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Opinião: as maiores decepções com o novo Mac OS X Lion

Lançado na última semana, sistema operacional da Apple ficou mais parecido com o iOS e trouxe inúmeras novidades, mas ainda precisa de ajustes

Galen Gruman, Macworld / Reino Unido

27/07/2011 às 12h38

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O Mac OS X Lion já está disponível na Mac App Store, e eu ficaria chocado se a maioria dos usuários não fizer a atualização até o final do ano, senão desse mês. Tenho testado o programa desde sua versão beta há alguns meses, detalhando suas muitas melhorias em reportagens, mas tenho de admitir que o Mac OS Lion tem algumas manchas em sua reputação.

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1. As novas barras de rolagem contextuais

Se você usa o touchpad do novo MacBook, o Magic Mouse ou Magic Trackpad, as barras de rolagem em suas janelas desaparecem por padrão. Elas aparecem apenas quando o Lion detecta que você está tentando rolar uma página, por exemplo. Entretando, se você usa um mouse “das antigas” as barras continuam visíveis.

Por causa dessa abordagem, não é sempre óbvio quando há mais conteúdo em um painel ou janela para fazer rolagem. A única maneira de saber com certeza é descer tentar rolar a página usando um mouse ou gesto para ver se algo acontece. Eliminar a indicação visual de que há mais conteúdo e a rolagem é necessária é um erro claro no Lion – e algo surpreendente em uma empresa sempre tão esperta atenta à interface do usuário como a Apple. Felizmente é possível desligar essa ocultação automática nas preferências de sistema.

2. Launchpad 

Colocar aspectos do iPad e iPhone no Mac OS X faz muito sentido, já que o iOS pegou muito do próprio Mac OS X – ambos compartilham a mesma base de código, afinal de contas. A nova interface de usuário do Mail é uma boa adaptação do app para iPad, por exemplo, e cheguei a gostar de muitos dos novos gestos trazidos para o Mac OS X (sinto falta deles quando uso um Mac sem um Magic Mouse ou Magic Trackpad).

Mas o Launchpad – essencialmente um simulacro das telas iniciais do iOS para facilitar acesso aos aplicativos – é francamente uma homenagem desnecessária ao iOS. Pode parecer ótimo ter todos os seus apps na sua tela, mas não é. Em uma tela de computador, a grade é opressivamente grande, e a ordem em que os apps aparecem é essencialmente aleatória. Claro, você pode criar pastas e rearranjá-las, mas é muito trabalho fazer algo que o Dock e as janelas do Finder, com suas pastas Aplicativos e Utilitários, podem fazer muito melhor.

3. Versões de documentos internos

O Versions é realmente útil e legal. Nos apps compatíveis com ele, como o TextEdit e o Preview – e, com certeza, em breve o pacote iWork – toda vez que você modifica um arquivo um "delta" contendo apenas as mudanças é salvo. Você pode então usar uma interface no estilo Time Machine (essa é a parte legal) para voltar para qualquer das versões anteriores ou até mesmo retirar elementos de uma edição anterior e copiá-los para o documento atual.

E o que há de ruim nisso? O fato que uma vez que você copiar, enviar por e-mail, ou clonar de outra forma o arquivo todas essas versões desaparecem desse “clone”. Tecnicamente, essas versões intermediárias não estão realmente salvas em seu arquivo de texto, mas em uma área escondida do seu disco, então quando você copia ou de outra forma compartilha o documento, os links para as versões intermediárias não são retidos e as versões não podem ser embutidas no arquivo copiado ou compartilhado.

A razão para isso é nobre: dessa maneira, todos esses rascunhos internos não estão acidentalmente disponíveis para outras pessoas, evitando situações desagradáveis como a acidental revelação de informações sensíveis. Lembra como o recurso de busca por mudanças nos documentos do Office levou a tais revelações indesejadas quando foi implementado?

