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Opinião: Por que os eventos da Apple sempre dominam as atenções

Saiba como a companhia faz para que suas apresentações, como a agendada para amanhã, façam barulho antes, durante e depois; feito é único em todas as indústrias

Lex Friedman, Macworld / EUA

06/03/2012 às 13h52

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Nesta quarta-feira, 7/3, a Apple vai apresentar algo novo. A empresa ainda não falou muito sobre seus planos para o evento; a foto de um iPad presente no convite e seu texto disperso (“Nós temos algo que você realmente precisa ver. E tocar.”) são as únicas pistas oferecidas pela empresa até o momento.

Se você é um leitor regular da Macworld Brasil, segue as notícias da Apple em qualquer lugar na web, ou se simplesmente é interessado por tecnologia – já sabe sobre o acontecimento desse evento da Apple. E você também sabe que a expectativa geral para o evento é que a Apple apresente especificamente uma nova versão do iPad, trazendo uma tela muito melhor do que a presente nos modelos anteriores.

O ciclo de vida dos eventos da Apple

Os eventos da Apple, como esse de amanhã, possuem um ciclo de vida próprio, e eles são longos. Por meses, existem rumores sobre o que a companhia pode ou não estar preparando – muitos dos quais são risíveis e impensáveis. Então aparecem até mesmo especulações sobre quando a Apple realizará seu próximo evento especial para anunciar novos produtos. Agências de notícias correm para ser as primeiras a noticiarem essas datas assim que elas são confirmadas; até mesmo as datas dos próprios anúncios da Apple viram notícia.

Em algum ponto, a Apple envia por e-mail convites para membros selecionados da imprensa de tecnologia. Assim começa outra rodada de correria insana, uma vez que a Macworld, outras publicações de tecnologia, e outros veículos de notícias lutam para publicar notícias sobre os convites – e também tuitar rapidamente sobre a novidade. E então começa a análise dos convites.

Dessa vez, o debate online foi sobre se o convite da Apple mostrava um iPad sem o botão Home ou se isso era obra de um erro no Photoshop ou coisa do tipo. Além de estudar o convite da empresa minuciosamente, os especialistas também analisam o texto, como o que a linha “E tocar” pode realmente querer dizer para os usuários, se teria algo a ver com uma nova função do teclado virtual do tablet.

Na quarta, os rumores vão parar, ainda que por pouco tempo. Será quando a Apple realmente estiver apresentando o muito aguardado evento, com ao menos uma dúzia de sites (incluindo a Macworld Brasil) realizando transmissão ao vivo do evento para grandes audiências online. Grandes redes de TV falarão sobre os anúncios da Apple em seus jornais na quarta à noite. E na quinta – ou mais realisticamente, quarta à tarde e à noite – os especialistas começarão novamente a analisar os pontos positivos e negativos das novidades apresentadas pela Apple.

Dominando o ciclo de notícias

A habilidade da Apple dominar o noticiário de tecnologia antes, durante e depois de seus eventos especiais é impressionante e única não apenas em seu mercado, mas essencialmente em todos eles. Qual outra companhia consegue tanta atenção com seus eventos especiais? A analogia mais próxima em que consigo pensar é algo como o Discurso de Estado e União (State of the Union Address) nos EUA. A imprensa especula sobre o que presidente do país vai dizer, o presidente fala algo, e então a imprensa fala sobre o que o presidente disse. É uma notícia que dura dias.

Mas a Apple – por mais surpreendente que isso possa ser – não é  a líder do mundo livre. Assim, o fato de conseguir tanta atenção da mídia (e, assim, dos consumidores) é algo excepcional. 

Como a Apple faz isso

Então por que os eventos especiais da Apple atraem uma cobertura e animação tão intensas? Colocando de modo simples: a Apple conquistou isso. De forma geral, a companhia – ao menos em sua “era moderna” desde que Steve Jobs retornou como CEO nos anos 1990 – é razoavelmente “mesquinha” para realizar esses eventos especiais, e claramente vai em busca para que cada um deles tenha vários momentos “Uau”.

Lembre que a Apple não realizou um evento especial para anunciar o sistema Mountain Lion; a companhia informou privativamente vários jornalistas de tecnologia sobre a novidade. A empresa poderia ter agendado um evento como o Back to the Mac, realizado em 2010 para anunciar o Mac OS X Lion, e ele provavelmente teria alcançado o mesmo nível de cobertura antes, durantes e depois. Mas quanto menos frequentes a Apple puder manter esses eventos, mais especiais eles ficam. Claramente, não há nenhum risco imediato de um
“burnout” (queima) dos eventos da Apple, e podemos considerar a não existência de um evento do Mountain Lion como uma pedida preventiva. 

Ao assegurar que cada evento seja, para usar uma palavra favorita da Apple, “mágico”, a empresa nos mantém (consumidores e jornalistas) sempre voltando. Não é apenas sobre bom marketing, boas apresentações, e o famoso “campo de distorção de realidade”: a chave é que a Apple continuamente utiliza seus eventos para apresentar produtos realmente impressionantes e inovadores. Cada evento da Apple é apenas tão bom quanto os produtos revelados durante essa apresentação; na maior parte das vezes, esses produtos são muito, muito impressionantes.

Na verdade, explicar a razão pela qual outras empresas não conseguem recriar a comoção dos eventos da Apple é algo muito simples: outras companhias não conseguem criar consistentemente produtos que merecem tanta atenção quanto os da Apple.

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