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Para a Dell, ‘Um Computador por Aluno’ não se sustenta no longo prazo

Fabricante apoia um modelo que envolve tecnologia combinada com conteúdo interativo e capacitação de professores.

Nando Rodrigues, da PC World

05/11/2009 às 14h34

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A vinda dos dois principais executivos da fabricante de computadores Dell ao Brasil esta semana teve dois objetivos. O primeiro, amplamente divulgado, foi anunciar, nesta quinta-feira (5/11), o piloto do projeto Sala de Aula Conectada, experiência educacional para levar ferramentas tecnológicas para salas de aula de 26 escolas da rede municipal de Hortolândia (SP).
O segundo, mais importante, foi um encontro realizado ontem (4/11) entre o CEO da empresa, Michael Dell, o presidente mundial da Dell para o segmento público, Paul Bell, e representantes do governo do Estado de São Paulo para apresentar a proposta da fabricante para a área educacional.
Segundo Bell, um terço da população brasileira já está conectada à web, e esses usuários respondem pelo maior tempo de navegação web em todo o mundo. Tais fatores, explica, não podem ser ignorados em um processo de inclusão digital. “As crianças pesquisam, têm acesso a conteúdos multimídia, participam de bate-papo, jogam online. Esse comportamento se reflete em como os alunos se comportam na sala de aula e não pode ser deixado de lado”, diz Bell.
Sob essa óptica, o projeto de inclusão digital do governo federal Um Computador por Aluno (UCA), cuja licitação do Ministério da Educação encontra-se em fase de testes dos equipamentos, não seria sustentável no longo prazo, avalia a fabricante. “O projeto Um Computador por Aluno é uma boa iniciativa, mas entendemos que ele deve ser mais amplo, contar com conteúdo adaptado e interativo, além de incluir o professor para que seja sustentável”, avalia diretor para o setor público da Dell Brasil, Ricardo Velasco.
A Dell quer mostrar ao governo brasileiro que outras opções podem ser adaptadas conforme a realidade e poder econômico de cada região. A empresa é a fornecedora de um projeto do governo do México que equipa 50 mil salas de aulas e 150 mil alunos com computadores. “Neste caso, o conteúdo foi todo fornecido pelo próprio governo mexicano”, afirma o diretor geral da Dell para América Latina, Peter Wiegandt. Para funcionar, um projeto de inclusão digital deve incluir tecnologia, conteúdo e professores capacitados, acrescenta.
Sala de Aula Conectada
O projeto de Hortolândia vem sendo gestado desde o início deste ano e contou com a parceria da prefeitura municipal para a infraestrutura física das salas de aula; do governo de São Paula para o acesso à web e da Universidade de São Paulo, que adaptou o conteúdo das disciplinas de matemática e língua portuguesa para a 5ª séria do ensino fundamental e 1ª série do ensino médio.
Em julho, 31 salas de aula de 26 escolas do município receberam, cada uma, lousa interativa conectada a um servidor Optplex, kit multimídia com projetor e equipamento de som, e uma impressora (os equipamentos foram doados pela Dell). Os professores foram treinados durante as férias quanto ao uso dos equipamentos.
As salas passaram a ser usadas a partir de agosto e estão em fase experimental. Segundo Velasco, ao final do ano, o projeto será avaliado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) quanto ao seu sucesso pedagógico. “Em uma segunda etapa, de um projeto que tem duração de 12 meses, os professores irão receber, cada um, um notebook e só depois é que os alunos irão receber o netbook, numa terceira fase”, explica.
A Dell não informou quanto foi investido no projeto de Hortolândia.

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