiago Pereira, foi derrotado na final pelo italiano Giuseppe Maddaloni, numa cuja arbitragem foi duramente criticada.

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2004 – Atenas
No cômputo geral, os Jogos Olímpicos de Atenas representaram a maior glória do Brasil em número de medalhas de ouro, cinco no total: Rodrigo Pessoa (hipismo); Robert Scheidt (Vela/laser); Marcelo Ferreira e Torben Grael (Vela/star); Emanuel Rego e Ricardo Santos (vôlei de praia); e vôlei masculino. Emanuel e Ricardo fizeram uma partida emocionante, batendo os espanhóis Javier Bosma e Pedro Herrera. No lugar mais alto do pódio, a dupla ouve, emocionada, o Hino Nacional.

Desfrute dos momentos finais da batalha masculina no vôlei, na qual o Brasil vence a Itália por 3x1, conquistando o bicampeonato (o vôlei masculino do Brasil ganhara o ouro em Barcelona, em 1992).


Macotes olímpicos

O uso de mascotes tem se tornado mais popular a cada nova edição dos Jogos Olímpicos, mostrando criatividade por parte dos organizadores, e também uma grande fonte de renda.

Alguns mascotes ficaram famosos, como o urso Misha (Moscou/1980). Outras caíram no esquecimento. Neste último vídeo que selecionamos, você vai conhecer alguns desses mascotes, criados a partir da Olimpíada de Munique (1972).

Os mascotes dos Jogos Olímpicos de Pequim, cinco no total, têm uma grande história por trás de seus nomes, que, pronunciados em seqüência e em determinada ordem, formam uma frase em mandaria que quer dizer “Bem-vindo a Pequim”.

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