Mas esse recurso de segurança também significa que você não pode corrigir seu documento em qualquer lugar ou permitir que membros autorizados de um grupo continuem o trabalho e mantenham essas versões anteriores no lugar. A Apple precisa adicionar uma opção para manter o histórico de alterações quando um documento é copiado ou enviado por e-mail. Por padrão estas versões devem continuar sendo ignoradas durante a cópia, mas me dê uma maneira de carregá-las comigo se quiser compartilhar.

4. Criptografia do disco todo

O Lion soluciona uma brecha antiga do Mac OS X ao te permitir criptografar discos inteiros, assim como seus backups do Time Machine. Antes, o sistema criptografava apenas arquivos armazenados dentro da pasta de cada usuário. Isso cobria a maior parte dos arquivos do usuário, mas não tudo. Você também pode formatar discos externos para que eles também sejam criptografados.

O que você não pode fazer é criptografar um disco externo já formatado. Para proteger todos os pendrives e HDs externos que você usa é preciso formatá-los primeiro. Se você pode criptografar seu disco de inicialização a qualquer momento, por que não poder fazer o mesmo com qualquer outro disco, especialmente se considerarmos que o Lion permite decodificar um disco a qualquer momento usando o Disk Utility? Ele ou as preferências de sistema de Segurança e Privacidade (onde você criptografa seu disco de inicialização) deveriam poder criptografar e decodificar qualquer disco a qualquer momento.

5. Perfis de configuração de usuário 

Usando o Mac OS X Lion Server – que custa 50 dólares a mais – você pode criar perfis de configuração para aparelhos iOS e Macs com o Lion. Esses perfis podem determinar várias configurações, como contas de e-mail, e restringir acesso do usuário a vários recursos de ambos os sistemas. Os profissionais de TI gostam disso, especialmente porque você abastecer e atualizar os perfis via wireless (over the air).

Mas vamos falar a verdade: a maioria dos Macs é usada em casas e pequenas empresas que não possuem departamentos de TI. Muitas das políticas que você pode configurar por esses perfis fariam sentido em tais ambientes, mas o Mac OS X Lion Server não é amigável o suficiente para esse grupo de usuários. Acredito que a Apple deveria atualizar suas preferências de sistema nos Controles Parentais para incluir ao menos alguns desses perfis de configuração, facilitando a configuração e instalação em outros Macs na sua casa ou rede de trabalho – sem precisar usar a interface do Lion Server, mesmo que ela seja muito mais simples do que a de um servidor Windows ou Linux.

Além disso, trazer essas capacidades para os Controles Parentais também poderia ser parte de trazer o gerenciamento de um Apple ID para uma interface mais simples. Assim você pode ajustar restrições de compras para seus filhos ou funcionários sem precisar de diferentes Apple IDs, ou ao menos gerencia essas identidades separadas a partir de um local. Com uma mistura de várias Apple IDs separadas e compartilhadas normalmente sendo usadas para inúmeros lojas online da Apple, o iTunes Home Sharing, e em breve o iCloud, está se tornando uma bagunça de gerenciamento para o resto de nós.

6. AirDrop 

O Lion possui um novo recurso chamado AirDrop que detecta automaticamente outros Macs com Lion na sua rede Wi-Fi para que você possa compartilhar arquivos sem precisar configurar redes. Realmente não é preciso nenhuma configuração: simplesmente selecione o AirDrop em uma janela do Finder e todos os sistemas conectados ao AirDrop vão aparecer. Clique em um deles para enviar os arquivos, e se o usuário deste Mac permitir, a transferência se inicia.

Mas o AirDrop não funciona na maioria dos Macs: na prática ele é limitado aos modelos produzidos a partir de 2010. (Se você não visualizar o AirDrop na barra lateral, isso significa que seu Mac não possui suporte a este recurso.) O problema é o chip Wi-Fi; alguns suportam redes ad hoc automáticas, enquanto outros não. O mesmo vale para computadores com Windows e pontos de acesso que usam o protocolo Windows Zero Configuration, da Microsoft, para auto-conexões via Wi-Fi. Gostaria que a Apple fizesse melhor que a Microsoft, talvez ao também usar a conexão local de rede. O AirDrop será um recurso legal – daqui uns cinco anos, quando todos os Macs tiverem suporte para ele.

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