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Opinião: Windows 8 em chips ARM fará a diferença

Projetos de sistema-em-um-só-chip darão origem a dispositivos com vantagens impressionantes em design, duração de bateria e versatilidade

Melissa J. Perenson, da PC World/EUA

19/09/2011 às 11h38

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Se o Windows 8 funcionar bem em sistemas equipados com
processadores ARM, será questão de tempo até que tenhamos aparelhos finos,
leves e inovadores no mercado. E serão desde laptops ultrafinos com baterias de
longa duração até tablets superleves com grandes telas.

Os processadores ARM de 32 bits têm projeto relativamente
simples em comparação com o dos chips da Intel. Esta simplicidade se traduz em
menor consumo de energia, o que os torna ideais para uso em aparelhos nos quais
a maximização da duração da bateria é um ponto crítico – leia-se celulares, tablets
e, logo, logo, laptops.

O núcleo do processador pode ser licenciado a fabricantes de
chips, que por sua vez o empacotam em processadores do tipo sistema-em-um-chip
(system-on-a-chip) que incluem todos os componentes em um único chip. O núcleo
ARM não é novo, mas tem sido usado tradicionalmente com sistemas embutidos ou
com aparelhos portáteis que não rodam o Windows da Microsoft.

Mas isso está para mudar. E, quando ocorrer, poderá mudar a
face da computação, como demonstrado pelos protótipos ARM demonstrados na
conferência Build, da Microsoft.

A beleza dessas arquiteturas system-on-a-chip é que elas
podem ser empregadas em espaços bastante reduzidos. Isso obviamente causa
impacto nos projetos de gabinetes – eu vi, fora dos estandes, um tablet
impressionante na conferência Build: superfino e super-robusto, o modelo pesava
menos de 500 gramas e tinha uma tela de nove polegadas.

Energia
Economizar espaço é apenas um dos benefícios do ARM, que
oferece outro igualmente importante: baixo consumo de energia.

“Não temos visto nenhuma restrição de formato de gabinete
para os dispositivos com ARM”, diz Steve Horton, diretor de software e
gerenciamento de produtos da Qualcomm. “O aspecto energia oferece múltiplos
fatores de diferenciação – múltiplos dias de uso, a possibilidade de construir
um aparelho superfino ou superleve.”

A economia potencial de energia do ARM é o motivo pelo qual
fabricantes de chips afirmam considerar seu uso em designs do tipo concha, que
imitam laptops. O ARM está nitidamente destinado para mais que celulares e
tablets, áreas que já domina na forma de chips Qualcomm e Nvidia.

Mas, se o Windows 8 funcionar em sistemas equipados com
processadores ARM, os consumidores poderão ver “laptops” com baterias que duram
até 15 horas entre uma carga e outra.

É claro que, quando esses tablets tipo “concha” chegarem às
lojas, será difícil diferenciá-los dos laptops ultraportáteis. Alguns rodarão
em chips x86, como os da Intel e da AMD, e alguns sistemas baseados em ARM
rodarão Windows 8 – mas eles podem não rodar o software que você já possui. Não
é possível saber de antemão como a empresa vai lidar com isso, já que a
Microsoft não forneceu muita informação durante o evento.

Se você se pergunta se será capaz de usar os aplicativos
existentes para Windows em sistemas ARM, acredite: eu também fiz a mesma pergunta.
Mas os fabricantes com os quais conversei trataram a questão de forma
superficial. “Nós pensamos sobre isso. Não estamos muito preocupados”, disse
Horton, da Qualcomm. “Pensamos que há muitas coisas boas prestes a surgir. O
objetivo final é fazer com que a experiência de uso seja a mesma,
fundamentalmente, do ponto de vista do Windows – e deverá ser a mesma.”

A Microsoft também foi vaga sobre o suporte, pelas máquinas
ARM, a aplicativos herdados. Mas a empresa já demonstrou uma versão do Office
que roda na nova interface Metro, em contraposição à versão tradicional para
desktops.

Windows com ARM
Eu perguntei sobre como anda o processo de adaptação do
Windows para ARM. Os executivos com quem conversei – de empresas como Nvidia,
Qualcomm e Texas Instruments – indicaram que os trabalhos têm corrido de forma
suave. Todos destacaram que precisam acrescentar suporte para gráficos DirectX
(se é que já não o suportam) mas, além disso, o processo [de preparar um
Windows para ARM] envolve principalmente a otimização do código para funcionar
com a arquitetura do tipo system-on-a-chip.

“O trabalho tem sido conduzido há mais de um ano”, diz Deepu
Talla, gerente-geral de computação móvel e sem fio da Texas Instruments. “A
única coisa na qual eu diria que precisamos trabalhar é no desempenho gráfico.
Nós precisamos aplicar mudanças em nosso motor gráfico para suportar DirectX.
Em termos de silício, esta é a única diferença. E nós temos feito outras
otimizações em software.”

Além disso, muitos dos recursos do ARM, um chip que domina
os smartphones e tablets, permitirão que o Windows 8 ganhe funcionalidades de
smartphone.

Como exemplo, Horton destaca a demo “Connected On”, ocorrida
na conferência Build. O termo descreve um novo estado de energização que
submete um sistema a um estado de menor consumo de energia sem deixá-lo
hibernando; assim, você poderia sair dele imediatamente. Neste estado, os apps
são suspensos, mas ainda podem atualizar conteúdo na retaguarda sem exigir
muita energia. Este estado de suspensão vai funcionar até com a tecnologia 4G
da Qualcomm, o que surpreende em face do apetite do 4G por bateria.

Há ainda uma pegadinha no projeto, e que terá claro impacto
na forma como os aparelhos terão: a Microsoft tem pedido aos fabricantes de hardware
uma tela com proporção 16:9 (porque é para ela que a interface Metro foi
otimizada).

No fim das contas, Talla, da Texas Instruments, conclui que
o foco da empresa é computação móvel.

“A questão aqui é desenvolver uma experiência de computação
que dure o dia inteiro”, diz. Os outros fabricantes de chips ARM concordam com
Talla – todos têm um objetivo de fazer com que um sistema opere de 12 a 15
horas
sem recarga de bateria, seja um tablet ou um “laptop”.

Se eles conseguirem, todos seremos capazes de zanzar o dia
inteiro por cafeterias, do nascer ao pôr-do-sol e até mais tarde, sem perder a
conexão. Nada mau.

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