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Opinião: por que o iPad ainda não pode substituir um Mac

Apesar de ganhar na portabilidade e possuir ótimos recursos, tablet da empresa ainda não realiza muitas funções importantes dos computadores.

Ted Landau, Macworld / EUA

22/02/2013 às 14h45

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Quando a Apple lançou o iOS 5 em 2011, a empresa afirmou que estava inaugurando uma nova era “livre de computadores” para os aparelhos iOS. Você podia ao menos “cortar o cordão” entre seu Mac e aparelho iOS: com o update era possível pela primeira vez ativar, sincronizar, e fazer backup de um aparelho iOS sem nunca precisar conectá-lo a um computador.

Isso levou a inevitável pergunta seguinte: agora que é possível manter um iPad sem nunca conectá-lo a um Mac, é hora de se livrar do Mac de uma vez por todas? Deveríamos planejar vender nossos MacBooks ou iMacs e ficar apenas com o tablet da Apple?

Essa pergunta possui duas respostas totalmente opostas.

A primeira delas é um sonoro “sim”. Muitos donos de iPad conseguem se virar apenas com o tablet. Para eles, um laptop sempre foi algo desnecessário, um produto mais poderoso do que precisavam. Tudo que eles querem é um aparelho que consiga lidar com o e-mail, web, e algumas tarefas relacionadas. Com a conexão de dados do iPad, muitos deles nem precisam ter uma conexão Wi-Fi muito rápida em casa. Esses usuários ainda são a minoria, mas estão crescendo.

Para uma variedade de profissionais, desde corretores imobiliários até médicos, o iPad é suficiente de forma parecida – ou quase. Quando é preciso mostrar aos clientes os últimos anúncios de casas e apartamentos ou exibir um tour virtual, a tela sensível ao toque do tablet é uma opção muito mais natural do que um notebook mais pesado com seu teclado intrusivo. Sim, alguns deles ainda mantém um Mac nas suas mesas, disponível para as poucas tarefas que o iPad não consegue realizar. Mas quando a mobilidade é exigida, é iPad até o fim.

A segunda resposta para a pergunta é, então, um relutante “não”.

Pode me contar nesse lado do “não”. Tenho um iPad. E não o abandonaria facilmente. Apesar de também ter um Mac Pro e um MacBook Pro, é o iPad que recebe a maior parte do uso em um dia normal. Desde ler notícias, até encontrar horários de cinema, caminhos no mapa, checar meu feed no Twitter, e jogar games, me viro para o tablet sempre que estou em casa, mas longe da mesa. E, apesar de algumas vezes ainda querer um MacBook quando estou fora de casa, o iPad está chegando perto de substituir meu laptop mesmo nessas situações. É apenas quando estou trabalhando no meu escritório que o Mac Pro permanece como uma parte importante do meu fluxo de trabalho. Mas isso corresponde a uma parte significativa do meu dia, por isso não tenho nenhuma intenção de abandoná-lo.

A Apple provavelmente não preocupa muito com tudo isso. Espero que a empresa esteja feliz em “causar” essa dicotomia – especialmente se isso significar que as pessoas acabem comprando um Mac E um iPad, em vez de escolher apenas um ou outro.

Mesmo assim, continua como uma tendência persistente na imprensa prever um eventual fim do Mac pelas mãos do iPad. Ah é! Para pessoas como eu considerarem abandonar seus Macs, algumas mudanças fundamentais precisariam ser feitas no iPad. Confira abaixo o mínimo que teria de mudar para isso acontecer.

Melhores opções de armazenamento externo e backup

Mais do que tudo, um iPad “matador de Mac” precisa de armazenamento externo local e de fácil acesso – para realizar backups e arquivar dados. O atual modelo “'top de linha” tem 128GB de espaço para armazenamento. Mesmo que isso fosse suficiente para todos os seus dados, como você fazer backup sem um computador?

Apesar de a Apple anunciar o iCloud como um backup para o iPad, a companhia reconhece que o serviço na nuvem é melhor para usuários que não conectam seus aparelhos iOS a um Mac muito frequentemente ou “não possuem um Mac”. Para o restante de nós, a empresa ainda aconselha fazer backup via iTunes em um Mac. Uma razão importante para isso é que “o backup do iCloud não faz backup de músicas, filmes, e programas de TV que não foram comprados pela iTunes Store”.

Para mim, há muito para fazer. O iTunes Match pode ajudar em alguns desses “buracos”, mas não é realmente feito para funcionar como um meio de backup.

Mesmo que o iCloud fizesse backup de qualquer arquivo, ainda não seria o bastante. Um bom backup deve permitir que você busque por e restaure arquivos específicos. Suponha que eu acidentalmente apague um documento do meu iPad e queira recuperá-lo rapidamente pelo meu backup do iCloud. Não há como fazer isso. Você só pode fazer uma restauração completa.

