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Opinião: novo tablet da Microsoft não vai ameaçar o iPad

Apresentado nesta segunda, 18/6, Surface tem boas qualidades como o case com teclado, mas ainda precisa de muito mais para assustar a líder Apple.

Lex Friedman, Macworld / EUA

19/06/2012 às 16h02

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A Microsoft anunciou nesta segunda-feira, 18/6, seu novo tablet Surface, que chega “em breve” para brigar diretamente com o líder iPad.

O Surface é um tablet touchscreen com uma tela de 10,6 polegadas de alta definição. Ele vai rodar o Windows 8 ou o Windows RT (mais sobre isso abaixo) – usando o sistema operacional baseado nos “tijolos”(tiles) já familiar aos usuários de aparelhos Windows Phone.

O que a Microsoft demonstrou no palco do seu evento em Los Angeles, nos EUA, pareceu interessante. Ao menos, uma parte do que foi apresentado. Houve alguns pedaços espertos de inovação – mais especificamente a Touch Cover (no estilo da Smart Cover, da Apple) e a Type Cover. Cada uma delas se conecta magneticamente ao Surface para proteger sua tela, e elas podem acionar o mesmo comportamento de dormir/acordar que a Smart Cover do iPad (e agora, o Smart Case) consegue. A parte inovadora é que as capas se dobram como teclados para o Surface. A mais fina Touch Cover usa um teclado multitoque – as teclas não se mexem abaixo dos seus dedos, mas você pode descansar seus dedos nelas sem digitar. A Type Cover, mais espessa, usa botões de verdade.

Até o momento , ninguém de fora da Microsoft teve a chance de usar uma das capas do Surface, por isso é difícil o quão bem o conjunto funciona. Ainda assim, integrar um teclado ao case do aparelho é uma ótima ideia, e a Apple nunca foi tímida sobre fazer melhorias a partir de inovações de outros lugares – a ver os casos do Mac OS original, do iPod, e do Centro de Notificações para exemplos de três eras diferentes da companhia.

No entanto, alguns elementos do Surface não parecem ter muitas chances de chamar a atenção da Apple: o suporte integrado aparentemente define o Surface como um aparelho para ser usado apenas na orientação paisagem (horizontal), e não é compatível com as ideias estéticas suaves da Apple.

Obviamente, não saberemos realmente se o Surface é bom (ou não) até ser possível realmente colocar as mãos em uma versão funcional do aparelho. Em curto prazo, no entanto, mesmo com a Apple podendo ter ficado intrigada, duvido que a empresa esteja tomada por pânico após a apresentação do novo tablet de sua eterna rival.

Por exemplo, o Surface está cheio de elementos diversos que gritam “Microsoft”. Mais especificamente, ele será vendido com duas arquiteturas diferentes: um modelo baseado em chip da Intel com o Windows 8, e outro com processador da ARM e Windows RT. Os dois modelos serão mais pesados que o iPad, apesar de que a versão com Windows RT pode acabar sendo um pouco mais fina que o iPad, segundo a Microsoft. Apenas o Surface com Windows 8 Pro pode rodar apps normais do Windows além daqueles otimizados para tela sensível ao toque. Ambos os modelos terão configurações diferentes de tamanhos, incluindo até 128GB de capacidade de armazenamento.

A compra do iPad por si só também tem suas complexidades: os clientes precisam escolher entre modelos apenas com Wi-Fi ou versões de dados celulares (3G/4G), e então entre duas operadoras diferentes (isso nos EUA; no Brasil não há essa necessidade). Até o momento, a Microsoft não anunciou planos de incluir conectividade no Surface.

Os dois modelos do tablet da Microsoft terão uma porta USB, Mini DisplayPort, e um slot para cartão micro-SD. Há muito uso no mundo real para essas conexões, mas novamente, é muito improvável que a Apple adicione esses recursos ao iPad – por isso, eles provavelmente também não intimidam muito a Apple. Além disso, o Surface virá com uma caneta stylus.

Mas a verdade é que a vantagem da Apple aqui é enorme. A App Store inclui 225 mil aplicativos para o iPad: atualmente não existe nenhum app desenvolvido para o Surface. Mesmo com a Microsoft provavelmente cortejando e encorajando as principais criadores de apps a desenvolverem para sua plataforma, essa nem sempre é uma venda fácil.

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Novo tablet da Microsoft tem case com teclado multitoque e trackpad

Para alguns consumidores, um tablet deve rodar um pouco do Windows para interessa-los. A Apple nunca conseguirá convencer esses usuários, e nem precisa se preocupar com eles. Para todos os outros, há o iPad, uma série de tablets que não são o iPad, e o mercado de e-books tablets liderado pelo Kindle Fire, da Amazon, e o Nook Color, da Barnes & Noble. O Surface precisará ter uma ampla base de consumidores para motivar as fabricantes de apps a desenvolverem para o aparelho – o mesmo problema que continua a emperrar a aceitação do Windows Phone.

E existem outros dois elementos chave que o tablet da Microsoft ainda não possui: uma data de lançamento e um preço. O primeiro não é assim tão importante. Nenhuma fabricante de tablets conseguiu ainda ameaçar a liderança firme do iPad no mercado, e a Microsoft não pode ficar realmente mais atrás do que “muito, muito atrás” que já está no momento. Mas o preço do produto é algo muito significativo. Se a Microsoft não pode competir com o preço inicial de 500 dólares do iPad (nos EUA; no Brasil fica na casa de 1.600 reais) – é difícil imaginar como, com exceção de grandes inovações que ainda não tenham sido anunciadas, o Surface poderia realmente ameaçar o iPad.

Agora, faz sentido as fabricantes de mais um “tablet Android que parece o iPad mas é muito pior” ficarem nervosas com a investida da Microsoft. E não ficaria chocado se o mercado de ultrabooks descobrir que os clientes Windows preferem a abordagem do Surface. Por isso, mesmo que a Apple ainda não fique preocupada, acho que algumas fabricantes rivais das duas empresas deveriam ficar de olho na Microsoft.

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