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Opinião: quem precisa do Office 2011?

O modelo de suíte muitas vezes faz as pessoas adquirirem um produto que não precisam, mas ainda é uma boa opção para ambientes corporativos

Joe Kissell - Macworld/EUA

18/10/2010 às 9h51

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Durante anos, a maneira mais comum de comprar programas para o escritório, como processadores de texto, softwares de planilhas e apresentações de slides era optar por um pacote como o Microsoft Office. Hoje, isso ainda faz sentido? Há um valor "agregado" ao comprar uma coleção de aplicativos de produtividade ou faz mais sentido a possibilidade de escolher programas individuais, sem estar atrelado a um fabricante?

Estive pensando sobre isso por causa do recente anúncio do Microsoft Office 2011 (que chega às lojas  do mundo no dia 26/10 e ao Brasil no dia 3/11). Mas há outras opções pagas que rodam no OS X, como o iWork, da Apple, Oracle Open Office, MarinerPak, OpenOSX Office e o ThinkFreeOffice, além de outros pacotes gratuitos, como o IBM Lotus Symphony, a opção open-source OpenOffice e seu primo próximo NeoOffice. E, claro, não podemos esquecer das aplicações na nuvem, incluindo o Google Docs, o Zoho e o próprio Office Web Apps da Microsoft.

Há alguns argumentos conhecidos a favor de um pacote: compatibilidade, a integração dos aplicativos, a consistência da interface, custo/benefício e conveniência. Mas eles ainda são válidos?

Compatibilidade
Vamos dizer que os formatos de arquivo da Microsoft são, de fato, padrão, e que qualquer outro programa concorrente deve ser capaz de ler (e preferencialmente alterar) arquivos nesses formatos. No momento, isso é universalmente verdade: todos os programas citados acima conseguem abrir arquivos .doc, .xls e .ppt, e todos, menos o MarinerPak, conseguem escrever nesses formatos. O suporte para os novos formatos da XML da Microsoft - .docx, xlsx e pptx – é mais restrito. Todos conseguem abrir os documentos, mas nem todos têm a habilidade de criar ou alterar esses arquivos.

Além disso, aplicativos de terceiros podem não suportar todos os recursos de suas contrapartes do Office, o que significa que em alguns casos os documentos podem não sobreviver à transposição de um programa para o outro completamente fiéis ao original.

Mas a compatibilidade não é um fator decisivo no argumento pró ou contra sobre o formato pacote. O fato é que, se o usuário precisa escrever e ler arquivos do Word, por exemplo, esse é um ótimo argumento para comprar o Word; mas não para adquirir o pacote Office inteiro. 

 

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Ainda vale a pena? Para ter só o Outlook, por exemplo, é preciso comprar todo o pacote

Integração
Pacotes de produtividade destacam as vantagens da integração, como a facilidade de ter o processador de texto profundamente conectado ao aplicativo para planilhas e apresentação de slides. O Microsoft Office, por exemplo, possui elementos proprietários – como o OLE e o Visual Basic for Applications - que permitem aos componentes do pacote interagir de maneira mais próxima do que com produtos de terceiros.

No entanto, não estou convencido de que isso seja um argumento a favor dos pacotes; uso Word e Excel todos os dias, e nunca tirei vantagem dessa integração. Caso as tarefas do usuário exijam planilhas incorporadas a documentos de texto ou gráficos em slides, então a integração de um pacote pode fazer sentido. Entretanto, uma parcela muito pequena de usuários se enquadra nessa categoria; o resto utiliza cada programa separadamente, exatamente como seria se eles não estivessem amarrados a um pacote.

Consistência
Desenvolvedores desse tipo de pacote trabalham muito para fazer com que os aplicativos tenham interface e aparência similares. Parece lógico: aprender a usar um significa entender todos os outros.

Mas há algo de implícito (e sinistro) aí: uma vez que o usuário cresce acostumado com uma interface específica, qualquer outra coisa que seja diferente parece estranha; isso pode fazer com que a pessoa sinta-se pressionada a acompanhar uma linha de produtos de uma determinada companhia. Isso é particularmente verdade no Office, que sempre se desviou das conveniências da interface do Mac Os mais do que deveria. Bem ou mal, a adição da ferramenta proprietária do Ribbon no Office 2011 contribui nesse processo. 

 

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O Ribbon insere elementos de interface muito bons no Word, mas deixa o usuário preso, por ser um recurso proprietário

Custo
A fórmula para atribuir preço a um pacote de programas de produtividade sempre foi: faça o pacote um pouco mais barato do que qualquer oferta de dois programas separados. Por exemplo, o Microsoft Office para Mac na versão Home and Business 2011 sai por 199 dólares nos Estados Unidos (o pacote, ainda sem preço definido, chega ao Brasil no dia 26/10), no entanto é possível comprar o Word, Excel ou o PowerPoint individualmente por 119 dólares cada (o Outlook não é disponível separadamente).

Esse preço está pulverizado. Se o usuário pretende comprar somente um programa de um pacote, provavelmente vai concluir que  economizará muito mais se comprar todo o conjunto de uma vez. Alguns pacotes (incluindo o iWork) estão disponíveis em conjunto:  a única decisão aqui é se aquele programa que é necessário vale ou não o preço de todo o pacote.

Conveniência
É fato que é muito mais fácil comprar um produto do que vários. Para o usuário individual, algumas compras a mais podem não fazer tanta diferença, mas para uma empresa, isso pode ser mais complicado. E se você for do setor de TI e encarregado do suporte dezenas ou até centenas de outros usuários, ter menos aplicativos (ou mais similares) para instalar, fazer upgrades e responder dúvidas de uso é ótimo. Então, nesse caso, o pacote faz sentido.

Conclusão
Reunindo os fatos acima, fica claro que um pacote é uma opção muito mais econômica, se for preciso pelo menos dois de seus componentes. Isso também é verdade se o usuário depende da integração desses programas, caso ache confuso trocar entre interfaces de usuário ou se o comprador for uma empresa que deseja minimizar as complicações na hora do suporte. Combine essas condições e haverá muitas pessoas que dirão que esses pacotes são a melhor maneira de adquirir softwares de produtividade.

Porém, é possível dizer também que possuir um pacote não significa que o usuário obrigatoriamente precisa usar (ou mesmo instalar) todos  os seus componentes. E nada disso previne o utilizador de usar um programa único se esse não estiver no pacote de sua escolha, ou um aplicativo na web ou mesmo um pacote secundário, se um desses conjuntos é melhor para as tarefas desenvolvidas no trabalho.

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