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Opinião: conheça os principais problemas do iOS 6

Apesar de ter muitas qualidades e ser muito funcional, sistema do iPhone e iPad poderia corrigir falhas históricas e aprender com rivais Android e Windows Phone.

Lex Friedman, Macworld / EUA

17/12/2012 às 18h59

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Nada é perfeito, e os sistemas operacionais não são exceção.

Agora não confunda minhas reclamações sobre o iOS 6 como uma completa insatisfação: afinal de contas, ainda escolho usar esse sistema. Suas falhas não me levaram aos aparelhos Android ou Windows Phone, rivais da Apple. Mas não há razão para eu não conseguir gostar do iOS enquanto aponto algumas das suas imperfeições.

Muitas das coisas que me incomodam no iOS 6 são falhas antigas – algumas datam até do primeiro iPhone - e sim, deixamos os Mapas de fora da lista (até porque o Google Maps resolve esse problema enquanto a Apple não melhora seu serviço).

Sei que criar um ótimo sistema operacional baseado no toque é difícil. É um processo que apresenta desafios que são muito diferentes daqueles encontrados em sistemas baseados no uso de mouse e teclado. Enquanto a Apple deveria estar orgulhosa do que já conseguiu fazer com o iOS, a empresa de Cupertino agora precisa focar não apenas em criar novos recursos, mas também em melhorar alguns dos elementos base principais do seu sistema móvel.

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Seleção de texto complicada

Destacar texto no iBooks é um prazer: apenas deslize seu dedo sobre o texto desejado e pronto. Mas quando a ideia é fazer isso em outros apps, você toca, segura o dedo apertado, usa a lupa, e – quase inevitavelmente – fica mexendo um pouco o dedo. É pior no iPhone, mas também não deixa de ser problemático no iPad.

Alguns aplicativos tentaram melhorar essa questão ao implementar o conceito chamado de Hooper Selection (Seleção Hooper), em que deslizar o dedo pelo teclado na tela pode mover o cursor e selecionar o texto com gestos mais amplos e menos precisos. Mas é óbvio que a seleção de texto é um campo (sem trocadilhos, dessa vez) que a Apple ainda precisa melhorar.

E o problema não é simplesmente a dificuldade em destacar o trecho exato do texto de sua escolha. Em alguns aplicativos – especialmente no Safari (da própria Apple) destacar trechos específicos do texto leva muito mais tempo do que no Mac, porque problemas de layout e renderização tornam difícil para o navegador mobile entender exatamente qual trecho do texto você quer destacar.

Copiar e colar, que atualmente é um recurso que pode ser acessado por meio dos menus contextuais que aparecem mais ou menos sob demanda, pode ser algo mais fácil de ser melhorado do que a seleção de texto. Muito do processo de copiar e colar provavelmente parece desagradável e trabalhoso por causa dos problemas com a seleção de texto. Mesmo assim, ainda gostaria de ver a Apple melhorar a versão atual da função, que nunca pareceu particularmente natural.

Tela inicial

A abordagem da Apple para a tela inicial do iOS é datada. A confiável grade de ícones funcionou bem por bastante tempo, mas é hora de uma renovação.

Se você não está nem com um pouco de inveja da tela inicial de um Android ou Windows Phone, então não mexeu em um aparelho “rival” recente o suficiente. A Apple obviamente não precisaria (e não iria) reproduzir todos os recursos oferecidos pelos seus concorrentes nessa área, mas pegar alguns deles e implementar no iOS melhoraria substancialmente a experiência para os usuários, tanto novatos quanto veteranos.

A tela inicial de um aparelho Android pode incluir widgets como a previsão do tempo, acesso rápido a configurações como Bluetooth e Wi-Fi, eventos importantes do seu calendário, tuítes, uma caixa de busca onipresente, e muito mais. E o Windows Phone descarta essa conhecida abordagem de ícones quase que inteiramente em troca dos chamados tiles que podem refletir muito mais dados do que a tela inicial do iOS: os Live Tiles na tela inicial do sistema da Microsoft não fornecem apenas acesso rápido ao seu e-mail – eles exibem as últimas mensagens da sua caixa de entrada. O tile de calendário mostra seu próximo compromisso. E os Live Apps podem refletir seus conteúdos mais recentes (sua timeline, as notícias mais quentes, e por aí vai) na sua tela de bloqueio, sem ser preciso atualizá-los manualmente.

