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Opinião: Processo da Apple contra a Samsung tem como alvo a Google

Apple volta a atacar fabricantes de aparelhos com sistema Android. Mas por que ela nunca se volta diretamente contra a fonte desta plataforma?

Dan Moren, Macworld / EUA

21/04/2011 às 15h59

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Mais uma vez a Apple avançou contra seus rivais na “arena móvel”, acusando-os de violar suas patentes. Desta vez o alvo da companhia é a Samsung – especialmente sua linha de smartphones e tablets Galaxy. E a empresa de Steve Jobs não está medindo palavras. Na denúncia contra a rival, os advogados da “maçã” escreveram:

“Em vez de buscar desenvolvimento independente de produtos, a Samsung escolheu copiar descaradamente a Apple e sua inovadora tecnologia, interfaces de usuário diferenciadas e seu elegante e distinto design de embalagem de produto, em violação aos valiosos direitos de propriedade intelectual da Apple.”

A Samsung também não é primeira fabricante de aparelhos Android processada pela Apple. A companhia de Cupertino já entrou com processos contra a HTC e a Motorola. E ainda assim, o processo espertamente se esquiva de qualquer ataque contra a fonte da plataforma Android – a Google – com quem a Apple tem alternado uma relação fria e quente ao longo dos últimos anos.

Matador de cópias
Em contraste ao processo em andamento contra a HTC, que lida com patentes relacionadas à interface com o usuário, arquitetura subjacente e hardware, a ação da Apple contra a Samsung parece focar mais no visual e comportamento do produtos: tudo desde o formato do produto até ícones e a embalagem estariam violando as patentes dos icônicos iPhone, iPod Touch e iPad.

A Apple nunca foi tímida para falar sobre sua propriedade intelectual: durante o lançamento do iPhone em 2007 o CEO da empresa, Steve Jobs, disse após sua descrição da interface multitouch do aparelho: “cara, como nós patenteamos isso!”. E durante a conferência para divulgar seus resultados financeiros do primeiro trimestre fiscal de 2009 o COO Tim Cook (agora no lugar de Jobs) afirmou que a companhia gostava de competição, mas que não suportaria ter sua propriedade intelectual “copiada” e usaria “quaisquer armas que estejam à nossa disposição”, frases que na época pareciam direcionadas para o então não-lançado Palm Pre.

A pergunta é: por que a Samsung? O Android e outros sistemas operacionais baseados em telas touchscreen, como o webOS da HP, estão no mercado há alguns anos. A razão principal, ao menos baseado no que li do processo, é que aparentemente a Apple acredita que esse é um caso sólido, pois os produtos da Samsung – que incorporam sua própria interface chamada TouchWiz – estão tão próximos dos da “maçã” que a empresa de Jobs alega que eles querem deliberadamente causar confusão.

A Samsung, por outro lado, não está disposta a ser processada calada – a companhia baseada na Coreia do Sul afirmou que pretende “reagir fortemente” à ação da Apple. E também há um ponto a mais nesse caso em especial: a Apple é uma grande compradora de painéis LCD e semicondutores da Samsung (leia-se: memória flash NAND e até os processadores A4 e A5) que são utilizados na produção de aparelhos como – sim, você acertou – o iPad e o iPhone. Esse processo é apenas o próximo passo em uma negociação que azedou? Ou seria, como sugere o site especializado Apple Outsider, “o último movimento em um jogo crescente para irritar o rival”?.

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Novo processo da Apple mira a linha Galaxy da Samsung

Que Google?

Mas há um problema maior aqui, e esse é o elefante na sala: a Google. Tendo mirado HTC, Motorola, e agora a Samsung, a Apple voltou seus esforços contra os três maiores fabricantes de smartphones Android – e ainda assim nada contra a fonte da plataforma. De algumas maneiras, a ação da “maçã” contra suas rivais parece tão fragmentada quanto o sistema da Google.

O Android continua como o maior rival da Apple no mercado móvel, em termos de percepção entre os consumidores pelo menos. É difícil não enxergar esses processos contra os parceiros da gigante de buscas como uma tentativa da Apple de puxar o tapete da Google, tudo isso enquanto mantém a aparência de uma relação cordial com a desenvolvedora do OS.

Para quem compara incessantemente a batalha “iOS vs. Android” como uma nova versão do conflito da Apple com a Microsoft, é tentador ver isso como um exemplo de como a empresa de Steve Jobs aprendeu com seus erros. Em 1994, no auge da guerra de plataformas de computadores, a Apple tentou processar a Microsoft por violação de seus direitos sobre o “visual e comportamento” do sistema e acabou perdendo. A partir de uma perspectiva legal, a base do processo contra a Samsung é muito diferente da ação contra a Microsoft.

Mas de um ponto de vista estratégico, talvez a Apple tenha decidido que tem menos a ganhar em cortar a cabeça do monstro do que cortando seus braços e pernas aos poucos. A companhia pode não acreditar que um caso contra a Google seria tão forte quanto esses contra as fabricantes – ou talvez a empresa de Jobs esteja apenas esperando pela hora certa para mirar seus esforços na fonte de sua competição.

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