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Opinião: o iPad pode matar o Flash – e isso é bom!

Especialista em segurança fala sobre os problemas da plataforma da Adobe e diz que até as limitações do tablet podem ser positivas para sua proteção

James Arlen - CSO / EUA

30/04/2010 às 13h09

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Quando o iPad foi apresentado, houve muito furor sobre o fato de o aparelho não incluir o que alguns consideram um recurso essencial – suporte ao Adobe Flash.

Potencialmente existem dezenas de razões para a exclusão específica dessa funcionalidade – inclusive explicadas por Steve Jobs em sua recente carta aberta. Mas o  mais provável é que Jobs queira controlar totalmente a experiência do usuário de seus produtos e ultimamente a Adobe não tem estado muito interessada na experiência do usuário de Flash no sistema OS X (que frequentemente sobrecarrega o processador sem razão aparente). Segundo Jobs, o Flash é a razão da grande maioria dos crashes no Mac OS X.

Na minha opinião, esse pode ser movimento muito bom para Internet. O Flash é ruim.

Da mesma maneira que o ambiente fechado do Facebook (também conhecido como AOL 2.0) é ruim para a Internet, ao colocar toda a experiência do usuário em  uma única lente – existe um mundo fora do Facebook, assim como também existe uma Internet além da web – ter um único fornecedor do Flash Interpreter significa  um gargalo envolvido na experiência do usuário.

Eu posso acessar recursos na Internet usando uma grande variedade de protocolos e programas. Eu posso escrever a minha própria interpretação daqueles protocolos se eu achar que ler o pacote todo de sessões HTTP não é a melhor maneira de acessar a Wikipedia. Eu não preciso fazer nenhuma engenharia reversa, só tenho de ler as especificações e começar.

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iPad: restrições à exibição de Flash pode ser algo positivo

A Adobe não fornece uma especificação para o Flash. É algo deles e é assim que vai continuar. Se continuarmos pelo caminho de permitir que o Flash domine a experiência do usuário de compartilhamento de informação, estaremos nos colocando em uma posição de sempre ter uma dívida com a Adobe, estaremos retornando para 1998 e a escolha de comprar o MS Office 97 por US$ 500 ou o Corel WordPerfect por US$ 80  e aceitar uma interpretação de baixo padrão da especificação fechada para os formatos de arquivo Office. Como seria isso?

Já se passaram dez anos e não apareceu um verdadeiro processador de texto concorrente, e a única inovação real em processamento de texto para desktop tem sido a reorganização de menus! A competição sempre será melhor para o consumidor.

Neste exato momento, a grande maioria das páginas padrão da web está disponível em quase tudo que consiga interpretar HTTP. Pode ser meu atual computador, laptop, netbook, smatphone, MP3 player, etc. A lista não termina.

Eu penso que discutir interfaces de Flash em prol do acesso de pessoas com limitações também é um tópico que precisa ser coberto.

Deveríamos falar sobre as vunerabilidades de segurança do Flash? Eu acho que não, a não ser para dizer que 2009 deveria ser conhecido como "O Ano da Vulnerabilidade do Flash".

A Apple disse “não” para o Adobe Flash e isso é ótimo
É claro que você está comprando a “experiência Apple” quando adquire um iPhone, iPod Touch ou iPad – você está preso com a visão deles de computação central – mas eles estão fazendo algumas coisas que ninguém mais parece conseguir. Eles estão redefinindo a “pilha” de informações e dados e os métodos do usuários interagirem com isso.

Eles redefiniram como as pessoas devem interagir com sua mídia – M4A e MP3 talvez não tenham a melhor qualidade, mas tornaram música, filmes e programas de TV mais acessíveis e utilizáveis para grande parte do mundo. Eles criaram o padrão mais alto.

E, fazendo isso, eles tornaram obsoletas gerações inteiras de paradigmas e forçaram indústrias a mudarem (na música - reintroduziram o “single” 20 anos depois do discos de 45 RPM; no cinema – agora todos os meus discos de Blu-Ray vem com a opção para fazer download digital).

Eu acho que eles estão a um passo de fazer a mesma coisa com os recursos informativos da Internet.

Se você tem uma certa idade, vai lembrar que seus primeiros contatos com a Internet não foram por meio de um computador próprio, mas provavelmente por um terminal em que você não tinha controle.

Quase tudo que consideramos ser "a Internet” foi desenvolvido em vários tons de laranja e verde em caixas que eram uma janela para um mundo melhor. Ter controle sobre recursos de computação local não é o atributo para inovação pela qual tantos sábios estão clamando.

Se você procurar na lista do que o iPad não tem, irá descobrir o sonho de um louco por segurança:

•    Dificuldade ou impossibilidade para rodar processos em segundo plano  sem autorização.

•    Disponibilidade de software limitada com processos barrocos de aprovação.

•    Browser limitado (8 páginas por vez) com engine maduro e suporte a padrões.

•    Armazenamento local limitado, com acesso apenas para informação armazenada localmente.

•    Servidor limitado para processos de escuta (apenas o mDNS do iTunes).

•    Não tem Adobe Reader (utiliza o leitor de PDF criado pela Apple)

•    Não tem Adobe Flash

Essa é exatamente a máquina que eu gostaria que estivesse nas mãos de um usuário sem muito conhecimento técnico – muito mais segura do que uma máquina comum Windows, que é a representação da falta de sofisticação em sua essência.

Nós já vimos que a plataforma do iPhone e do iPod Touch têm apelo  – há mais iPhones por aí do que todo mundo esperava no lançamento. Esses iPhones levaram um grande número de produtores de informação a fornecer sites ou apps específicos para o aparelho.

Com o lançamento do iPad (e mais ainda quando o iPad 2 for lançado por um preço menor) haverá um caminho adicional para se criar sites e apps que se comuniquem de maneira mais próxima com os sistemas operacionais do iPhone e do iPad. E a não ser que ocorram mudanças significativas entre Apple e Adobe, essa demanda adicional não vai incluir o Flash.

Se você está prestes a começar a desenvolver uma grande plataforma de entrega de informações e planeja colocá-la em Flash, talvez seja melhor pensar em outras opções.

O iPad pode representar a morte do Flash – e essa talvez seja a melhor coisa para a Internet.

*James Arlen é especialista em segurança de sistemas.

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