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Opinião: Por que o iOS e o Mac precisam de suporte nativo para Facebook

Após anúncio de integração com o Twitter também no Mountain Lion, é a hora de a Apple fazer o mesmo com a maior rede social do mundo

Lex Friedman, Macworld / EUA

20/02/2012 às 13h42

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Quando a Apple apresentou o iOS 5 em junho de 2011, um dos principais recursos anunciados pela empresa foi a integração do Twitter com todo o sistema: tire uma foto, veja uma página interessante no Safari, ou encontre um ótimo vídeo no YouTube, e o iOS 5 te permite compartilhar isso de modo rápido com o Twitter por meio da ferramenta embutida Tweet Sheet. Quando o update Mountain Lion chegar no meio desse ano, o suporte nativo para o Twitter também vai desembarcar nos Macs.

Mas e o Facebook? Em dezembro de 2011, a rede social informou que tinha cerca de 850 milhões de usuários ativos. E metade deles acessou o Facebook por meio de um aparelho móvel alguma vez. (Analistas estimam que o Twitter alcançará a marca de “apenas” 250 milhões usuários ativos até o final de 2012.)

Por que a Apple e o Facebook não se unem pelos quase 1 bilhão de usuários da rede social de Mark Zuckerberg com uma integração profunda e por todo o sistema?

O que o compartilhamento nativo com o Facebook poderia oferecer

Atualmente, os fotógrafos de iPhone que querem compartilhar suas imagens pelo Facebook geralmente tiram suas fotos no app Câmera, depois mudam para o app do Facebook, apertam no botão para postar uma imagem, tocam no botão para escolher uma fotografia a partir da biblioteca de imagens, selecionam a foto, e então finalmente podem apertar o botão para postar a foto. Para tuitar uma imagem a partir do app Câmera, obviamente, você tira a fotografia, toca no botão Compartilhar (Share), escolher Tuitar (Tweet), e então aperta para enviar seu post. Muito menos botões.

Como o Facebook oferece muito mais tipos de dados do que o Twitter, a integração da rede social com o iOS e o Mac poderia, na verdade, aparecer em mais lugares. Por exemplo, incluir uma opção para compartilhar um evento no Calendário como um evento do Facebook faz bastante sentido.

O software desktop iPhoto, da Apple, já oferece uma ótima integração com o Facebook – e nenhuma integração com o Twitter. Ou seja, essa claramente não é uma limitação tecnológica. A Apple poderia integrar com o Facebook se quisesse. Então o que impede isso de acontecer?

A Apple recusou a “solicitação de amizade” do Facebook?

Um porta-voz do Facebook disse à Macworld: “O iOS é uma plataforma importante para o Facebook e nós temos uma boa relação com a Apple, trabalhando de forma próxima com a equipe de desenvolvimento deles em nossos apps do Facebook e do Facebook Messenger.” 

Então, esse “bom relacionamento com a Apple” significa que a integração com o Facebook pode chegar em breve aos dois principais sistemas da Apple? “Como vocês sabem, nós não comentamos sobre o que podemos ou não lançar no futuro”, afirmou o porta-voz da rede social. 

A Apple, por sua vez, indicou que não tem nada a comentar sobre o assunto. Mas a empresa já tinha falado sobre sua relação com o Facebook em setembro de 2010, sobre o então lançamento da sua pouco popular rede social musical Ping.

Quando o Ping foi lançado, oferecia integração com o Facebook Connect, o que significa que você podia seus amigos do Facebook no Ping. Então, o Facebook Connect desapareceu do Ping.

Na época, Steve Jobs, então CEO da Apple, disse ao site All Things Digital que o Ping não teria integração com o Facebook porque a rede social de Mark Zuckerberg exigiu “termos onerosos com os quais não podíamos concordar”. Antes da declaração de Jobs, a Apple havia mencionado publicamente a conexão do Facebook com o Ping, mas algo claramente mudou horas depois do lançamento da rede social musical da “maçã”.

Na reportagem do All Things D publicada na época, é mencionado que alguns executivos do Facebook estavam aborrecidos com algumas semelhanças de design que notaram entre o Ping e o Facebook. A versão da Apple, como expressada por Jobs, é que o Facebook queria mais dados pessoais dos usuários do Ping do que a Apple estava disposta a compartilhar.

Mas quanta proteção é exagerada?

Eu tuíto. Eu tuíto demais. Mas minha esposa, meus pais, minha sogra, e a maioria dos meus amigos locais ou criaram uma conta no Twitter e depois a abandonaram, ou nunca nem visitaram o microblog. Mas todos eles possuem (e usam) perfis no Facebook.

Se os usuários da Apple querem e podem se beneficiar a partir da integração com o Facebook – e acho que a resposta é positiva nos dois casos – talvez a “maçã” devesse seguir os passos de uma empresa que queria proteger a privacidade dos seus usuários, mas eventualmente decidiu colocar a decisão nas mãos dos seus usuários. Essa companhia? A Apple.

Quando lançou a opção de assinatura dentro dos apps para a sua App Store, a Apple inicialmente disse aos editores de conteúdo que teria todos os dados dos seus clientes e não os compartilharia. A Apple eventualmente soltou um pouco as rédeas, oferecendo aos consumidores a opção de optar por compartilhar suas informações com os editores. É uma decisão boa, uma vez que (na maior parte das vezes) agrada aos editores, e certamente mantém a soberania da privacidade dos clientes.

Essa é a mesma abordagem que a Apple deveria adotar para a integração com o Facebook: se os usuários estão dispostos a compartilhar com o Facebook, então a Apple deve oferecer um meio amplo que abrange todo o sistema para eles fazerem isso.

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