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Opinião: por que o iPad precisa de suporte para múltiplas contas

Mudança seria solução para família e/ou casais que não podem comprar mais de um tablet, mas querem manter suas configurações e dados pessoais no aparelho.

Kirk McElhearn, Macworld / EUA

06/03/2013 às 16h11

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Imagine essa cena comum: uma família compartilha um iPad, com cada pessoa lutando para manter do aparelho tempo o bastante para jogar seu games favorito, checar o Facebook, enviar e-mails, e navegar pela web. Mas como o iPad só pode ter uma conta, a mãe não pode realizar essas atividades cotidianas no tablet, a não ser que use opções como webmail e o site da rede social. Além disso, os favoritos e o histórico de navegação dela ficam visíveis para todos os outros usuários, assim como qualquer informação e senhas salvas e/ou com recurso auto-completar.

A maioria das pessoas contorna esse problema ao não usar um iPad compartilhado para e-mail e outros dados pessoais – mas por que elas precisariam limitar seu uso do aparelho? A Apple poderia facilmente resolver essa situação ao adicionar contas múltiplas no iOS.

Múltiplas como no OS X

Estamos acostumados a trabalhar com múltiplas contas de usuários desde os primeiros dias do Mac OS X. Fazer login e logout de um Mac compartilhado não é nada demais: muitas pessoas fazem isso regularmente no dia-a-dia. Apesar de alguns casais ou famílias compartilharem uma única conta no Mac, eles estão perdendo uma variedade de benefícios. Em um iPad – vamos focar no tablet da Apple aqui porque o iPhone tende a ser um aparelho realmente mais pessoal – ter múltiplas contas permitiria que você “acordasse” o aparelho, visse uma tela com vários ícones, tocasse ou deslizasse para aquele da sua conta, digitasse uma senha, e então pudesse acessar sua própria configuração e dados pessoais.

Muitos casais e famílias dividem seus iPads, e em meu papel como o cara que responde as dúvidas sobre iTunes na Macworld nos EUA, costumo receber muitos e-mails perguntando sobre como configurar um iPad para múltiplos usuários. Algumas pessoas estão preocupadas sobre a segurança dos seus e-mails; outras tem preocupações sobre seus favoritos e histórico de navegação; e outros simplesmente não querem que seus filhos tenham acesso a todos os seus apps do aparelho (muitos poucos apps individuais exigem senhas para o acesso do usuário).

Como poderia funcionar

Um sistema com múltiplas contas de usuário resolveria todos esses problemas. Cada usuário poderia configurar uma tela inicial separada, e teria configurações pessoais definidas, assim como acontece em Macs compartilhados com mais de uma conta. Os usuários teriam suas próprias contas de e-mail, favoritos, contatos, calendários, e por aí vai, sempre configurados. Além disso, seus games ficariam conectados às suas contas no Game Center, e poderia ver seus próprios status pessoais, pontuações mais altas, e as fases de “Angry Birds” que já completaram.  Também poderia jogar “Letterpress” sempre que quisessem, e talvez ter a própria coleção de apps – se o recurso permitisse essas opções. Por último, cada usuários poderia “esconder” qualquer um dos aplicativos instalados no aparelho.

Esse novo setup para mais de um usuários exigiria algumas mudanças para gerenciar um iPad compartilhado. Em um aparelho iOS que sincroniza com um computador específico rodando o iTunes, as contas de usuários talvez tivesse de ser gerenciadas por meio de uma interface web (com uma Apple ID no processo). Um usuário ainda teria de lidar com a sincronização de conteúdos. O computador sincronizaria apps e arquivos de mídia, como fazer agora; mas outros dados, como contatos e favoritos, teriam de ficar armazenados no iCloud e permitirem o gerenciamento por um navegador na web ou, talvez, por meio de um app dedicado do iCloud feito para essa função. O iCloud (e o Game Center) já pode lidar com muitos desses dados; os únicos dados novos seriam os setups da tela inicial e as listas de apps dos usuários. Para lidar com as contas de usuários, aplicativos de terceiros teriam de se “ligar” ao iCloud também, mas muitos já fazem isso para armazenar arquivos ou dados.

Para “proteger” as crianças de determinados apps ou conteúdos, o pai responsável por sincronizar os aplicativos poderia escolher quais apps e as restrições que seriam aplicadas (ou não) à conta de cada criança. O efeito seria parecido com o Controle de Pais (Parental Controls) do OS X, e a configuração Restrições (Restrictions) no iOS.

A Apple poderia até permitir que cada usuário escolhesse quais arquivos de mídia pode sincronizar e acessar com a conta. Imagine um app parecido com o Remote – que te permite controlar a reprodução do iTunes a partir de um aparelho iOS – isso te permitiria escolher quais itens sincronizar com a sua conta em um iPad compartilhado. Você inevitavelmente esbarraria em situação em que um usuário tentaria carregar todas as cinco temporadas de “Breaking Bad”, mas o iPad já estaria cheio porque outra pessoa colocou duas temporadas de “Walking Dead” no aparelho. Para evitar essa “briga” por espaço, cada conta de usuário poderia ter um limite de uso de dados – podendo ser uma porcentagem da capacidade total, ou uma quantidade definida.

Obviamente que a Apple preferiria que nós apenas comprássemos mais iPads para servir a cada membro da casa. Mas para quem não pode arcar com essa despesa, especialmente em um país como o Brasil, a melhor maneira de tornar os iPads mais flexíveis é permitir que cada usuário tenha sua própria conta no tablet.

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