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Pela segunda vez sem Jobs, será que a Apple vai se perder de novo?

Nos anos 1990, sem o seu cofundador e principal CEO, a empresa de Cupertino chegou a ser apontada como "condenada". Saiba se o filme pode se repetir.

Lex Friedman, Macworld / EUA

11/01/2013 às 15h50

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Alguns especialistas em tecnologia perguntam ocasionalmente: a Apple está condenada a cair? A resposta no momento é “com certeza não”. Na verdade, a melhor pergunta seria é: a Apple pode realmente estar condenada a cair novamente?

O que significa a Apple cair?

Primeiro, a história: o que essas autoridades em tecnologia querem dizer quando sugerem que a Apple está condenada? Em junho de 1997, quando a capa da revista especializada Wired mostrou o logo da Apple com a linha “Pray” (“Rezar”), havia ao menos um argumento razoável a ser feito sobre a viabilidade a longo prazo da companhia: a Apple estava se debatendo com uma linha de produtos bagunçada, aparelhos fadados ao fracasso, uma concorrência aparentemente interminável da Microsoft, entre outros problemas.

Lembre-se também que 1997 foi o ano em que a Microsoft investiu cerca de 150 milhões de dólares para o crescimento da Apple – e a empresa de Cupertino realmente precisava desse dinheiro. Essa situação – precisar desse capital aparentemente pequeno de um sério rival para continuar “navegando” no mercado – tem a palavra  “amaldiçoada” escrita sobre toda ela, certo?

Mas vamos dar uma olhada na Apple atualmente.

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Jobs e Gates no famoso encontro em 2007 durante evento de tecnologia

Vento a favor

Hoje, a Apple possui mais de 120 bilhões de dólares em caixa. Por razões complicadas – que eu entendo por “baixar sua carga tributária” -, a empresa guarda boa parte desse dinheiro fora dos EUA. Mas independentemente disso, o fato é que a Apple tem muita grana atualmente.

Esse fato apenas torna muito mais difícil para a Apple receber o rótulo de “condenada” a qualquer momento num futuro próximo. Esses 120 bilhões de dólares compram muito espaço para respirar e possíveis erros ao longo do caminho. Ou seja, se a Apple por acaso cometesse muitos erros feios em mais de um projeto, teria a cobertura financeira para sobreviver a tais problemas. Caso, hipoteticamente, a pesquisa para um fracassado iPad Maxi exigisse 2 bilhões de dólares, mais um bilhão de dólares para publicidade, então a Apple ficaria com “apenas” 117 bilhões de dólares na conta.

Essa é uma posição extremamente boa para estar. Obviamente que você só pode “descansar os louros” na sua enorme conta bancária por um tempo. No caso da Apple, esse tempo pode significar anos. Em 2012, a fabricante do iPhone disse que suas despesas operacionais totalizaram 10 bilhões de dólares, com o setor de pesquisa e desenvolvimento adicionando mais três bilhões de dólares à conta. Não sou nenhum economista, mas esses números sugerem que se os produtos da Apple parassem de ser vendidos, a empresa ainda poderia funcionar por mais nove anos pagando os salários de seus funcionários e o custo do departamento de pesquisa e desenvolvimento. 

Ainda assim, por mais impressionante que seja a situação financeira da Apple, não é a única razão para que a companhia não possa ser realmente classificada como “condenada” no futuro próximo. O outro argumento chave para essa ideia é o fato que o atual CEO, Tim Cook, não é sentimental ou excessivamente orgulhoso quando é hora de tomar decisões comerciais importantes.

Acabar com o que não dá certo

Cook matou o Ping – bem, ao menos formalmente – quando tornou-se óbvio para todos que ninguém ligava para a esquecida rede social do iTunes. Ele não é o tipo que coloca dinheiro bom em coisas ruins. O fato de Cook não ser orgulhoso demais para reconhecer quando a Apple comete um erro, e então para corrigir essas falhas no caminho, é uma ótima notícia para o futuro da companhia.

Lembre que Cook também é o executivo que tentou encurtar a vida da história “os Mapas do iOS 6 são problemáticos” ao não apenas pedir desculpas aos clientes da Apple sobre o bug, mas também sugerir que os usuários testassem ofertas de rivais como Google e Microsoft.

Se os rumores de que a Apple está preparando um iPhone de baixo custo para mirar o mercado pré-pago se provarem verdadeiros, isso mostrará que Cook também aprendeu lições positivas com a história da Apple. Ou seja, que a Apple pode – apesar de sua reputação “premium” – pode se sair muito bem com produtos de custo menor como o iPod Shuffle, o Mac Mini, e o mais recente iPad Mini. Além disso, a Apple historicamente fica muito confortável em lançar tais produtos, mesmo que eles canibalizem parte das vendas de outros produtos do catálogo.

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Fracasso à vista: Ping nunca conseguiu seduzir usuários do iTunes

Condenada – a ser bem-sucedida

Por isso, na próxima vez que ver um especialista afirmando que a Apple está condenada, que a “sorte” da companhia vai entrar em colapso a qualquer momento, ou que um rival rodando uma plataforma do Google, Microsoft ou outra empresa vai sentenciar a Apple à morte, lembre-se disso: a companhia de Cupertino está cheia de duas coisas: dinheiro e habilidade de liderança. Armada com elas, será necessária uma série grande de derrotas e erros para a Apple falhar, e isso apenas não parece nada provável.

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