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Opinião: por que o iPad Mini é o melhor e-reader

Tablet da Apple reúne principais qualidades dos concorrentes, além de alguns diferenciais. Aparelho não está disponível de forma oficial no Brasil.

Joel Mathis, Macworld / EUA

09/04/2013 às 11h41

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Quando o Kindle foi lançado, os leitores perceberam que os anos de falsos começos e promessas vazias haviam acabado, que a revolução da leitura digital havia real e finalmente chegado. E então, um tipo de “Guerra Fria” se instaurou entre os dois tipos de leitores: os bibliófilos, que insistem que o papel (precisam desse cheiro, dizem) é a melhor maneira, e o restante das pessoas, que gosta cada vez mais da conveniência dos e-books.

E ambos estão certos.

Pela primeira vez na história quando sentamos para ler um livro, temos mais do que simplesmente uma escolha sobre o que ler – precisamos também decidir COMO ler. Talvez você já tenha descoberto seu método favorito de leitura, e vá ficar com ele. Mas a verdade é que os diferentes meios oferecem forças diferentes, que por sua vez estão ligadas aos diferentes tipos de leitura. Se fechar em um canto com apenas um aparelho para todos os tipos de leitura pode te privar dos prazeres e vantagens do outro.

Nos últimos dois anos, li livros de diferentes maneiras: em um computador desktop, em um netbook, no meu iPhone, iPad, em um Kindle (com e-ink), e – acredite ou não – no bom e velho papel – até testei os áudio-livros. A força dessas três primeiras opções, na maioria dos casos, é que elas estavam disponíveis: caso precise ler algo nesse momento, elas resolvem o problema.

Mas na maior parte do tempo fico com o iPad Mini, um Kindle básico (disponível no Brasil por 300 reais), ou livros de papel. O iPad é o mais próximo do que posso chamar de “meu aparelho padrão para leitura”, por razões que vou explicar logo abaixo. Mas nunca é uma escolha automática. Por que? Porque cada método tem as suas vantagens.

Para leituras de estudo, prefiro o iPad. Sim, já saí da faculdade há alguns bons anos, mas em meu outro “lado” jornalístico apresento um podcast trazendo entrevistas com autores de livros sobre política. Isso significa muita leitura, muita marcação de texto, e muitas notas. O iPad claramente é o melhor aparelho para essas duas últimas tarefas, especialmente para tomar notas. E o tablet da Apple continua melhorando nesse aspecto: recentemente a Amazon atualizou seu app Kindle iOS para oferecer várias cores diferentes de marca-texto virtual, o que facilita muito a vida de quem costuma usar o recurso. Esse é um recurso compartilhado pelo aplicativo iBooks, da Apple, uma vez que as duas empresas trabalham para ter apelo nos mercados de educação e livros escolares.

Isso não é necessariamente uma leitura profunda: o iPad facilita tomar notas e organizá-las – o tipo de leitura feita por universitários. Mas no final de um livro, é tão mais fácil voltar, encontrar suas notas, e dar uma geral no que você acabou de ler. Se você estiver nesse modo “processamento de informações”, o iPad é normalmente o caminho a seguir. Criar e navegar por esses tipos de notas em um Kindle de e-ink é doloroso.

Para uma leitura mais “leve”, o Kindle é o escolhido: é o aparelho mais barato que está sempre com você. Se você não liga muito para tomar notas, mas quer apenas curtir uma boa história, o e-reader da Amazon faz sentido. 

O Kindle também é ótimo para a leitura com “menos iluminação”: estudos mostram que telas backlit, como as que estão presentes no iPad e em outros tablets, reduzem a produção de melatonina e podem atrapalhar seu sono – tornando o tablet da Apple e outros aparelhos com esse display uma escolha ruim para leitura na cama. Se gosta de ler antes de dormir, como muita gente faz, o Kindle pode ser a melhor alternativa.

E é óbvio que “light” (leve) também traz outro significado – o Kindle também costuma trazer a versão ergonomicamente mais amigável de um livro. Quando saiu o novo livro de Robert Caro, sobre o ex-presidente dos EUA Lyndon Johnson, com 736 páginas, nem pensei em comprar a versão de capa dura. Meus punhos teriam sofrido sem razão, assim como minha coluna para carregá-lo por aí na mochila. O iPad teria sido uma redução de livro significativa, mas estava lendo a obra por prazer, em vez de estudo. O Kindle, que é ainda mais leve, provou ser a plataforma ideal para um “monstro” desses.

É claro que o Kindle perdeu um pouco dessa vantagem ergonômica com a chegada do iPad Mini. Por outro lado, o aparelho da Amazon não oferece acesso fácil ao Facebook ou Twitter – e quando estou afim de ler, a ausência de distrações eletrônicas oferecida pelo Kindle é bem-vinda.

Os livros de papel também não oferecem nenhuma distração eletrônica, obviamente. E é por isso que eles geralmente são o melhor “aparelho” para a boa e velha leitura imersiva. Os benefícios aqui são admitidamente menos substanciais, mais teóricos e românticos, mas acredito neles de qualquer forma. Os livros de papel não exigem bateria, não disputam sua atenção com redes sociais, vídeos e games. Eles simplesmente são livros. E com livros mais antigos, que já passaram por outras mãos, é possível se sentir meio que fazendo parte de uma linhagem de leitores. Esse não é o caso com os e-books.

Mas há um “melhor dos melhores”?

Atualmente, sim: o iPad Mini. Ele tem todo o poder do iPad e dos seus melhores aplicativos de leitura, incluindo o Kindle e diversas outras livrarias. Traz o benefício ergonômico do Kindle, e, bem, se quiser uma leitura imersiva livre de distrações é sempre possível colocar seu tablet no Modo Avião (algo que poucos usuários devem fazer, reconheço).

De outra forma, é Ok aceitar alguma bagunça na sua “vida de leitura”. Não apenas baixe o próximo livro da sua lista de leitura; considere como quer que seja sua experiência com ele, e deixe essa decisão te guiar.

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