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Opinião: Por que o sexo nos games continua a ser um tabu?

Apesar de a violência sangrenta já ter sido aceita há anos pela indústria, sexualidade continua a enfrentar resistência das grandes produtoras.

GamePro / EUA

07/04/2011 às 17h49

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O desenvolvedor da série “BioShock”, Ken Levine, recentemente descreveu as cenas de sexo nos games como sendo algo mais próximo da animação escrachada “Team America” (dos criadores de “South Park”) do que do recente filme “Cisne Negro”, que rendeu o Oscar para Natalie Portman. Será que é hora de crescermos um pouco?

A questão de sexo nos videogames é algo que ainda não foi resolvido com qualquer grau de certeza. Apesar de certamente estarmos vendo mais cenas de sexo nos jogos do que costumávamos, elas ainda são muito pudicas, chegando ao ponto de seus personagens manterem suas roupas de baixo na maior parte dos casos. Muito disso provavelmente se deve ao desajeitamento de personagens poligonais fazerem qualquer coisa que envolva um tocar o outro, mas também há outras questões a serem consideradas.

A pergunta principal que deve ser feita é: nós realmente precisamos de sexo nos videogames? A resposta simples é “claro que não precisamos” – mas os roteiristas que queiram explorar narrativas com temas de romance, amor e sexualidades não deveriam sentir que foram barrados. Pelo contrário, os títulos agora são jogados por um público tão mais amplo que não há razão para não vermos mais entretenimento mainstream interativo com um tom mais adulto.

Levine possui uma teoria e compartilhou-a com o site VG247 em uma entrevista recente.

“O fato de isso ainda ser controverso mostra que a percepção da indústria é a de que estamos fazendo brinquedos ou algo do tipo, ao contrário de produzir expressões criativas para uma audiência ampla – incluindo adultos.”

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Indústria de games ainda não sabe como lidar corretamente com a presença de sexo nos jogos

As desenvolvedoras e distribuidoras superaram seu medo de violência gráfica sangrenta há muito tempo, mas o sexo continua sendo um grande tabu. O recém-lançado “Dragon Age II”, por exemplo, traz um nível de “gore” ("sanguinolência") que deixaria envergonhada a famosa série de luta “Mortal Kombat”, mas ai de mostrar de relance um simples mamilo durante uma cena íntima. Isso acontece em parte por causa da reação exagerada de gigantes da mídia como a Fox News quando notícias de cenas de sexo nos jogos chegaram a público, mas também é evidência de um certo nível de puritanismo por parte das maiores desenvolvedoras e distribuidoras de games em especial.

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De modo oposto, a cena independente parece ter poucos problemas em explorar a sexualidade quando apropriado. Muitas novelas visuais japonesas, por exemplo, trazem temas fortes relacionados a amor romântico, e o uso de sexo é normalmente uma parte importante da exploração desses temas. O recente título freeware “Don´t Take It Personally, Babe, It Just Ain´t Your Story” também explora sexualidade, tanto hetero quanto homossexual, apesar de fazer isso mais com implicações do que cenas explícitas. Mas mais importante ainda, não trata o jogador como uma “flor delicada” que pensa que o sexo é algo sujo, obsceno e indecente.

Sexo é uma experiência de vida importante e fundamental. Incluir sexo em um jogo não torna esse game pornográfico – mas também não significa que os desenvolvedores tenham que se conter quanto a isso. Atualmente, a maior parte das principais empresas do mercado está agindo de modo parecido com um grupo de adolescentes animados olhando para um catálogo da Victoria´s Secret e torcendo para que suas mães não os encontrem.

É hora de crescermos, e ficarmos pelados de maneira confortável.

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