Home > Notícias

Opinião: por que Jobs e seus fanboys estão errados sobre o Flash

Argumentos para não aderir ao formato se baseiam mais em opiniões do principal executivo da Apple do que na realidade

J. R. Raphael - Computerworld/EUA

03/09/2010 às 16h34

Foto:

Há uma pergunta que divide opiniões no mundo da tecnologia em dois grupos diferentes: um celular deve ter suporte ao padrão Flash ou ele deve ser esquecido, como quer Steve Jobs, principal executivo da Apple?

Essa questão tem representado o ponto principal da batalha "Android VS Fanboys da Apple" (ou "padrão aberto VS um só cara decidindo o que é melhor para o seu aparelho")  mas, neste caso, grande parte dessa briga tem sido mais retórica do que concreta. Muito simples: a maioria das pessoas que dispensa o uso do Flash para smartphones nunca usou realmente um celular com o recurso.

Com o Android 2.2 conquistando cada vez mais dispositivos (o modelo Droid Incredible já tem disponível a atualização e o Droid X deve receber em breve), aqueles de nós que valorizam o poder de escolha na tecnologia estão tendo a oportunidade de experimentar  o celular com Flash. Após algum tempo usando o aparelho e vendo sua performance, tenho que dizer: Steve Jobs e os seguidores radicais não poderiam estar mais errados. 

A experiência do Flash no Android, no mundo real
Depois de instalar o Adobe Flash Player no meu celular Android, a primeira coisa que pude notar foi que de repente toda a web podia ser acessada. Podem falar o que quiser sobre o Flash estar morto, que há tecnologias melhores, ou qualquer outra coisa; o fato é que a esmagadora maioria dos sites utiliza Flash, e não ter acesso a eles restringe o que pode ser feito. 

Antes de ter Flash no meu dispositivo, eu certamente já estava a par dessa restrição; negar essa tecnologia é ignorar a existência de grande parte legítima de conteúdo. Sejam vídeos exclusivos de uma banda em seu site ou recursos integrados ao design de uma página, qualquer um que passa muito tempo navegando com internet móvel e diz que nunca encontrou uma caixinha azul não está sendo honesto.

Até o CEO da Apple na apresentação do iPad acabou deixando escapar um aviso de “conteúdo não encontrado”, apesar de o departamento de marketing da Apple ter mais tarde feito o problema desaparecer como um passe de mágica

 

flash_300.jpg

Não adianta fugir: o Flash é o padrão na web

Um dos maiores argumentos contra o suporte ao Flash para smartphones é a performance: habilitar o recurso faz as páginas carregarem mais lentamente, entram em conflito ou descarregam a bateria do celular rápido demais. Muitos usuários de iPhone que nunca tiveram Flash em seus celulares gostam de usar esses fatores. A verdade, claro, é que eles estão se apoiando em argumentos exclusivamente embasados em falas de Steve Jobs – e todos nós sabemos o que é preciso para interpretar o real significado das palavras do homem. 

Flash no Android: um leque de opções
Após usar exaustivamente o Flash no meu celular, posso dizer que não tive problemas com performance, estabilidade ou autonomia de bateria. O ponto chave que muitos blogueiros da Apple falham em entender sobre a implementação de Flash em um celular é que ter o Adobe Player no seu aparelho não significa que o usuário automaticamente carrega cada pedaço de material em Flash em cada página.

Obviamente, se fosse preciso baixar todos aqueles dados adicionais, mais banda consumida – o que faria com que a página demorasse mais para carregar. Isso não é nenhuma surpresa; a mesma coisa aconteceria se o usuário tivesse que requisitar mais banda larga para qualquer página com qualquer tipo de conteúdo. Mas não é assim que o Flash realmente funciona em um smartphone. 

Com o Flash Player propriamente configurado em um celular, o usuário opta por carregar conteúdo Flash só quando desejar. É o chamado “processamento por demanda” e faz a maioria dos argumentos contra o suporte ao Flash inválido. Alguns browsers do Android possuem a opção de processamento por demanda habilitada como padrão; em outros, é possível selecioná-la ao checar configurações de plug-in dentro do menu do navegador.

Com a opção habilitada, um pequeno ícone é mostrado toda vez que um material em Flash está disponível. Se quiser ativar o objeto, basta tocar no botão; caso não queira, o material nunca carregar ou afeta a navegação do usuário. 

Isso destaca o ponto mais importante sobre o suporte ao Flash em um smartphone: é uma opção. Se você não quiser usar, não precisa usar. Posso optar por nunca ativar o conteúdo Flash nas páginas em que navego ou posso optar por desinstalar todo o Adobe Flash Player se eu quiser. Mas tenho essa escolha; é o meu celular e é minha a decisão. 

Os argumentos contra a adesão de suporte ao Flash estão ficando cada vez mais absurdos. Todos os smartphones Android suportam Flash nesse momento? Não. Quando um dispositivo recebe um upgrade do Android é em grande parte nas mãos do fabricante, logo há uma alguma variação, sim. Mas, embora alguns usuários de Android tenham que esperar um pouco mais, para a vasta maioria a escolha está a caminho. Isso é mais do que pode ser dito em certa plataforma móvel...

O Flash em um smartphone pode não ser mágico, mas é prático. Para aqueles entre nós que vivem na realidade, praticidade e liberdade para usar nossos celulares do jeito que queremos é essencial.

E você, o que acha da briga Apple x Adobe? Deixe sua opinião.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail