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Opinião: a Apple nunca irá destronar a Microsoft nas empresas

Presença da companhia de Cupertino no mercado corporativo está crescendo de forma impressionante, mas a fabricante do Windows veio para ficar nesse ambiente

Preston Gralla, Computerworld / EUA

14/02/2012 às 18h23

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A Apple está em alta nos últimos tempos - e não só entre os consumidores finais com o iPhone e o iPad como também cada vez mais no mercado corporativo. Algumas pessoas chegam até a fantasiar o dia no qual a companhia de Cupertino irá desafiar a Microsoft frente a frente nesse cenário. Mas isso nunca vai acontecer. 

Em janeiro, a Forrester Research fez uma previsão impressionante: em 2012, as empresas irão gastar 58% a mais em hardware da Apple do que em relação ao ano passado - um valor estimado de 19 bilhões de dólares. E, por volta de 2013, o montante será de nada meno s que 28 bilhões de dólares. 

“A maior força disruptiva no mercado de computadores não é a nuvem, mas sim a Apple. Seu crescimento rápido no mercado corporativo foi uma grande surpresa em 2011, e isso só tende a aumentar em 2012” avaliou o analista Andrew Bartels. O especialista citou diversos fatores para esse crescimento, sendo o principal o que ele chama de compras “clandestinas” de produtos da Apple, como iPads e MacBooks Air, por funcionários melhor posicionados. 

Bartel destacou que, apresar da Apple não ser uma companhia voltada ao mercado corporativo, Tim Cook, atual CEO da empresa, é mais focado nessa área do que Steve Jobs costumava ser. O analista disse que a Apple criou uma equipe de vendas corporativas e que fornece descontos para iPads comprados em atacado. 

A previsão do expert foi destacada por Frank Gillett da Forrester, que afirmou que a dominância da MIcrosoft entre as empresas “está feita e consumada. Estamos em um ambiente heterogêneo devido ao aumento do uso de dispositivos móveis, poucos deles com Windows, e com um crescimento dramático do uso de tecnologias em casa ou fora do ambiente de trabalho”.  

Outro dado importante levantado pela Forrester é que mais de 20% dos colaboradores das empresas utilizam dispositivos da Apple no trabalho, a maioria deles comprada por eles mesmos. Apesar de tudo isso, a companhia de Cupertino nunca conseguirá chegar perto de sua rival de Redmond no ambiente corporativo. 

Em primeiro lugar, as “compras clandestinas” não são um plano de negócio: adquirir alguns gadgets de pouco em pouco nunca será suficiente para competir com compras massivas feitas pelo setor de TI. Outro ponto importante é que a Apple não pode contar que os funcionários comprem o hardware com dinheiro do próprio bolso, exatamente porque isso não se classifica como plano de negócio. 

Um grande problema são os custos. As empresas estão focadas na contenção de custos para pagar a “taxa da Apple”. E o tempo está a favor da Microsoft: hoje, se você quiser um notebook portátil e extremamente leve, a melhor escolha é o MacBook Air (e é preciso pagar caro por ele), sendo assim, as compras “clandestinas” são compreensíveis. Todavia, os ultrabooks com Windows estão chegando no mercado, e devem ficar abaixo da faixa de preço do laptop ultrafino da Apple. 

Em relação aos tablets, não existem boas opções com o sistema operacional da Microsoft, logo o iPad é uma escolha natural. Por outro lado, há a expectativa para os tablets com Windows 8, sendo assim o dispositivo da Apple não precisa permanecer no mercado corporativo. Além disso, a Apple não possui o mesmo tipo desenvolvimento de ferramentas corporativas que a Microsoft investe, e não há sinal de grandes mudanças nesse cenário. 

A nuvem também poderá funcionar a favor da Microsoft.Quando a maioria dos softwares e serviços das companhias forem baseados na nuvem, os dispositivos atuais utilizados para acessar esses recursos se tornam menos importantes. Por que gastar mais tempo com máquinas da Apple quando o hardware é pouco mais do que uma plataforma para um browser acessar a nuvem da empresa?

Em suma, a Apple fará sim algumas investidas nas empresas em dois anos ou mais, e haverá espaço, limitado de certa forma, para o hardware da empresa. Porém a Microsoft continuará a dominar esse mercado.  

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