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Para “brigar com Android e iPhone”, Nokia adota Windows Phone 7

Ações da companhia caíram 8% em Helsinque depois do anúncio, segundo o Wall Street Journal. Symbian e Meego continuam, mas para mercados específicos

Redação da Computerworld (*)

11/02/2011 às 6h59

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A Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, anunciou nesta sexta-feira (11/2) que vai adotar o sistema operacional Windows Phone 7, da Microsoft, em seus smartphones, numa última tentativa de manter sua liderança no mercado.

Com a decisão, a empresa praticamente descarta o concorrente Android, da Google, que cresceu 900% em 2010.  Após o anúncio, as ações da Nokia na bolsa de Helsinque, capital da Finlândia, caíram 8%.

Entre as mudanças anunciadas está também a reorganização da equipe de direção da companhia, a fim de permitir a rápida
tomada de decisões e a renovação de toda a estrutura da empresa através da
criação de duas unidades distintas: dispositivos inteligentes e
telefones celulares para se concentrar, respectivamente, no mercado high-end
de smartphones e no mercado de massa de celulares onde o Symbian continua líder.

As mudanças acontecem depois de a Nokia ter nomeado Stephen Elop, antigo executivo da Microsoft, como CEO, há menos de cinco meses, com a missão de recuperar o prestígio da companhia,
especialmente no lucrativo mercado de smartphones, dominado hoje pelo iPhone, da Apple, e pelos aparelhos Android, plataforma criada pela Google.

Nas últimas semanas, Elop construiu uma reputação de executivo sem papas na língua, de fala direta, sem rodeios. Em memorando interno aos
funcionários publicada na última quarta-feira pelo Wall Street Journal
 
comparou o destino da Nokia ao de um homem de pé sobre uma
plataforma de petróleo queimando,  correndo o risco de morte,  forçado a escolher entre pular nas
águas geladas ou queimar.

Depois, faz uma associação ao Symbian e diz que esse é o cenário da Nokia: a plataforma da empresa está em chamas.

Elop ressalta que a Apple controla o lucrativo setor móvel de alto nível, enquanto o Android domina o de médio.

Em uma crítica à velocidade dos lançamentos da empresa, ele diz que
fabricantes chinesas conseguem lançar um smartphone enquanto a Nokia
“ainda está finalizando sua apresentação PowerPoint”.

Desde a contratação de Elop pela Nokia o mercado já vinha especulando sobre uma possível associação com a Microsoft para o mercado de smartphones. Em artigo publicado pelo IDGNow!, Katherine Noyes, da Computerworld/EUA chega a perguntar se dois fracassos poderiam resultar em um sucesso, em alusão ao fato de a Microsoft, com seus sistemas móveis, também ter perdido mercado, rapidamente, diante da chegada do Blackberry, do iPhone e dos celulares Android.

No fim de janeiro, a Nokia divulgou que seu faturamento no
último trimestre de 2010 cresceu, mas o lucro continuou em queda. O
motivo: não conseguir se impor no mercado de smartphones de alto rendimento.

A renda do trimestre – cujo último dia considerado é 31/12 – ficou em
12,7 bilhões de euros, ou 29,2 bilhões de reais; alta de 6% em relação
ao mesmo período de 2009. Mesmo ajudada pelo câmbio favorável, a Nokia
teve lucro de 745 milhões de euros, ante 948 milhões do ano anterior.

Nos quatro últimos meses de 2010, a companhia finlandesa
comercializou 123,7 milhões de celulares, queda de 3% se comparado a
2009. Com o resultado, a participação da Nokia no mercado de dispositivos
móveis caiu de 35% para 31%, segundo estimativas da própria. Já no
âmbito dos smartphones, o índice foi de 40% para 31%, já que apenas 5
milhões de aparelhos com Symbian 3 – presente no N8, C7 e C6-01 – foram vendidos.

Estratégia
Sobre as mudanças anunciadas hoje, Elop foi curto e direto: "A
Nokia está em um momento crítico, onde a mudança significativa é
necessária e inevitável no nosso caminho para frente", disse.  "Hoje, estamos
acelerando a mudança através de um novo caminho, destinada a recuperar a
nossa liderança smartphone, reforçando a nossa plataforma de
dispositivos móveis e realizar nossos investimentos no futuro."

A parceria estratégica com a Microsoft tem o objetivo de construir um ecossistema global móvel baseado em ativos "altamente complementares", segundo a Nokia. A meta desse ecossistema Microsoft Nokia é oferecer produtos diferenciados e inovadores e ter escala incomparável, variedade de produtos, o alcance geográfico e identidade da marca. Com o Windows Phone como sua principal plataforma de smartphone a Nokia espera conduzir o futuro da plataforma, aproveitando a sua experiência em otimização de hardware, personalização de software, suporte a vários idiomas e ganhos de escala.

Leia mais: Elop: Nokia desistiu do Android para não ceder receita de serviços à Google

Nokia e Windows Phone 7: Poderiam dois fracassos resultar em sucesso?
Android cresce 900% e torna-se a segunda plataforma mais vendida em 2010

Com relação à inovação, o Nokia Maps, por exemplo, estaria no coração de bens essenciais como o Microsoft Bing e AdCenter. Aplicativos Nokia deverão ser integrados ao Microsoft Marketplace. Caberá à Microsoft prover ferramentas para desenvolvedores, tornando mais fácil o desenvolvimento de aplicativos para alavancar a venda de smartphones da Nokia.

Com o Windows Phone transformado na principal plataforma para smartphones, o Symbian torna-se uma plataforma de franquia, para alavancar investimentos anteriores, principalmente no mercado low-end. Esta estratégia reconhece a possibilidade de conservar e de oferecer uma transição sua para a base instalada de 200 milhões de proprietários de Symbian. A Nokia espera vender cerca de 150 milhões de dispositivos Symbian nos próximos anos.

Sob a nova estratégia, o Meego torna-se um código-fonte aberto, um projeto de sistema operacional móvel. Vai focar mais na exploração do mercado de longo prazo. Traduzindo, na próxima geração de dispositivos, plataformas e experiências dos usuários, em especial aqueles com processador Atom, da Intel. Isso inclui tablets. A Nokia planeja lançar um produto com Meego até o fim deste ano.

Nova estrutura da empresa
A partir de 01 de abril, a Nokia terá uma nova estrutura da empresa, com duas unidades de negócio distintas: Dispositivos Inteligentes e Mobile Phones. Elas vão se concentrar em áreas-chave de negócios da Nokia: smartphones high-end e os celulares para o mercado de massa. E serão geridas como unidades independentes.

A unidades de Dispositivos Inteligentes será responsável pela construção da liderança da Nokia em smartphones e será conduzida por Jo Harlow. Estarão embaixo dela as seguintes sub-unidades: Smartphones Symbian, computadores MeeGo, e Operações estratégicas de Negócios.

Para apoiar a nova parceria com a Microsoft, a unidade de Dispositivos Inteligentes será responsável também pela criação de uma carteira vencedora de produtos Windows Phone.

Já a unidade Mobile Phones será liderada por Mary McDowell e terá a missão de conectar o próximo bilhão de pessoas , tornando acessível o acesso à Internet e ao mundo de aplicativos móveis.

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