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Opinião: a necessidade de um netbook da Apple

Steve Jobs desdenha os netbooks, mas existem alguns modelos no mercado que não são uma "porcaria". E, bem, a Apple já teve algo parecido em 1997.

Peter Cohen, Macworld/EUA

23/10/2008 às 13h10

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Steve Jobs apareceu na conferência de resultados da Apple esta semana - ele não fazia isso desde 2000 - e uma das suas frases ecoou inúmeras vezes desde então: "Não sabemos como fazer um computador de 500 dólares que não seja uma porcaria".

Talvez a Apple precise observar melhor o resto do mercado, já que existem computadores no mercado na categoria de 500 dólares ou menos que não são uma porcaria. E a Apple pode fazer melhor que a concorrência, eu acredito.

OK, essa categoria abaixo de 500 dólares deixa a desejar em recursos e poder de processamento. Os netbooks são um novo segmento de mini-notebooks projetados para uso limitado, como e-mail, navegação na web e produtividade básica - e eles não páram de crescer. Infelizmente, a Apple está fora desse mercado - ou até que algum rumor indique o contrário.

Jobs, ao ser pressionado por um analista durante as perguntas e respostas da conferência de resultados na última terça, sugeriu que o iPhone se encaixa na categoria de netbook para a maioria dos usuários de Apple, já que tem e-mail, web e roda programas com eficiência.

Mas o formato pequeno do iPhone pode ser o problema aqui. O telefone é bom para navegar ocasionalmente, receber e-mails, mas seu teclado na tela torna digitar respostas uma tarefa complicada. E o tamanho limitado da tela pode confundir na navegação na web. Há ainda a falta de copiar e colar, algo que esperamos que a Apple resolva algum dia - isso é uma deficiência séria quando se fala em comunicações.

Enquanto isso, empresas como MSI, Asus, HP e Lenovo estão enchendo as prateleiras de netbooks que usam processadores que consomem pouca energia, têm vídeo integrado, pequenas telas e teclados, sem nenhum drive óptico e com limitadas (ou inexistentes) capacidades de expansão. Muitos deles até trocaram os discos rígidos por armazenamento em memória flash. Todo esse mercado surgiu em um curto período de tempo, desde que surgiu o projeto One Laptop per Child (OLPC) em 2007.

Talvez esses sistemas se qualifiquem como "porcaria" aos olhos de Jobs e dos gerentes de produtos da Apple já que, na maioria das vezes, eles não são substitutos de um notebook completo com o MacBook ou o MacBook Pro. O design descompromissado dos netbooks também foi uma escolha dos fabricantes para deixar os custos lá embaixo, embora sua qualidade e utilidade aumente a cada novo modelo.

Acreditamos que os netbooks não estão prontos para tarefas de uso intensivo do processador, tão necessárias aos usuários de Mac. Mas eles arrumaram um nicho para quem busca um sistema móvel para uso em qualquer lugar, sem ter as restrições de um aparelho pequeno como o iPhone. Estudantes acham os netbooks úteis. E consumidores que querem um equipamento que seja menos espaçoso que um notebook e sirva para ficar em contato de qualquer lugar.

Mas, espere um minuto, vamos voltar um pouco ao passado. A Apple já fez algo mais ou menos parecido, o eMate 300, uma variação do Newton MessagePad criada para o mercado educacional, com um design translúcido e teclado. Era uma espécie de proto-iBook, que, apesar de antigo, ainda tem um ótimo design. Mais de dez anos atrás, o eMate 300 custava 800 dólares. Imagine quanto menos custaria hoje se a Apple criasse algo equivalente, baseado no que já é feito com o iPhone e o MacBook.

Visto o que a Apple já atingiu com o iPhone e como seus departamentos de pesquisa e design industrial criam coisas incríveis que funcionam direito, não posso deixar de esperar que, se a Apple quiser, ela pode fazer um netbook que irá deixar os concorrentes bem longe.

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