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Opinião: não se preocupe com as ações da Apple, mas sim com os produtos

Por causa de fase ruim nos anos 1990, muitos fãs da empresa continuam tendo medo infundado de que companhia possa ficar "mal das pernas" de repente.

David Sparks, Macworld / EUA

15/02/2013 às 11h18

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Ultimamente tem aparecido várias notícias sobre a Apple e sua sempre tão falada “queda”. De repente, a comunidade sobre a “maçã” foi inundada com informações de quedas nos preços das ações da empresa, derrotas na Justiça, e análises de mercado altamente detalhadas. Como consumidores entusiastas da companhia, muitos de nós leem isso e nos preocupamos. Por que?

Suspeito que esse fenômeno não é nem de perto tão presente entre os “fãs” de produtos da Microsoft ou Samsung, por exemplo. As ações da fabricante do Windows estão estáveis há anos, e muito poucos usuários do sistema se importam com esses valores. Diria que a razão para que as notícias sobre a parte financeira da Apple mexa conosco é porque há uma porcentagem significativa da comunidade de fãs da empresa que vive em uma espécie de “cultura do medo”. Explico abaixo.

Os anos negros

Se você usa os produtos da Apple há um tempo considerável, talvez se lembre de um período nos anos 1990 em que a companhia estava muito mal das pernas. As notícias na época não eram sobre se a companhia de Cupertino iria “quebrar” e ser vendida em pedaços, mas sim sobre quem iria comprá-la quando o inevitável acontecesse. As coisas não estavam bem. A Apple havia perdido sua “magia” e todo mundo sabia disso.

Os negócios da Apple eram os nossos negócios – não porque tínhamos ações da empresa, mas porque havíamos aprendido a amar os produtos da fabricante, e se a Apple sumisse, os nossos Macs também iriam desaparecer. Ninguém gostava da ideia e, por isso, todos se preocupavam com isso. Essa experiência deixou uma marca nessa “comunidade” de fãs da Apple. É parecido com as pessoas que cresceram na época da Grande Quebra da Bolsa de 1929 nos EUA e, quando ficaram adultos, não podiam resistir em guardar aquela nota de 100 dólares debaixo do colchão. (Pelo visto, a Apple também aprendeu algumas coisas com essa época, já que possui dezenas de bilhões de dólares em caixa.)

O negócio é que a Apple não está mais na UTI como nos anos 1990. Na verdade, com mais de 130 bilhões de dólares no banco, a situação é realmente oposta ao vivido há alguns anos antes da volta de Steve Jobs. Isso são 130.000.000,000, dez zeros. Essa quantidade de dinheiro é quase inpensável. Apenas para ter uma ideia, a Apple pode gastar um milhão de dólares por dia durante 356 anos e não ficar sem dinheiro. Ou a empresa poderia comprar um iPad básico (que custa 500 dólares nos EUA) para 260 milhões de pessoas (isso sem dar um desconto para ela mesma). Esse valor é maior do que o PIB de muitos países. O valor de mercado da Apple é quase o mesmo valor de Google e Microsoft juntas. Como indicado pelos números, a empresa está em boas mãos, com pessoas inteligentes no comando.

Seja feliz

Meu ponto é que a Apple não mais sob ameaça de problemas financeiros ou fechamento, e não há nenhuma chance de a empresa parar de fazer os conhecidos iGadgets pelos  próximos anos. Você não será obrigado a usar um sistema ou aparelho de que não gosta, fique tranquilo. Esse ambiente hostil não será uma realidade para os fãs da Apple, e a “cultura de medo” dos anos 1990 de que falamos antes é agora obsoleta e irracional. Não há possível queda de ações, decisão da Justiça, ou comercial engraçadinho de rivais que vá mudar isso. Podem deixar o medo ir embora e apenas curtam seus produtos da Apple.

Na próxima vez que se pegar buscando detalhes das patentes dos rivais da Apple, estudando os meandros do mercado de ações, ou procurando na web para saber exatamente o que é uma injunção, pergunte a si mesmo se está realmente interessado nessas coisas ou apenas sendo impulsionado pela cultura do medo. 

O risco real para nosso uso contínuo de produtos da Apple não é alguma ameaça externa, mas sim um possível fracasso da própria Apple em lançar produtos e serviços que esperamos. Em vez de ficar preocupada com decisões da Justiça, a comunidade de fãs da Apple deveria voltar suas atenções para o que é entregue pela própria companhia de Cupertino, em termos de produtos e serviços. Deveríamos questionar por que a versão mais recente do iWork já tem quatro anos desde o lançamento e por que o iCloud ainda não é realmente o que esperávamos que fosse. Deveríamos questiona exatamente o que a Apple está fazendo para melhorar suas habilidades em fornecer serviços web à medida que eles se tornam cada vez mais importantes. Em outras palavras, devemos “manter a pressão” sobre a Apple para que ela faça sempre melhor hardware, software e serviços – mas deixar essa parte de negócios para elas. A companhia vai lidar com esse lado das coisas. Não é nosso problema.

Se livre desse medo. A Apple está mais do que bem. Pare de perder tempo prestando atenção nos negócios da empresa, e, em vez disso, foque nos lançamentos e ofertas da companhia. É hora de finalmente colocar essa ansiedade de lado e apenas curtir os produtos da Apple.

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