Organizar aplicativos no iOS ainda é um processo doloroso, não importa se você tenta fazer isso diretamente no iPhone ou a partir do iTunes no seu computador. O Windows Phone usa a conhecida abordagem “tocar e segurar” para organizar, mas o processo ainda parece consideravelmente mais simples porque o sistema da Microsoft usa uma única tela com scroll vertical para isso. Apesar de parecer que esse formato ficaria difícil de mexer se você tiver centenas de apps, ele funciona no Windows Phone porque a plataforma trata sua tela inicial mais como o Mac OS X trata o Dock: ela segura suas coisas favoritas, e você "cava" mais fundo (por meio de busca ou uma lista alfabética de todos os aplicativos) quando quer usar aqueles programas/apps que utiliza com menos frequência.

Apesar de essas abordagens parecerem estranhas para quem usa o iOS há muito tempo, isso não as torna piores. Suspeito que os usuários com mais de uma dezenas de telas cheias de apps, ou com mais de algumas pastas com ícones irreconhecíveis, dariam as boas-vindas para inovações de outros sistemas operacionais mobile.

Problemas de compartilhamento de dados

Compartilhar dados e documentos entre aplicativos no iOS ainda é um processo ruim. Os aplicativos que salvam documentos no iCloud, por exemplo, não podem compartilhar diretamente esses arquivos com outros apps. O melhor que você pode fazer é abrir uma cópia do seu documento ao começar pelo app de origem e usá-lo para mandar o arquivo para um segundo aplicativo. É um processo complicado, frustrante e nada intuitivo.

Esses mesmos problemas de compartilhamento de dados e arquivos afetam os aplicativos que usam armazenamento local de documentos em vez de depender do iCloud: você pode enviar apenas cópias de arquivos entre aplicativos – um incômodo sério.

O iOS evita o conceito de um sistema de arquivos acessível ao usuários, e isso pode não mudar nunca. Mas talvez a Apple pudesse ao menos dar um passo nessa direção, ao oferecer acesso no estilo Dropbox para documentos que você armazena no iCloud. Esse passo, com uma simples API para os desenvolvedores oferecerem acesso a arquivos ditos apropriados, significaria que qualquer aplicativo compatível poderia, digamos, abrir seu texto, arquivo Word, imagens e afins armazenados no iCloud.

Multitarefa

Dar um toque duplo no botão Home para navegar entre os aplicativos é um recurso conveniente. O fato de que os aplicativo podem congelar seu estado e resumi-lo quase que instantaneamente também é algo bom. Áudio em segundo plano, VoIP, funcionalidade GPS – também são todas coisas legais. Mas o iOS podia dar mais suporte para os usuários ativos de multitarefa.

Por exemplo, apesar de a barra multitarefa mostrada a partir do toque duplo no botão Home ser boa, está longe de ser ótima ou ideal. Uma interface inspirada no Mission Control (do OS X), mostrando telas dos seus aplicativos recém-abertos, pode oferecer muito mais utilidade.

Também adoraria ter a habilidade de conceder seletivamente para alguns apps a habilidade de extrair dados mesmo quando estão em segundo plano. Se meus aplicativos de rede social, notícias, e e-book pudessem – mesmo que uma vez ao dia – buscar por novos conteúdos sem a necessidade de serem iniciados, não correria o risco de entrar no metrô com o iPod Touch (que só possui Wi-Fi), para descobrir que todos esses apps estão vazios ou cheios de conteúdo antigo.

E agora?

A Apple, como sempre, fará o que quiser. O iOS 7 provavelmente será lançado em 2013, cheio de novos recursos que adoramos e talvez alguns que nos confundam. Vamos todos correr para baixá-lo, desde que nossos aparelhos iOS sejam suportados pelo update. Mas à medida que você continua venddo sistemas operacionais rivais por aí – com recursos ocasionalmente superiores – não fique surpreso se começar a olhar para outra direção.

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