Leve em conta também a questão de espaço para arquivar seus documentos. Com meu Mac, possuo HDs externos que “aguentam” muitos GB de dados, incluindo uma grande coleção de músicas, vídeos, e fotos. Eles acumulam muito mais do que 256GB, por isso não há como armazenar tudo isso em um iPad, mesmo que ficasse feliz em fazer isso. Por mais que não precise muito desses arquivos no dia a dia, não quero apagá-los. Pelo contrário, quero poder visualizar e editar esses dados de forma periódica. Novamente, fazer isso com um iPad é quase impossível.

Soluções na nuvem de outras empresas também não são a resposta. Por exemplo, há a questão do custo. Armazenar 500GB de dados no Dropbox, por exemplo, vai te custar cerca de mil reais (500 dólares) por ano. Isso é mais do que estou disposto a pagar. De qualquer maneira, não iria querer que minha única fonte de backup e arquivamento fosse algo que exige uma conexão com a Internet para ser acessada.

Atualmente, tem ficado cada vez mais populares os aparelhos que permitem conexões sem fio para acessar dados armazenados. Algumas dessas alternativas incluem o siUSBport, da Hyper, o meDrive, da Kanex, o Wireless Plus, da Seagate, e o Transporter, da Connected Data.

Esses aparelhos parecem todos atraentes, e cada um oferece vantagens únicas. São feitos especialmente para que o usuário faça streaming de arquivos de mídia que não estejam armazenados no iPad. No entanto, eles não podem servir como alternativas de backup ou arquivamento. Eles falham como opções de backup porque você não pode clonar um iPad para eles, ou mesmo copiar todos os seus dados de sistema "não iOS". Além disso, na maioria dos casos, acessar os seus dados exige um aplicativo especial para funcionar com o aparelho. Isso torna impossível abrir arquivos de, ou salvar arquivos no aparelho por meio de outros apps para iPad.

Resolver todas essas preocupações exige que a Apple renove substancialmente suas restrições relacionadas ao iOS. A empresa já deu indicativos de que quer fazer isso, resta saber quando acontecerá. Até lá - ou até os apps e aparelhos de terceiros encontrarem uma solução - o armazenamento externo inadequado continuará sendo um fator negativo para ficar apenas com o iPad.

Melhor suporte para acessórios com cabos

Armazenamento pode ser o exemplo mais crítico das deficiências de periféricos do iPad, mas está longe de ser a única. Para conexões com fios, você está limitado a conectar apenas um acessório por vez – por meio do conector Lightning. E mesmo com o Kit de Conexão de Câmera, da Apple, você fica limitado em termos do que pode conectar. Mais especificamente, uma variedade de acessórios USB não podem ser usados com um iPad.

De maneira parecida, você não pode mudar para uma tela maior ao conectar um monitor Cinema Display (da Apple) a um iPad, como faz com um MacBook. Não é possível fazer isso via AirPlay. E mesmo que você pudesse, o Cinema Display não é uma tela sensível ao toque, limitando a efetividade do seu uso.

Melhor capacidade para digitação

Para mim, a principal razão pela qual ainda levo meu MacBook quando preciso trabalhar na rua, eventos e/ou viagens é simples: digitar. Sempre que espero passar um tempo de qualidade com um teclado, quero algo além do layout virtual do iPad. Apesar de teclados Bluetooth para iPad, como o Zagg Folio ou a Ultrathin Keyboard Cover, da Logitech, resolverem boa parte das minhas preocupações, eles não são inteiramente satisfatórios. Por exemplo, digitar é uma tarefa que quase nunca se beneficia de uma tela touchscreen. Sempre que preciso usar a ferramente de lupa do iPad, o que ainda faço com um teclado físico, resmungo baixinho “fail”. E, apesar de o iPad possuir ótimos aplicativos de processamento de texto, todos perdem em capacidade para as opções disponíveis no Mac.

Várias janelas

Uma das maiores limitações da versão atual do iOS é que ele não consegue realizar multitarefa de verdade. Apesar de algumas pessoas poderem preferir a simplicidade e o foco do modo de tela cheia (e a Apple certamente promove isso), eu não penso assim. Preferiria muito poder visualizar meu feed do Twitter ao mesmo tempo em que estou escrevendo uma reportagem. E também gostaria de poder copiar texto de um documento para outro com ambos os arquivos visíveis ao mesmo tempo. Apesar disso poder ser feito de maneira fácil em um Mac, atualmente é impossível de fazer em um iPad.

Resumo

Apesar de essas serem as principais limitações, muitas outras não tão grandes ainda podem ser consideradas críticas por alguns usuários. Você pode ter aplicativos essenciais no Mac que não existam para iPad. Você pode não querer que suas opções de apps fiquem limitadas apenas ao que a Apple permite em sua App Store.

Mesmo assim, para as pessoas que possuem um Mac desktop e um laptop, acredito que está chegando o dia em que poderão abandonar seus MacBooks por um iPad. Mas o dia em que o iPad poderá substituir todo e qualquer Mac não está nem perto.

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